Mercado Financeiro

O universo de ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês) ganha cada vez mais espaço no mercado de fundos. Nesta quinta-30, o Laboratório Global de Inovação em Finanças Climáticas (Lab) está lançando dois novos produtos para destravar R$ 500 milhões em investimentos diretos em projetos voltados para o tema.

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Um dos fundos tem como foco promover desenvolvimento sustentável para as comunidades da Amazônia - Foto: Reprodução

O Lab é um programa de aceleração de inovação que é gerido pelos governos da Alemanha, Holanda, Suécia, Reino Unido e pela Fundação Rockefeller, dos Estados Unidos. Está presente há cinco anos no Brasil, conta com mais de 70 investidores institucionais e já lançou projetos que destinaram US$ 2,5 bilhões para ações climáticas.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, um dos fundos é um FDIC, Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios proposto pela Natura e pela Mauá Capital. O instrumento prevê captar US$ 50 milhões – cerca de R$ 265 milhões – na fase piloto.

Para a analista da Climate Policy Initiative (CPI), Rosaly Byrd, o produto já nasce vencedor. “Poucas vezes temos uma gestora participando desde o início do projeto”, ressaltou.

A proposta do novo instrumento foi concebida em uma parceria da Natura - que já trabalha com a maioria das cooperativas na Amazônia que receberão recursos - com a gestora de Luiz Fernando Figueiredo.

De acordo com a reportagem, além do fundo, o projeto, que se chama Amazonia Sustainable Supply Chains Mechanism (AMSSC), terá um braço de filantropia que irá investir US$ 12,7 milhões em ações voltada para a educação, saúde, acesso à internet e infraestrutura das comunidades ligadas às cooperativas.

Renda fixa e biogás

O outro fundo – Guarantee Fund for Biogas (GFB) - tem como perfil a renda fixa e será utilizado como garantia para empréstimos que serão tomados por desenvolvedores e empreendedores ligados ao projeto. A ideia partiu da Associação Brasileira de Biogás (Abiogás).

Segundo o analista da CPI, Felipe Borschiver, o biogás é visto com ressalva na Europa pois alguns projetos utilizam insumos que poderiam ir para a produção.

No entanto, no Brasil, de acordo com o especialista, quase todos os projetos de biogás utilizam dejetos da agricultura ou urbanos.

Na fase-piloto, o fundo prevê a captação de US$ 53 milhões - cerca de R$ 280 milhões - e irá beneficiar 43 empreendimentos que, segundo Borschiver, não conseguem financiamento nas linhas tradicionais por não disporem de garantias para oferecer às instituições financeiras.

O analista ressalta que a inovação do projeto está em ser o primeiro fundo de garantia ambiental do Brasil, sendo que a maioria dos fundos garantidores é de instituições públicas ou governamentais no País.

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