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Americanas: Guerra entre bancos e sócios da 3G já conta as suas primeiras baixas

Em meio a uma batalha nos tribunais para saber que tampará o furo de ao menos R$ 20 bilhões, dois grupos já ficaram no prejuízo: os funcionários e investidores minoritários da varejista

Data de publicação:16/01/2023 às 13:35 -
Atualizado um ano atrás
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A crise da Americanas se encaminha para o que deve se transformar em uma batalha na Justiça, colocando de em lados opostos tubarões que não medirão esforços para fazer valer as suas vantagens. 

De um lado estão os sócios de referência, os três maiores magnatas do empreendedorismo brasileiro, Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Eles se organizam juridicamente sob o guarda-chuva da 3G Capital, uma private equity que detêm posições majoritárias em blue chips pelo mundo, como a AB Inbev e a Kraft-Heinz. 

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| Foto: Reprodução

No lado oposto desta luta estão os maiores bancos brasileiros, credores da varejista. Com R$ 18 bilhões a receber, não interessa ao BTG, Bradesco, Itaú e Santander, por exemplo, a falência da Americanas. Eles querem, no entanto, um gesto de "boa fé" dos sócios da 3G, que em bom português significa uma transferência generosa do trio para o caixa da Americanas. 

O que se fala no mercado é de que os bancos exigem uma capitalização de cerca de R$ 10 bilhões na varejista para, somente ai, rolarem a dívida, acalmando toda a situação para o mercado financeiro. 

O problema é fazer o trio da 3G baixar a cabeça para os banqueiros. Na sexta-feira, após o fechamento do mercado, os sócios conseguiram na Justiça uma medida de tutela de urgência cautelar, que na prática é uma pré-recuperação judicial, usada para renegociar as dívidas com os credores em um ambiente menos agressivo do que o proposto pelos bancos. 

Os agentes de mercado (leia-se, os bancos) se surpreenderam com o movimento. As instituições financeiras não gostaram da ideia da recuperação judicial por entenderem que, geralmente, ela traz um desfecho mais favorável para a empresa devedora do que para os credores.  

Foi por isso que, bem no final de semana, o BTG tentou no Tribunal de Justiça, uma instância acima, reverter essa proteção judicial. O banco de André Esteves, segundo apuração do jornal Valor Econômico, teria R$ 1,9 bilhão para receber da Americanas. 

O desembargador que estava de plantão foi esperto o suficiente para não entrar nessa briga. Disse que não conhecia detalhes do caso e não poderia, num final de semana, emitir uma sentença para um lado ou para um outro. 

Com isso, novos capítulos para essa batalha são esperados para esta semana. Já se sabe que os bancos passaram o sábado e o domingo articulando numa estratégia para a próxima batalhar. Vai ser, no fim das contas, uma luta de tubarões com um desfecho imprevisível

Ou melhor, imprevisível para eles. Isso porque, numa briga desse tamanho, já saem perdendo aqueles com menos força de barganha, nesse caso os milhares de funcionários da Americanas e investidores pessoal física, que aplicaram diretamente nas ações da varejistas e ou por meio de fundos de diversas classes, ações, multimercado e, no caso das debêntures, também de renda fixa.

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Sobre o autor
Renato Jakitas
Editor-chefe do Portal Mais Retorno.

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