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A fornada de balanços do setor financeiro é uma das que geram maior expectativa entre analistas e investidores do mercado de ações. E tradicionalmente a fila de apresentação dos bancos é puxada pelo Santander, que estampou, no resultado trimestral abril-junho divulgado em 28 de julho, um líquido gerencial recorde de R$ 4,1 bilhões.

Especialistas acreditam que o resultado do banco espanhol tem potencial de ser referência para os balanços de demais bancos, a caminho da divulgação, na virada de agosto. O do Itaú está prevista para 2 de agosto; o do Bradesco, para 3 de agosto, e o do Banco do Brasil, para 4 de agosto.

Foto: arquivo
Resultados do setor devem vir com resultados bem fortes, espera o mercado

“A expectativa é que os demais grandes bancos, como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, reportem também resultados bem fortes”, prevê Rodrigo Moliterno, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

Os encorpados lucros dos balanços trimestrais podem ajudar a impulsionar a ações de bancos na bolsa de valores. Senão por outros motivos, porque o setor financeiro é tradicionalmente um dos segmentos mais vistosos e de maior destaque no mercado de capitais.

Bancos estão descontados na bolsa

Moliterno lembra também que as ações de empresas do setor financeiro estão mais atrasadas em bolsa de valores, impactadas negativamente pela reforma tributária. O parecer da reforma do Imposto de Renda mantém a restrição à dedução do pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) da base do imposto de renda das empresas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A reação de bancos e investidores à proposta foi negativa porque a dedução é um mecanismo que os bancos, principalmente, utilizam para diminuir o imposto a pagar.

Desde 25 de junho, quando a proposta inicial de reforma tributária foi enviada pelo governo ao Congresso, até esta quarta-feira, 28, os bancos caíram mais que o Ibovespa: as ações do Itaú recuaram 3,66%, de R$ 31,96 para R$ 30,79; as do Bradesco, 6,70%, de R$ 26,70 para R$ 24,91; as do Santander, de R$ 43,12 para R$ 41,63, e as do Banco do Brasil, 3,46%, de R$ 34,08 para R$ 32,90.

No mesmo período, o Índice Bovespa (Ibovespa) principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3 caiu 2,49%, de 129.512 pontos para 126.285 pontos.

A expectativa dos analistas de mercado é que os lucros dos bancos, projetados como bastante robustos, e os papeis que se encontram mais desvalorizados que o Ibovespa funcionem como estímulo para um desempenho mais positivo para as ações do setor financeiro daqui para a frente.

Existe um consenso geral entre especialistas de que os fortes lucros dos bancos no segundo trimestre em relação à mesma base de comparação do ano passado se devem ao menor volume de provisões para devedores duvidosos este ano, em relação ao igual período do ano passado, pico da pandemia. “A base de comparação com 2020 é favorável, para destacar os resultados do último trimestre, em razão das provisões para eventuais perdas durante o auge da pandemia”, avalia a equipe de análise do banco Safra.

Analistas da Genial Investimentos estimam que a rentabilidade dos bancos privados volte aos patamares próximos de 20% este ano, obtida pela combinação de medidas de redução de custos com provisões menores para cobertura de calotes e volumes crescentes de crédito.

Para parte dos analistas, menor volume de provisões levanta preocupações com a inadimplência, que para alguns ainda está para se materializar, mas essa é uma questão que, de acordo com Moliterno, ficou para trás há algum tempo.  Mas há outros desafios pelo caminho.

Um deles é a pressão sobre as receitas de serviços, apontam analistas da Genial, derivada do ambiente de crescente competição com as novas estreantes, como as fintechs e os bancos digitais, que se estende ainda sobre a margem com spreads. O setor de seguros também deve sofrer com perdas relacionadas à segunda onda da Covid.

As recomendações

De forma geral, diz o relatório de análise, a equipe da Genial acredita que Bradesco e Santander devem entregar os melhores resultados entre os bancões. Mas, ainda assim, reitera a preferência por Bradesco, “por conta de uma melhor relação risco/retorno, com valuation mais atraente que outros bancos privados e uma boa dinâmica de crescimento”.

Leo Monteiro, analista de research da Ativa Investimentos, diz que pela desalavancagem operacional que os bancos estão executando, com redução de custos fixos e eficiência, ações de Bradesco e Itaú estão entre as preferidas da Ativa e recomendadas para a compra no setor bancário.

O Itaú tem tomado iniciativas positivas, com inovações que aumentam a competitividade no setor, afirma Monteiro. “A cisão com a XP, por volta da metade do segundo semestre, é uma iniciativa que vai modernizar e tornar o banco mais competitivo, pela redução de custos operacionais, na concorrência com os bancos digitais.” Para Moliterno, da Valor Investimentos, a cisão das ações da XP dentro do Itaú pode gerar certo valor para o banco. Primeiro pela possibilidade de buscar outras oportunidades em outros tipos de plataformas e ainda pela liberação de travas que possibilitaria ao acionista do banco receber ações da XP

O analista da Ativa Investimentos destaca as iniciativas do comando do Bradesco com medidas para reduzir despesas e uma carteira de crédito interessante tanto para pessoas físicas como para empresas. Monteiro ressalta ainda relevância das operações de seguro, “que contribuem com quase um quarto do resultado do banco e podem ser reforçadas com a retomada mais forte da economia e aumento dos prêmios de seguro”.

Bradesco e Itaú exibem também o que Monteiro considera índices de cobertura saudáveis de provisionamento que não deverá exigir aumentos adicionais ao longo do ano, fator que pode contribuir para tornar mais robusto o lucro desses bancos. Situação diferente da do Santander, que, com índice de provisão bastante inferior ao dos demais bancos, poderá ser levado a aumentar o nível de provisionamento, o que leva a Ativa a adotar posição neutra em relação ao banco espanhol.

Neutra também é a recomendação da corretora em relação ao Banco do Brasil, mas por outros motivos. “Nesse caso, o que influencia é o risco político, apesar do valuation muito abaixo dos demais pares privados, como a demissão de André Brandão do cargo de presidente”, comenta Monteiro. Sem falar de possível uso do banco para fins políticos, segundo especialistas, para atendimento de interesses eleitorais do governo.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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