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O Tesouro Nacional revisou sua estratégia para a Dívida Pública Federal (DPF) e vai emitir um volume menor de títulos prefixados, concentrando mais suas emissões em papéis atrelados à Selic e à inflação. Ao fim do ano, o Tesouro também traçou um cenário com estoque da dívida menor: entre R$ 5,5 trilhões e R$ 5,8 trilhões.

Em janeiro, quando divulgou a primeira versão do Plano Anual de Financiamento (PAF), o Tesouro informou que a dívida ficaria em valor entre R$ 5,6 trilhões e R$ 5,9 trilhões.

Moedas empilhadas
Tesouro vai concentrar a emissão de títulos prefixados atrelados à Selic - Foto: Jenifer Corrêa

De acordo com o subsecretário da Dívida Pública, Otavio Ladeira, todos os cenários traçados pelo Tesouro - otimista, base e pessimista - colocam o estoque da dívida em valor muito próximo ao centro deste intervalo, o que dá confiança aos técnicos de que a meta será cumprida.

Segundo o Tesouro, os novos limites demonstram um "cenário mais benigno" para os indicadores da dívida na comparação com as expectativas de janeiro e representam menor risco de refinanciamento da dívida.

"Os novos limites significam menor risco de refinanciamento para a dívida, uma vez que haverá menor concentração de dívida de curto prazo", destacou o Tesouro.

Estoque reduzido

Segundo o Tesouro, o estoque da DPF tende a ficar menor, sobretudo devido à expectativa de redução de colocações de títulos prefixados, em particular aqueles com prazos mais curtos.

"Esse ajuste na estratégia de financiamento se traduz em uma composição com maior participação de títulos remunerados por taxas de juros flutuantes e por índices de preços, em detrimento dos prefixados", explicou.

A revisão do PAF, segundo o Tesouro, é necessária para adequar a estratégia de financiamento às condições de demanda observadas no primeiro quadrimestre do ano, que permitiram ao Tesouro Nacional privilegiar maior emissão de LFTs, remuneradas pela Selic, e NTN-Bs, atreladas à inflação.

Esses títulos têm prazos maiores, em detrimento das LTNs, prefixados com vencimentos em até 12 meses.

Dívida e títulos de curto prazo

Em termos de composição da dívida ao fim do ano, o Tesouro prevê que os títulos prefixados ficarão entre 31% e 35% da DPF (antes, 38% a 42%).

Nos papéis atrelados à inflação, a meta subiu para 26% a 30% da DPF (antes, 24% a 28%). Os títulos remunerados pela Selic tiveram a meta alterada para 33% a 37% da dívida (antes, 28% a 32%). Não houve alteração na previsão para os papéis atrelados ao câmbio, que devem ficar em 3% a 7% da DPF.

Com a mudança no perfil das emissões, o Tesouro também prevê menor concentração de títulos com vencimento no curto prazo. A parcela da dívida vencendo em 12 meses deve ficar em 22% a 27% da DPF (antes, 24% a 29%). Já o prazo médio subiu e deve ficar de 3,4 anos a 3,8 anos (antes, 3,2 a 3,6 anos).

Papéis atrelados à Selic

Para Ladeira, a revisão do PAF não altera a estratégia que já vem sendo adotada nas emissões em 2021, mas sim mantém a atual condução, com maior concentração na colocação de papéis atrelados à Selic e à inflação, que têm prazos maiores que os prefixados.

"Essa estratégia se mostrou melhor que a prevista no PAF em janeiro", disse o subsecretário, no dia em que o Tesouro revisou os intervalos previstos para cada tipo de papel na composição da DPF.

Segundo ele, com as condições de demanda do mercado de janeiro a maio, o Tesouro já vem privilegiando as emissões de LFTs (atreladas à Selic) e das NTN-Bs (remuneradas pela inflação), em detrimento das LTNs prefixadas de prazo mais curto.

A procura tem sido tão substancial que o Tesouro já emitiu em LFTs mais de 90% do observado em todo o ano passado para esse papel. No caso da NTN-B, as emissões já ultrapassaram 100% do colocado em 2020.

"Reduzimos a concentração da dívida no curto prazo, o que é positivo", disse o subsecretário, ressaltando que a perspectiva de emissões de LTNs prefixadas de prazo mais longo ficou praticamente inalterada./ com Agência Estado

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