O tal do COE (Certificado de Operações Estruturadas) é um investimento curioso.

Às vezes parece uma aplicação de renda fixa.

Outras vezes parece uma aplicação de renda variável.

Mas na maioria das vezes, é um mix, que pode te oferecer benefícios de renda variável (como ganhos acima do CDI), com o risco limitado da renda fixa.

Conseguir conciliar essas características em um único investimento não é tarefa trivial e até pouco tempo atrás era  uma exclusividade voltada apenas para grandes investidores que tivessem acesso a gestores e especialistas da área para montar estrategicamente e sob medida um compilado de aplicações.

O COE veio para mudar completamente esse cenário e tornar acessível esse tipo de estrutura de investimentos para a qualquer investidor, independente do volume financeiro disponível para esse tipo de operação.

Dando continuidade à série “Vale ou não a pena investir”, nesse texto você vai entender melhor como os COEs funcionam e saber como tomar uma melhor decisão se esse é um investimento adequado para seu caso ou não.

Por isso, continue lendo para saber mais sobre:

  1. O que é o COE – Certificado de Operações Estruturadas
  2. Como funciona o COE: O que está por trás dos títulos
  3. COE é arriscado?
  4. Quais os custos do investimento em COE
  5. Quando o COE vale a pena
  6. Quando o COE não vale a pena

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O que é o COE – Certificado de Operações Estruturadas

O que é COE

A grande dificuldade em se explicar o COE é que ele não é um investimento padronizado e quadradinho como a maioria das aplicações financeiras.

O COE é um Certificado (logo, um título) que permite que o dinheiro aplicado nele acompanhe a cotação de praticamente qualquer ativo ou indicador financeiro ao qual ele seja indexado.

Imagine qualquer coisa relacionada ao mercado financeiro: a cotação do dólar, euro, soja, café, ações de empresas brasileiras, ações de empresas estrangeiras, índices de inflação como o IPCA ou o IGP-M e o que mais sua criatividade conseguir lembrar.

Acredite, se ainda não existe um COE relacionado a esse ativo/indicador financeiro, então muito provavelmente é possível criar um!

Inclusive, em algumas instituições financeiras é possível fazer um COE sob medida para você para investimentos a partir de R$ 1 milhão.

Portanto, a grande diferença desse tipo de investimento é que você pode direcionar seu dinheiro para basicamente qualquer coisa que você acredite e em qualquer lugar do mundo, através de uma simples aplicação financeira do seu banco.

Apesar de ser uma relativa novidade por aqui, tornando-se acessível somente à partir do final de 2015 (pelo menos para a maioria das pessoas), essa modalidade de investimentos já existe há um bom tempo no restante do mundo e movimenta bilhões de dólares, sobretudo nos EUA, conforme informado pela própria CETIP.

O detalhe é que até hoje no Brasil, o único tipo de instituição financeira autorizada pela CVM a emitir esses títulos (isto é, criar de fato esses COEs), são os bancos.

Para os bancos, o objetivo do COE é exatamente o mesmo que o dos CDBs, LCIs, LCAs e até mesmo da caderneta de poupança. Ou seja, arrecadar dinheiro dos investidores para poderem emprestar esse dinheiro para outras pessoas e empresas cobrando uma taxa de juros maior (o famoso spread bancário).

Se os bancos são os únicos autorizados a criar novos COE, pelo menos eles não são os únicos autorizados a disponibilizar esse investimento para seus clientes, sendo possível ter acesso a eles também pelas corretoras.

As corretoras que o distribuem, por sua vez, são remuneradas através de comissões pagas pelos bancos emissores pela distribuição de seus títulos e por isso elas tem interesse em colocar em suas plataformas a maior quantidade opções possíveis para seus clientes.

Portanto, da mesma forma como ocorre com os outros títulos citados acima, a distribuição do COE pelas corretoras facilita ao investidor poder avaliar diferentes alternativas e emissores desses títulos, para só então comparar e escolher aquele que fizer mais sentido para si.

Como visto acima, o COE é uma aplicação financeira que permite ao investidor fazer diferentes apostas, mas não é só isso!

O legal mesmo é que você pode fazer essas apostas sem necessariamente correr um risco muito elevado, protegendo em alguns casos inclusive todo o valor inicial que você investir.

Isso só é possível graças às Operações Estruturadas que ele faz e é sobre isso que falaremos a seguir.

Como funciona o COE: O que está por trás dos títulos

Como funciona o COE

O mercado financeiro é bastante criativo na criação de suas siglas, nomes técnicos e novos tipos de produtos de investimentos.

Quando falamos em Operações Estruturadas o nome pomposo chega a dar arrepios. E dessa vez não é atoa.

Esse termo quer dizer que é possível montar uma carteira estratégica (estrutura) de aplicações financeiras com o objetivo tanto de proteger o valor aplicado, como até mesmo de garantir um ganho mínimo ao longo de um determinado período.

Para isso, no entanto, é necessária uma complexa combinação entre ativos e derivativos como opções, contratos futuros, swaps, além de outros instrumentos financeiros que são em geral pouco conhecidos pela grande maioria dos investidores.

Falando em termos práticos, imagine um cenário no qual você queira investir R$ 10.000,00 na bolsa de valores acreditando que ela vá subir muito ainda nos próximos 2 anos. Mas ao mesmo tempo, você não quer perder dinheiro caso a bolsa venha a cair nesse período.

Nessa situação, uma estrutura possível seria realizar uma aplicação de R$ 100.000,00, sendo que R$ 10.000,00 seriam usados para comprar ações na bolsa de valores e os outros R$ 90.000,00 fossem aplicados, por exemplo, em títulos públicos atrelados à Selic.

Agora, supondo que a taxa de juros ficou em 10% ao ano ao longo desses 2 anos, então somente aqueles R$ 90.000,00 aplicados nos títulos públicos teriam rendido R$ 18.900,00. Portanto, mesmo tirando os impostos, você já teria garantido no final do período o valor total de R$ 106.065,00 (mais inclusive do que você teria aplicado inicialmente).

Ou seja, mesmo na pior e mais catastrófica das hipóteses em que todas as empresas que você comprou ações fossem levadas à falência, zerando aqueles R$ 10.000,00 que você tinha aplicado há 2 anos atrás, você ainda teria protegido pelo menos o valor inicial do seu dinheiro.

Claro que esse foi um exemplo bem simplista, apenas para facilitar a compreensão de uma operação estruturada.

No vídeo abaixo produzido pelo Dinheirama, é possível entender mais sobre o funcionamento de estruturas um pouco mais complexas envolvendo ações e opções:

No mundo real, existe um universo praticamente ilimitado de possibilidades diferentes e por isso não faz sentido entrar em grandes detalhes de cada uma delas aqui nesse texto, o que o tornaria apenas técnico e maçante.

O ideal é que você sempre procure entender o funcionamento de cada COE específico que pretender investir através de seus materiais publicitários ou solicitando maiores informações ao seu gerente do banco ou assessor de investimentos.

E isso nos leva ao próximo ponto importante!

COE é arriscado?

COE é arriscado?

Sim, o COE é feito para permitir aos investidores “apostarem” em determinadas expectativas com uma proteção parcial ou total ao seu dinheiro.

Mas como qualquer investimento, evidentemente tem riscos.

O principal desses riscos é que quem garante que você terá o seu dinheiro de volta, assim como os rendimentos obtidos com o investimento não são os ativos que estão atrelados a ele, mas sim o emissor desse COE!

Ou seja, quem te “garante” que você vai receber esse dinheiro é o próprio banco que criou o título.

E para piorar, ao contrário da grande maioria das aplicações financeiras de bancos, os COEs não contam com proteção do FGC.

Por isso é muito importante que você tenha o cuidado de selecionar os títulos que forem emitidos por grandes bancos, em geral bem avaliados pelas agências de risco.

Dei algumas dicas muito valiosas sobre como escolher um bom banco que recomendo a leitura.

Um último risco que não pode ser ignorado é o da liquidez desse tipo de investimento.

Assim como acontece com as debêntures, por exemplo, o COE não permite resgate antecipado do seu dinheiro. Por outro lado, caso você realmente precise do dinheiro antes da hora, você pode optar por vender seu título no mercado secundário para outro investidor.

O problema nesses casos, é que você terá que encontrar outro investidor interessado em investir exatamente nessa aplicação (o que nem sempre é fácil) e ainda terá que vender o título pelo preço que o mercado estiver pagando.

Como esse preço pode variar ao longo do tempo, você pode acabar tendo que vender seu título por um valor menor do que o você pagou por ele, fazendo com  que você tenha prejuízo na operação.

Existe apenas uma forma de ter certeza que você vai receber exatamente o que contratou no momento do investimento: ficar com ele até o vencimento.

Por isso o COE tende a ser um investimento adequado apenas se você pretende realmente ficar com o dinheiro aplicado até o final do prazo contratado.

Ah! E vale a indicação de uma ótima dica dada pelo Leandro Ávila do Clube dos Poupadores que ele descreve no site dele: conferir na CETIP se seu dinheiro realmente está aplicado no COE que você escolheu.

E quanto custa para investir nisso?

Quais os custos do investimento em COE

Custos COE

Um primeiro custo presente na maioria dos investimentos é o Imposto de Renda que você terá que pagar pelo lucro da sua aplicação.

Sem segredos, o COE sofre a incidência da tradicional tabela regressiva do IR, que incide tanto em fundos de investimentos como em outras aplicações de renda fixa como CDBs, Títulos Públicos, entre outros.

Assim como nos investimentos comuns de renda fixa, você também não precisa se preocupar em recolher nenhum imposto, afinal ele já fica retido pelo banco/corretora direto dos rendimentos no momento do resgate.

Em segundo lugar, mesmo que você tenha uma proteção de 100% do seu dinheiro caso tudo de errado, você acabará perdendo dinheiro por conta do chamado Custo de Oportunidade.

Afinal de contas, se você tivesse deixado seu dinheiro parado por, por exemplo, 2 anos para tirar exatamente o mesmo valor que você colocou, você estaria perdendo:

  1. A inflação do período, que diminuiria o valor do seu dinheiro, fazendo com que ao final do período você pudesse consumir uma quantidade menor de produtos com aquele mesmo valor;
  2. A rentabilidade que você teria conseguido ganhar, caso tivesse optado por uma outra alternativa seja ela de renda fixa ou variável.

Portanto, a menos que o COE te ofereça um rendimento mínimo na pior das hipóteses, é sempre bom considerar o Custo de Oportunidade de investir diretamente em algo certeiro.

Por último, uma frase que nunca pode ser esquecida em economia e investimentos é a de que “não existe almoço grátis”.

Ou seja, toda essa proteção que os COEs oferecem, não vem do além. Você paga por esse “seguro” indiretamente na própria construção dessa estrutura, seja através dos custos das compras de derivativos como opções e contratos futuros, ou através do spread cobrado pela instituição financeira emissora e/ou distribuidora, sobretudo no mercado secundário.

Qualquer investimento tem custos, seja de corretagens, impostos ou qualquer outro custo embutido na operação. No final o que importa mesmo é o de sempre, ou seja, investir em algo que no final produza mais dinheiro do que o aplicado inicialmente, superando tanto a inflação, quanto os custos de oportunidade.

E agora finalmente a hora da verdade: afinal, vale ou não a pena investir em COE?

Quando o COE vale a pena

Quando o COE vale a pena

Você deve ter percebido que a maior vantagem do COE é poder investir em ativos de renda variável com chance de buscar um retorno elevado, mas ao mesmo tempo limitando as possibilidades de perda.

Por isso, para investidores que tenham perfil mais conservador ou moderado, o COE pode ser a chance de conquistar aquele retorno a mais sem arriscar o valor inicial do seu dinheiro.

Mesmo para quem possui perfis de risco mais agressivos, ainda é possível encontrar títulos que tenham menor proteção, mas também um retorno mais alavancado em caso de sucesso.

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Outra vantagem bem interessante do COE é poder diversificar seu dinheiro até mesmo em ativos internacionais, sem ter que tirar o dinheiro do Brasil ou precisar de valores exorbitantes para isso.

Isso sem falar em toda a burocracia existente para fazer investimentos diretamente no exterior.

Portanto, é bastante comum encontrar títulos que permitam ao investidor ganhar com os retornos de grandes empresas como a Apple, Microsoft e Alphabet (holding do Google), por exemplo, com um capital inicial acessível e ainda protegido na eventualidade de desvalorização da bolsa.

E mesmo nos casos de diversificação e operações estruturadas em ativos nacionais, esse tipo de investimento só se torna acessível para investidores de menor porte graças ao COE.

Afinal de contas, ao montar essas operações através de um título, torna-se possível que uma grande estrutura seja montada pelos bancos com milhões de reais e depois quebrada em pequenas partes para que centenas (ou até milhares) de investidores participem em conjunto do investimento.

Dessa forma o investidor acaba conseguindo acesso tanto a ativos exclusivos como outros ganhos de escala, graças ao tamanho da operação montada pelos bancos.

Mas como nem tudo são flores e cada caso é um caso, vale o último tópico:

Quando o COE não vale a pena

Quando COE não vale a pena

Apesar de classificarmos o COE como um mix de investimentos entre renda fixa e variável, é nessa última que geralmente se encontra o grosso de seus rendimentos.

Por conta disso, dado que aplicações em renda variável são na maioria dos casos recomendadas para investimentos de longo prazo, se seu objetivo ou o vencimento desse COE for muito curto, essa pode ser uma alternativa um tanto quanto arriscada.

Portanto, para títulos que dependerem em grande parte da renda variável com vencimentos menores que 3 anos tenha em mente que o risco será elevado.

Em segundo lugar, sei que é bastante óbvio, mas ainda assim precisa ser dito.

Uma das principais questões que qualquer investidor precisa se atentar antes de arriscar seu dinheiro, é a relação risco-retorno que o investimento terá.

Em outras palavras, isso quer dizer que se um investimento tiver chances de ganhar 10%, mas risco de perder 100% para um dado período, então digamos que ele provavelmente não seja uma boa pedida.

E muitos COEs tem teto para o quanto seu dinheiro pode se valorizar! Portanto para que isso valha a pena, o risco também jamais poderá ser total.

É claro que esses exemplos foram de situações exageradas, mas não podemos nunca fugir do princípio básico de que a relação risco-retorno seja minimamente equilibrada.

Ou seja, se for para correr muitos riscos, que tenha também chances de um grande retorno.

E claro, vale reforçar: sempre de acordo com seu perfil de investidor!

Conclusão

Como de praxe, o COE não deve ser um investimento único para toda uma carteira.

Mas mesmo assim, essa pode ser uma excelente opção de diversificação para investidores de todos os perfis de risco, desde que observadas as questões de custos de oportunidade e eventuais desvantagens como as do último tópico.

Além disso, vale relembrar que por não terem nenhum tipo de padrão, cada aplicação é única e por isso precisa ser rigorosamente avaliada e compreendida antes de tomar a decisão final.

É a única forma do investidor se proteger contra possíveis frustrações de um investimento que acabe não rendendo conforme a expectativa mais otimista.

Ficou com alguma dúvida ou tem uma história pra contar sobre investimento em COE? Então comente aqui embaixo!

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