Mercado Financeiro

Brasileiros buscam ETFs mais resilientes no mercado internacional em setembro; confira quais são esses ativos

Entre eles estão fundos de índice atrelados aos mercados de metais raros, tecnologia, financeiro e imobiliário

Data de publicação:18/10/2021 às 08:00 - Atualizado um mês atrás
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O mês de setembro foi marcado por muitas tensões nas bolsas globais, refletindo vários entraves monetários e econômicos. Os temores que permearam, e permeiam, os mercados eram relativos ao avanço da inflação, risco de default na economia americana, recrudescimento da crise energética em diversos países, e ao sério problema de liquidez da Evergrande.

Diante de cenário tão adverso lá fora, os investidores brasileiros que buscavam se proteger com posições no exterior tiveram de rever e pensar duas vezes sobre suas posições alocadas em ETFs (Exchange Traded Funds).

Foto: Reprodução
Investidores buscaram fundos de índices de maior qualidade, previsibilidade e oferecem resiliência em momentos de volatilidade - Foto: Reprodução

Segundo um levantamento feito pela fintech Stake, plataforma que conecta pessoas de diferentes países ao mercado americano de ações, ocorreu o que o mercado chama de “flight to quality”, ou seja, a busca por ativos de maior qualidade, que apontam maior previsibilidade de receitas e oferecem resiliência em momentos de volatilidade.

De acordo com Rodrigo Lima, analistas de investimentos e editor de conteúdo da Stake, diante do temor que um eventual calote da gigante chinesa Evergrande se espalhasse pelo mercado financeiro, ou até mesmo o default técnico dos Estados Unidos se concretizasse devido ao limite do endividamento, o investidor buscou proteção e barganhas na bolsa americana.

No ranking dos cinco ativos mais comprados na plataforma em setembro, esse comportamento foi observado com grandes volumes de compra do fundo SPHQ, ETF que investe nos principais nomes de qualidade do S&P 500, com empresas que vêm consistentemente entregando crescimento e dividendos.

Rodrigo Lima aponta que esse produto integra também empresas do setor de energia e saneamento, que não dependem de política monetária ou da movimentação da atividade econômica para seguir obtendo lucros. “É um case defensivo, que apresenta maior previsibilidade de receitas e com uma volatilidade menor”.

Outro ETF que se destacou na cesta de ativos dos investidores brasileiros foi o Vanguard Global ex-US Real Estate Index Fund ETF Shares (VNQI), com lastro no mercado imobiliário – investe em propriedades na Europa e na região do Pacífico asiático. Para o analista da Stake, o produto chama a atenção do mercado local pelo seu próprio perfil.

“O brasileiro gosta muito desse ETF porque tem a cultura de investir em imóveis. É uma renda passiva, mais fácil de administrar e mais tátil para o investidor”.

Investimento na China

Um dos movimentos que despertou a atenção dos analistas da Stake durante o mês de setembro foi a compra mais expressiva de ETFs chineses – em particular do CQQQ, fundo de índice que investe no setor de tecnologia da China.

Em meio a pressões regulatórias e a um cenário local conturbado devido às incertezas do rumo da incorporadora Evergrande, as empresas de tecnologia chinesas foram fortemente penalizadas, com muitas companhias negociando abaixo de pares internacionais.

Para Lima, o investidor brasileiro parece ter buscado se aproveitar desse desconto, fazendo grandes compras do CQQQ.

“O aumento da taxa de juros em nível mundial pesa para as empresas de tecnologia, pois elas lidam com um fluxo de caixa projetado para o futuro. O foco delas não é remunerar o acionista neste momento, mas sim mais lá na frente”.

Outro ponto, na visão do analista, é a solidez da economia chinesa. “O país passa por uma situação complicada neste momento, porém o país não vai acabar por conta da crise energética e das questões regulatórias”.

Metais

Outro mercado que marcou presença entre os ativos internacionais mais comprados pelos investidores em setembro foram os fundos atrelados ao mercado de metais raros – não é comum esse tipo de produto estar entre os mais comprados.

Enquanto o ouro sofre com queda 9,6% no ano, devido à alta nas taxas de juros, os metais raros como lítio e cobalto estão com alta demanda, fazendo com que o REMX, fundo de índice que investe em companhias do setor subisse mais de 50% em setembro.

Porém, no período o fundo registrou recuo de 9,4%, o que, na visão do analista da Stake, pode ter instigado os investidores a pensarem que este seria um ponto de entrada mais convidativo para alocar ativos nesse tipo de mercado.

Os mais vendidos

No ranking dos ativos internacionais mais vendidos pelos investidores brasileiros, os ETFs dividem espaço com ações de várias companhias.

O analista da Stake aponta dois vetores importantes que podem ter influenciado no comportamento desses produtos: a realização de lucros, após valorizações expressivas, e a desistência de cases nos quais houve uma mudança de cenário, ou seja, com investimentos que não se concretizaram.

A realização de lucros pode ter sido o motivo para investidores se desfazerem das cotas do UGA, ETF que busca capturar os ganhos da valorização da gasolina nos Estados Unidos.

“No ano, o fundo subiu mais de 55%, acompanhando a valorização do petróleo no período causada por rupturas nas cadeias logísticas globais, e por maior demanda por fontes de energia”, explica Lima.

Em ações, a venda dos papéis da Brookfield Asset Management também seguiu essa linha, na visão do analista. “A empresa vive um excelente momento, com receitas crescendo ao longo deste ano e com um retorno espetacular sobre o S&P 500. Acredito que os investidores também estão aproveitando o cenário para realizar lucros”.

A Coty Inc, detentora das marcas Adidas, Calvin Klein, Burberry, entre outras, está entre as ações internacionais mais vendidas pelos brasileiros lá fora. Por integrarem o setor varejistas, fortemente dependente da economia para crescer, o impacto da retomada abaixo das expectativas afetou diretamente os negócios da empresa. No caso do varejo de luxo, o reflexo é ainda mais intenso, segundo Lima.

“Em momentos de crise, as pessoas não pensam em gastar com roupas e acessórios, ainda mais com itens de maior valor agregado, como os vendidos no mercado de luxo”, analisa.

Próximos meses

Na visão de Lima, não dá para fazer uma previsão sobre o que vem por aí no ranking de ETFs e ações internacionais mais vendidos e comprados pelos brasileiros nesse e nos próximos meses. Ele arrisca a dizer que o mês de outubro tem sido um período difícil para os ativos de renda variável e que há um cenário macroeconômico a ser levado em conta para ditar essa movimentação.

“O S&P vinha em uma toada de resultados positivos nos últimos sete meses. Em setembro, as notícias não foram tão animadoras para o índice, assim como está sendo neste mês. Além disso, estamos diante da proximidade da retirada de liquidez dos mercados por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Tudo isso pode influenciar em realocação de ativos lá fora”, avalia.

Lima cita ainda o avanço do desenvolvimento de drogas com foco no tratamento da covid-19, feito pela Merck e recentemente anunciada pela AstraZeneca, o que pode influenciar nas ações e fundos atrelados ao mercado de healthcare.

A discussão sobre a utilização da energia nuclear para tentar frear os efeitos da crise energética na Europa – a França tinha dado sinal verde para começar a mexer neste assunto, porém foi barrada pelo conflito desse tipo de atividade com os critérios ESG - colocou luz na possibilidade de, em algum momento, isso vier a se tornar uma realidade, o que vai demandar a utilização de metais como o urânio.

“Isso coloca em evidência o ETF URA, atrelado ao urânio, que é um dos mais queridos pelos brasileiros”, ressalta Lima. No mês de setembro, o produto não esteve entre os cinco mais comprados.

Sobre o autor
Julia Zillig
Julia ZilligRepórter do Portal Mais Retorno.
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