Mercado Financeiro

A Bolsa segue trajetória positiva, embalada ainda pelos dados que apontaram expansão de 1,2% do PIB no primeiro trimestre, frente ao trimestre anterior, e pelas seguidas revisões para cima das estimativas de crescimento econômico para este ano.

Nessa toada de otimismo, a B3 emplacou a oitava alta consecutiva na véspera, com valorização de 0,49% e novo recorde nominal em número de pontos, 130.765,05, no encerramento do pregão.

Foto: Freepick
Mercado de ações otimista com a recuperação da economia - Foto: Arquivo

O crescimento projetado para o PIB em 2021 pelo relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, passou pela sétima revisão consecutiva, de 3,96% para 4,36%. “Os dados transmitem um sentimento de retomada da economia e se refletem positivamente na bolsa de valores”, afirma Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

Segundo Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, a perspectiva de uma recuperação mais firme de atividade, com nova revisão positiva do PIB, favorece as ações de empresas ligadas ao setor de varejo, “o que ajuda o movimento de alta da B3”.

Redução de risco fiscal anima a bolsa

O economista-chefe da Integral Group, Daniel Miraglia, diz que, além das revisões para cima do PIB, o mercado tem recebido bem também as reestimativas de inflação para cima – no relatório Focus da última segunda-feira, a inflação projetada para este ano subiu de 5,31% para 5,44%.

“As contínuas revisões para cima do IPCA fazem a relação dívida/PIB ser menor que a projetada no início do ano, o que alivia a preocupação fiscal de curto prazo”, avalia Miraglia.

A redução da relação dívida pública/PIB, segundo o executivo, diminuiu também a pressão sobre o dólar, que vem de seguidas baixas. O temor de um descontrole das contas públicas, sinalizada pelo crescimento da relação dívida/PIB, vinha dando sustentação ao dólar.

O economista da Integral Group diz que o mercado financeiro estará com a atenção voltada nos próximos dias a dois indicadores de inflação. Nesta quarta-feira, ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, que será divulgado pelo IBGE amanhã. E na quinta-feira, ao índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos.

“Se o número da inflação nos Estados Unidos vier muito acima do esperado, poderá haver uma alta das taxas de juros dos títulos do Tesouro americano de dez anos (Treasuries), um movimento que pode reverter o apetite pelo risco.” Menos apetite ao risco poderá influenciar negativamente a bolsa de valores, já que o investidor teria  menos propensão à compra de ações, e dar algum suporte ao dólar.

NY: futuros em estabilidade

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam estáveis com os investidores seguindo em compasso de espera pela inflação ao consumidor americano, que será divulgada na próxima quinta-feira, 10, e pode impactar o rumo da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Em abril, o CPI da maior economia do mundo deu um salto anual de 4,2%, o maior desde 2008.

Na véspera, o Dow Jones caiu 0,36%, aos 34.630,24 pontos, o S&P 500 recuou 0,08%, aos 4.226,52 pontos e o Nasdaq subiu 0,49%, aos 13.881,72 pontos.

"Depois de ver os mercados dos EUA fecharem em alta na semana passada, estamos vendo alguns sinais modestos de realização de lucros", afirma o analista-chefe de mercados da CMC Markets, Michael Hewson.

Único indicador dos EUA divulgado na véspera e sem impacto nos mercados, o crédito ao consumidor americano aumentou US$ 18,6 bilhões em abril, segundo dados do Federal Reserve, mas ficou abaixo do esperado por analistas.

Orçamento secreto


No cenário doméstico, os partidos Cidadania, o PSOL e o PSB anunciaram que vão ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a execução das emendas do orçamento secreto, esquema criado pelo presidente Jair Bolsonaro para aumentar sua base de apoio no Congresso em troca de liberação de recursos.

Os dois partidos apontam inconstitucionalidade na utilização de verbas reunidas por emenda de relator-geral (RP9). A manobra foi revelada em reportagem pelo O Estado de S.Paulo.

Para o senador Alessandro Vieira, a execução favorece políticos, Estados e municípios sem que haja nenhum controle efetivo, o que desrespeita princípios básicos da gestão pública, como o da impessoalidade e da eficiência, ambos com previsão constitucional.

"Pedimos, como liminar, que seja suspensa a execução de verbas RP9 até que haja uma regulamentação administrativa ou legal, com critérios objetivos mínimos para que esse repasse respeite os princípios da impessoalidade e eficiência", diz o parlamentar.

Covid-19: Queiroga e TCU

 Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid tem novos capítulos nesta terça-feira. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga volta a ser ouvido pelo colegiado após depoimento concedido há cerca de um mês.

Os senadores devem questioná-lo sobre a suposta influência de um "gabinete paralelo" nas decisões do governo Jair Bolsonaro na condução das medidas para combater a pandemia.

Outro tópico que deve ser abordado pelos parlamentares são as condições sanitárias para a realização da Copa América no Brasil. 

Na véspera, o senador Randolfe Rodrigues afirmou que a comissão pode votar, na próxima quarta-feira, 9, a convocação de representantes de um fabricante que produz a cloroquina. Segundo ele, a comissão quer investigar se houve tráfico de influência e favorecimento, durante a pandemia, de laboratórios que fabricam o medicamento.

O Tribunal de Contas da União (TCU) desmentiu o presidente Jair Bolsonaro e afirmou que não fez um relatório que apontasse que metade dos óbitos atribuídos à covid-19 no Brasil em 2020 não foram causados pela doença.

Na manhã do dia anterior, durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro falou que estava divulgando "em primeira mão" a informação sobre o suposto relatório, que teria sido divulgado "há alguns dias".

"O relatório final, que não é conclusivo, disse que em torno de 50% dos óbitos por covid no ano passado não foram por covid, segundo o Tribunal de Contas da União", afirmou Bolsonaro a apoiadores.

"Esse relatório saiu há alguns dias. Logicamente que a imprensa não vai divulgar. Já passei para três jornalistas com quem eu converso e devo divulgar hoje à tarde. Está muito bem fundamentado, todo mundo vai entender, só jornalista não vai entender", completou o presidente.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta terça-feira, após o comportamento misto de Wall Street ontem e com investidores atentos a riscos inflacionários que possam levar a uma retirada prematura de estímulos monetários.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,19% em Tóquio hoje, aos 28.963,56 pontos, enquanto o Hang Seng registrou perda marginal de 0,02%, aos 28.781,38 pontos, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,13% em Seul, aos 3.247,83 pontos, e o Taiex recuou 0,05% em Taiwan, aos 17.076,21 pontos.

Na China continental, os mercados também ficaram no vermelho, pressionados por ações de fabricantes de bebida alcoólica e de mineradoras. O Xangai Composto teve baixa de 0,54%, aos 3.580,11 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,86%, aos 2.392,13 pontos.

No Japão, a queda anualizada do seu Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e março foi revisada, de 5,1% para 3,9%.

Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o tom negativo da Ásia e subiu levemente, ficando bem próxima de renovar sua máxima de fechamento. O S&P/ASX 200 avançou 0,15% em Sydney, aos 7.292,60 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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