Renda Variável

Quando se fala em inovação, todo mundo olha para o mesmo lugar: o seu celular.  Porém, a inovação não ocorre só no design ou nos aplicativos que estão na palma da mão.

Ela também está presente no setor de saúde.  A rapidez com que os kits de testes e as vacinas para a covid-19 foram desenvolvidos mostram o quanto não sabemos sobre os bastidores do mundo da medicina.  Apesar de termos acordado para esse fato com a pandemia, a verdade é que a longevidade e os novos tratamentos só se tornaram realidade em função da inovação aplicada pela biotecnologia.

Empresas do setor de saúde contam com muitos recursos e pouco endividamento, podem fazer parte de carteira rentável e segura

Ponta do iceberg de uma indústria com muitos recursos para pesquisa e pouquíssimo endividamento, trata-se de uma área bastante promissora para investimentos, podendo muito bem fazer parte de uma carteira rentável e segura.

Jogo de letras

As empresas que dominam o setor de saúde são inevitavelmente estrangeiras.  Por conta disso, o investimento é feito a partir de fundos especializados, que acompanham as últimas tendências no exterior, ou via algumas opções do mercado de capitais:

No primeiro caso, são companhias com patentes e mercados consolidados.  Algumas casas de análise já as acompanham, orientando as decisões de investidores leigos.  Entre as terapias mais comuns, tratamentos para doenças como o câncer ou outras doenças raras de difícil pronúncia.  É aqui onde normalmente ocorrem as fusões e aquisições (M&A) de porte, de forma que um grande laboratório pode comprar uma empresa menor, mas com um bom pipeline de drogas inovadoras.

No caso dos BDRs de ETFs, eles são recentes e costumam confundir o investidor.  O BDR representa um ativo originado em outro país, mas que é negociado na bolsa brasileira (B3), enquanto o ETF é o fundo de índice que representa um grupo de ações.

Dito de outra forma, é um instrumento para se investir em empresas inseridas em um determinado contexto.  A título de exemplo, pense em tecnologias promissoras como células tronco ou sequenciamento genético e tudo o que gira em torno delas (fornecedores de equipamentos, prestadores de serviços, etc.).

Como opção, existe ainda a possibilidade de se investir diretamente em ETFs internacionais a partir de contas abertas no exterior, processo que se tornou mais fácil nos últimos anos, inclusive para quem não domina o inglês.  Um dos ETFs mais conhecidos é o que agrupa 286 empresas negociadas na Nasdaq, tanto de biotecnologia como farmacêuticas.

Ark Investment Management

Por trás do sucesso da gestora de Cathie Wood (3 ETFs entre os Top10 dos investidores brasileiros), o tema da inovação.

Seu grande apelo está na promessa de altos retornos gerados por empresas disruptivas, sejam elas diretamente ou indiretamente relacionadas a uma determinada tese de investimento, o que faz com que a sua estratégia se apoie em basicamente um punhado de ações e uma gestão ativa bastante ousada.

Isso fatalmente traz limites.  Como todo bom gestor sabe, existe um tamanho acima do qual um fundo não consegue mais entregar os mesmos resultados.  No caso da Ark especificamente, muitas das investidas não possuem liquidez, sendo que a gestora já detém uma participação relevante (acima de 10%) em muitas delas.

Enquanto isso não acontece, Cathie é a celebridade do momento.

Para investir em empresas estrangeiras do setor, mercado oferece BDRs e ETFs, na B3

Ressalvas

Seria ingênuo imaginar que o setor de biotecnologia é a “bala de prata” para resolver de vez a pandemia ou o contexto de juros baixos.  A diversificação continua sendo a regra do jogo e os investimentos temáticos devem ser usados como tal.

O mesmo vale para os ETFs.  O motivo é que cobram taxas de administração mais altas, ainda que sejam considerados como “baratos”, ao mesmo tempo em que se concentram em empresas expostas aos mesmos riscos. 

Isso nem sempre é óbvio.  Com a grande influência das redes sociais (sempre elas!), a maioria dos ETFs surgem quando não se fala de outra coisa, o que faz com que os investidores “comprem” a tese de investimento a preços já estão bastante esticados.

Isso quer dizer que, tudo o mais constante, reduz-se o retorno esperado para aquele ativo, dado que existe um limite para o quanto um grupo de empresas pode gerar de resultado sem que faça novos investimentos ou adote novas tecnologias.

Isso é agravado pelo fato de que nem sempre os investidores institucionais, que podem dar um fôlego extra às cotações, estão dispostos a apostar em mercados de nicho.  Atados às regras que determinam níveis de concentração e setor, não chancelam os modismos dos pequenos investidores.

Conclusão

A inovação está em todos os lugares e no setor de saúde isso não poderia ser diferente.  Apesar do Brasil ainda estar em um processo de consolidação entre hospitais, clínicas e empresas gestoras de planos de saúde, a biotecnologia anda a passos largos no exterior.

Isso explica por que esses investimentos são acessados via fundos especializados ou Brazilian Depositary Receipts.  Disponíveis em dois formatos, os BDRs atendem tanto aqueles interessados em empresas específicas como os que querem apenas uma exposição setorial.   

O primeiro é mais indicado para pessoas que possuem conhecimento sobre os mais recentes avanços da biotecnologia enquanto o segundo é para quem visa uma diversificação nos seus investimentos. 

O importante é não cair na armadilha das redes sociais.  Como em qualquer tipo de investimento, a inovação não é sem riscos, por mais benéfica que seja.  Hoje, uma grande quantidade de recursos está sendo canalizada para o mesmo lugar, fazendo com que as possibilidades de um retorno atrativo sejam cada vez menores.

Isso representa um desafio até para os gestores profissionais, responsáveis por encontrar o equilíbrio entre retorno, segurança e liquidez.  Com o futuro criado fora dos laboratórios das grandes farmacêuticas, a fórmula definitivamente mudou.

Como bem lembra quem mais deveria entender sobre esse assunto:

“Estratégias mais tradicionais de investimentos são incapazes de precificar corretamente a inovação disruptiva pois as pessoas não sabem quão grande ela será como oportunidade no futuro.”

Catherine (“Cathie”) Wood

Gestora da Ark Investment Management

*As opiniões contidas nesse artigo são do autor do texto e não necessariamente refletem a opinião do Mais Retorno

Imagem do autor

Possui MBA em Finanças e LLM em Direito do Mercado Financeiro (ambos pelo Insper/SP). É gestora de uma carteira proprietária, além de ser responsável por um Family Office.

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