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Mercado Financeiro

Após tombo em NY com a Meta, futuros americanos respiram melhor com dados da Amazon

Ausência de investidor estrangeiro é uma das hipóteses para queda do mercado

Data de publicação:04/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 4 meses atrás
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Após uma derrocada na bolsa americana, que amargou fortes perdas por conta do derretimento das ações da Meta (ex-Facebook) na véspera, o mercado financeiro americano voltou a respirar um pouco melhor nesta quinta-feira, 4, com os futuros operando mais para o positivo, após a Amazon divulgar números que animaram os investidores. Seguindo essa movimentação, as bolsas asiáticas fecharam seus negócios em alta.

A empresa de Jeff Bezos apresentou uma receita 9% maior no quarto trimestre, com um ganho de quase US$ 12 bilhões com seu investimento na empresa de veículos elétricos Rivian. No after market, os papéis da companhia dispararam mais de 14%.

Futuros operam mais animados com Amazon
Resultados da Amazon acima do esperado trouxeram um pouco mais de ânimo para os futuros americanos - Foto: Reprodução Twitter

Além dos resultados, segundo analistas, a empresa deu aos investidores confiança suficiente de que o crescimento se recuperará. Os serviços com publicidade cresceram 32% na comparação ano a ano, para US$ 9,7 bilhões durante o trimestre.

Um dos pontos altos do balanço, foi o avanço do seu negócio de computação em nuvem, cuja receita saltou mais de 40%, para US$ 17,78 bilhões.

Futuros/bolsas americanas

  • S&P 500: + 0,21%
  • Dow Jones: - 0,21%
  • Nasdaq 100: + 0,79% (dados atualizados às 7h53)

Sem posição definida no ambiente local

No cenário interno, o mercado não sinalizou ainda uma tendência mais clara após a nova alta da Selic, que subiu de 9,25% ao ano para 10,75%, na quarta-feira, e o Banco Central ter indicado uma diminuição no ritmo de elevação da taxa básica na próxima reunião do Comitê de Politica Monetária (Copom), em meados de março.

Internamente, os especialistas começam a levantar algumas hipóteses sobre a perda de fôlego do mercado de ações. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, recuou 0,18% nesta quinta-feira, para 111.696 pontos. Foi uma queda modesta, mas a segunda consecutiva.

O dia negativo das bolsas americanas, que despencaram, teria contribuído para deprimir também a Bolsa doméstica. Alguns analistas atribuem as últimas quedas a uma correção de preços, após as valorizações acumuladas em dezembro e janeiro.

Outros associam as baixas com redução no grau de apetite de compra dos investidores estrangeiros, cujas atuações vêm dando sustentação ao mercado, enquanto investidores pessoa física e institucionais, como fundos de pensão e fundos de investimento, têm atuado na ponta vendedora.

Outros ainda suspeitam que as compras de capital externo tenham arrefecido e os investidores locais aumentado as vendas após nova elevação da Selic, que leva junto para cima as demais taxas de juro, como as das aplicações financeiras.

Mercado vê migração da renda variável para a renda fixa

O aumento de atratividade da renda fixa, pela melhora de rentabilidade com a Selic em novo patamar, de dois dígitos, estaria levando mais investidores migrar do risco da renda variável, com algum lucro após as recentes altas das ações, para opções mais conservadoras e com menos risco no mercado de renda fixa.

Chama atenção de investidores que a Selic, equilibrada em 10,75% ao ano, pode subir ainda mais, para o patamar entre 11,50% e 12,00% ao ano, no término do atual ciclo de alta, de acordo com as estimativas do mercado.  E a ideia é que atravesse o ano em nível elevado, já que a expectativa é que termine 2022 em 11,75%, como apontam as projeções de economistas consultados pelo Banco Central para o boletim Focus.

Para especialistas, um cenário com essa perspectiva reforça a atratividade para os investidores que querem evitar maiores riscos e veem a renda fixa como um porto seguro e rentável para fazer a travessia de um ano que acena com muita volatilidade e turbulências, principalmente por causa do calendário eleitoral.

As bolsas americanas desabaram no dia anterior, puxadas pela frustração com os resultados de balanço da Meta, dona do Facebook, que fez com que Mark Zuckerberg perdesse US$ 29 bilhões em patrimônio líquido. As ações da Meta caíram 26% na sessão, apagando mais de US$ 200 bilhões, na maior perda de valor de mercado em um único dia para uma empresa americana.

Entre os principais índices das bolsas por lá, a maior queda foi a do índice Nasdaq, da bolsa de tecnologia, que recuou 3,74%, para 13.879 pontos; o Dow Jones caiu 1,45%, para 35.111 pontos, e o S&P 500 recuou 2,44%, para 4.477 pontos.

Exterior

Europa: euro salta durante à noite

Durante a noite, o euro registrou seu maior salto em mais de um ano, após a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, deixou a porta aberta para aumentos de juros neste ano e disse ainda que a inflação tem se mostrado persistente mais tempo do que o esperado.

No dia anterior, o Banco da Inglaterra (BoE) elevou as taxas para 0,5%, enquanto quase metade de seus formuladores de políticas monetárias queria um aumento mais elevado.

Durante a manhã, a Eurostat divulgou que as vendas no varejo da zona do euro sofreram uma queda de 3% em dezembro ante novembro de 2021, em meio aos efeitos da disseminação da variante ômicron. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam um recuo em menor nas vendas do período, de 0,5%. Na comparação anual, as vendas do setor subiram 2% em dezembro. Já em todo o ano, as vendas cresceram 5% ante 2020.

Na Alemanha, a Destatis informou que as encomendas à indústria do país cresceram 2,8% em dezembro ante novembro de 2021. O resultado ficou bem acima da expectativa dos analistas, que previam avanço de 0,3% no período. Na comparação anual, houve expansão de 5,5% no período.

Bolsas europeias/principais praças

  • Stoxx 600 (Europa): - 0,97%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,21%
  • DAX (Frankfurt): - 1,28%
  • CAC 40 (Paris): - 0,63% (dados atualizados às 8h05)

Bolsas asiáticas fecham em alta firme com NY

As bolsas asiáticas encerraram os negócios desta sexta-feira em alta, sustentadas pelo bom desempenho dos futuros de Nova York.

 O Hang Seng liderou os ganhos na região, com salto de 3,24% na Bolsa de Hong Kong, aos 24.573 pontos, depois de não operar nos últimos três dias em razão do feriado do ano-novo lunar. Os mercados da China e de Taiwan, que ficaram fechados nesta semana por causa do mesmo feriado, retomam as operações na segunda-feira, 7.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei subiu 0,73% em Tóquio, aos 27.439 pontos, e o sul-coreano Kospi avançou 1,57% em Seul, aos 2.750 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul, mas a sessão foi volátil. O S&P/ASX 200 teve alta de 0,60% em Sydney, aos 7.120 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.