Mercado Financeiro

Depois de um dia de baixas expressivas e generalizadas, a Bolsa de Valores viveu um dia de correção e alta nesta quarta-feira, 29, puxada principalmente pelas empresas do setor de commodities e acompanhando o movimento de recuperação nos mercados globais. O otimismo dos investidores com os ativos brasileiros reflete, também, novos dados econômicos positivos divulgados por aqui nesta quarta.

No cenário externo, a tensão em relação ao teto de gastos nos Estados Unidos diminuiu, com novas falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Diante de perspectivas mais favoráveis, o Ibovespa subiu 0,89%, aos 111.106,83 pontos. Embora o clima tenha sido mais positivo no pregão de hoje, o especialista em Renda Variável da Valor Investimentos, Everton Medeiros, destaca que o mercado segue cauteloso.

fluxo de capital estrangeiro bolsa
No cenário interno, a divulgação de novos dados econômicos também trouxe um ar positivo para a Bolsa

O dólar teve um dia sem grandes variações no mercado interno, com os investidores ainda mantendo suas posições de proteção na moeda forte em meio a um período de incertezas econômicas no Brasil e no mundo. No fim do dia, a moeda americana reportou leve baixa de 0,25%, cotada a R$ 5,416.

Novas sinalizações do Fed

Na véspera, a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, voltou a apelar para que o Congresso dos Estados Unidos suspenda o teto de gastos do país, para evitar a paralisação parcial (shutdown) do governo. Durante discurso em evento anual da Associação Nacional para Economia de Negócios, ela alertou que um default da dívida dos EUA provocaria um "colapso financeiro histórico" e uma recessão.

O alívio veio da fala do presidente do Fed da Filadélfia, Patrick Harker, que afirmou não esperar aumentos de juros nos Estados Unidos antes do fim de 2022 ou começo de 2023. Outro dirigente a discursar hoje foi o presidente da entidade, Jerome Powell, que reiterou que o Fed está perto de alcançar os critérios necessários para o tapering, processo de redução de compra de ativos pelo banco.

Neste contexto, o rendimento dos Treasuries caiu, o que "eleva o apetite por risco pelo mundo e também ajuda na Bolsa brasileira", explica Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Acompanhando essa desvalorização, os contratos de juros futuros negociados aqui no Brasil, em sua maioria, também recuaram.

As bolsas de Nova York buscaram a recuperação ao longo do dia com as novas sinalizações dos dirigentes do Fed, mas as altas não foram tão expressivas. Os índices S&P 500 e Dow Jones registraram leve alta de 0,16% e 0,26%, respectivamente. Já o Nasdaq 100 caiu 0,12%.

Cenário interno

A agenda brasileira de indicadores econômicos desta terça-feira contou com a divulgação de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto e do Índice Geral de Preços – Médio (IGP-M) de setembro. Os dois resultados surpreenderam positivamente o mercado.

De acordo com dados do Ministério de Trabalho, o mercado de trabalho formal brasileiro acelerou em agosto e registrou um saldo positivo de 372.265 carteiras assinadas, enquanto o mercado esperava cerca de 362 mil novas vagas.

Já o IGP-M, que é considerado a inflação do aluguel, registrou queda de 0,64% ante alta de 0,66% no mês anterior. A queda foi maior do que indicava a mediana das estimativas, de recuo de 0,43%. Apesar do arrefecimento, o indicador acumulou alta de 24,86% em 12 meses.

Durante a tarde, o Banco Central (BC) divulgou, ainda, outro número importante: o de fluxo cambial, ou seja, a quantidade de dólares que entra no País. Segundo as informações da entidade, até 24 de setembro, o saldo é positivo em US$ 20,693 bilhões.

Luca Maia, estrategista do BNP Paribas na América Latina, destaca que, comparado aos últimos 10 anos, o fluxo cambial registrado até aqui em 2021 é o terceiro maior, atrás apenas de 2011 e 2012. "Também é interessante ressaltar que em 2019 e 2020 a gente viu bastante saída de dólar", afirma o especialista, explicando que o estrangeiro demonstra maior interesse no País atualmente.

Mercado de ações

A situação da gigante chinesa do setor imobiliário Evergrande começa a ganhar novos contornos. Em mais uma tentativa de manter a liquidez do setor financeiro do país, o banco central do país fez nova injeção de recursos nesta quarta-feira, no valor de US$ 15,46 bilhões.

Em paralelo, a incorporadora informou, em um comunicado enviado à bolsa de Hong Kong, que venderá uma fatia de cerca de 20% no Shengjing Bank para a Shenyang Finance. Se a transação for concluída, a Evergrande reduzirá o montante de ações do banco que possui, de 34,5% para pouco menos de 15%.

A previsão de solução para a empresa e o reabastecimento das siderúrgicas, que se preparam para o feriado nacional chinês de uma semana na semana que vem, levou a uma recuperação do minério de ferro, que subiu 1,85% no porto chinês de Qingdao para US$ 114,13, a tonelada. Com a valorização da commodity, as empresas ligadas ao minério tiveram um pregão de altas acentuadas.

A Vale, que é responsável por cerca de 14% da carteira teórica da B3, subiu 1,27%. Já as siderúrgicas CSN, Usiminas e Gerdau avançaram 0,94%, 6,15% e 1,84%.

Na mesma trajetória de alta das commodities, a Petrobras e a PetroRio viram seus papéis saltarem 1,59% e 4,20%, na sequência.

Everton Medeiros, especialista da Valor Investimentos, destaca também a alta nos papéis do Itaú, um dia após o CEO da companhia, Alfredo Setubal, fazer um pronunciamento falando sobre o pagamento de dividendos.

"No ano passado, o Banco Central limitou em 25% o pagamento de dividendos. O dividendo a ser pago no começo do ano que vem pelo Itaú Unibanco ainda vai refletir um pouco essa limitação, mas acreditamos que nos próximos anos volte a nível mais alto de 'payout', de 40% a 50%", disse.

Os papéis do banco avançaram 1,80%, com Bradesco e Santander na mesma esteira e variação positiva de 1,81% e 1,11%, na sequência.

Entre os destaque negativos, as ações do Banco Inter ampliam a desvalorização de ontem, quando caiu mais de 11%, após a companhia ter recebido questionamentos sobre o provisionamento declarado em seu balanço patrimonial e negado que existam provisões extraordinárias, analisa a Ativa Research. A instituição caiu 3,70% na Bolsa nesta terça-feira.

Imagem do autor

Repórter na Mais Retorno

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Veja mais Ver mais