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XINA11: primeiro ETF que acompanha ações chinesas

Conheça o XINA11, o ETF lançado pela XP, que acompanha a evolução de 700 empresas chinesas

Data de publicação:20/05/2022 às 00:30 -
Atualizado um mês atrás
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Já não é nenhum segredo que a China apresentou um crescimento astronômico ao longo dos últimos anos. Tanto é verdade que, hoje em dia, já existe uma discussão sobre uma eventual ultrapassagem dos Estados Unidos como principal potência econômica global. 

XINA11
É possível ter exposição a empresas chinesas com o ETF negociado na B3 - Foto: Reprodução

Diante de tamanha aceleração econômica do país asiático, é provável que muitos investidores passem a se questionar se não é possível investir no crescimento chinês e lucrar com esse movimento. 

Por muito tempo, esse era um desafio considerável. Afinal, enviar dinheiro para um país com difícil acesso à informação, em muitas vezes controlada pelo próprio governo, aumenta muito o risco de escolha por parte do investidor. 

No entanto, uma exposição mais genérica agora é possível por meio do ETF XINA11 (Trend ETF MSCI China).

O que é o XINA11? 

O XINA11 é um Exchange Traded Fund (ETF) negociado na bolsa de valores do Brasil. Ou seja, é um fundo de investimentos passivo, em que o patrimônio dos cotistas é direcionado para replicar, na prática, o desempenho de um índice global — algo que não seria possível sem esse produto. 

No caso do XINA11, o índice selecionado foi o MSCI China, que foi desenvolvido para acompanhar o mercado chinês considerando companhias de grande e médio porte. No total, são mais de 700 empresas chinesas classificadas como A-shares, B-shares, H-shares, Red Chips, P-Chips e até mesmo ADRs (que são ações chinesas negociadas em bolsas de valores dos Estados Unidos). 

Se você não faz ideia do que esses "shares" representam, são nomenclaturas utilizadas para as empresas da China, classificando-as tanto sobre o seu ambiente de negociação (afinal, as companhias chinesas estão divididas em três bolsas de valores), como também a moeda utilizada. Explicamos detalhadamente o contexto do mercado acionário chinês neste artigo

O XINA11 é um produto gerido pela XP Asset e cobra apenas 0,3% de taxa de administração. O custo é baixo em função da sua estratégia passiva. Isto é, o único trabalho do time de gestão é copiar a carteira do MSCI China Index. Para comprar cotas do ETF, basta acessar o seu Home Broker e pesquisar pelo ticker XINA11, assim como funciona com ações. 

Qual é a composição do XINA11? 

Vamos deixar essa conversa mais prática? Que tal conhecer a composição do XINA11? Isto é, quais são as empresas que esse ETF vai alocar o capital dos cotistas? Conforme adiantamos, existem mais de 700 empresas contempladas pelo indicador, mas isso não significa uma pulverização sem sentido. 

O MSCI China Index, afinal, atribui peso para os ativos de acordo com o valor de mercado de cada empresa, de modo que as dez maiores companhias, somadas, representam mais de 40% do índice. Ou seja, é nela que você deve focar. 

Em maio de 2022, essas eram as dez principais posições da carteira teórica do MSCI China, replicadas pelo XINA11:  

  • Tencent Holdings: 13,15% 
  • Alibaba: 9,37% 
  • Meituan: 4,26% 
  • China Construction: 3,25% 
  • JD.com: 3,22% 
  • Ping An Insurance: 1,97% 
  • Netease: 1,93% 
  • Baidu: 1,64% 
  • ICBC: 1,62% 
  • Bank of China: 1,49% 

Note, portanto, que há uma concentração natural na holding Tencent (que é dona de dois dos principais jogos de e-sports da atualidade — League of Legends e Fortnite) e no Alibaba (o maior e-commerce do mundo), sendo que a segunda foi, por muitos meses, o maior peso do índice, mas acabou penalizada com quedas meses antes da atualização deste artigo. 

Na sequência, embora já com peso reduzido, estão outras companhias importantes para a economia chinesa como JD.com (e-commerce), Baidu (o "Google Chinês") ou as instituições financeiras. 

Olhando para a composição geral do índice, ainda que exista essa concentração no "top-10" chinês, a diversificação setorial é presente. O maior peso do MSCI China é em consumo discricionário, com cerca de 30% da carteira teórica, seguido do setor de comunicação, com cerca de 20%, e das instituições financeiras, com pouco mais de 15%. 

Quais são as vantagens de investir no XINA11? 

Se você gostou da estrutura do ETF gerido pela XP Asset, a primeira vantagem é que o produto é muito fácil de investir. Basta ter conta em uma corretora e acessar o Home Broker para negociar as cotas do fundo que, desde o seu lançamento, nunca custou mais do que R$12,70. Ou seja, extremamente acessível para o pequeno investidor. 

Outro benefício que é comum no mercado de ETFs é a diversificação geográfica. Ao comprar cotas do XINA11, tem acesso a um pacote bem completo de ações chinesas — algo que representa não apenas várias companhias na sua carteira, como a exposição a um país com condições totalmente diferentes em relação ao Brasil. 

Quais são as desvantagens de investir no XINA11? 

Se os ETFs oferecem naturalmente, pela própria estrutura do produto, uma diversificação de ativos, eles também trazem uma limitação clássica. Estamos falando, claro, da falta de uma seleção mais ativa sobre as boas empresas que o compõem. Você terá ótimas companhias em carteira, mas também algumas com crescimento limitado ou com problemas de gestão. 

No caso específico do XINA11, essa talvez não seja uma desvantagem tão relevante. Como mencionamos no começo do artigo, afinal, é bem complicado conseguir informações que sejam confiáveis sobre o mercado chinês. Dessa forma, os investimentos de forma mais ativa, selecionando empresas individualmente, se torna bem mais complexo. 

Uma segunda desvantagem do XINA11 está na própria estrutura da China. Por lá, ao contrário dos Estados Unidos, nós temos um governo bem intervencionista. Em questão de dias, portanto, uma companhia promissora pode ser obrigada a pagar multas ou ter lucros limitados pelo próprio Estado. Há baixa previsibilidade sobre essas ações estatais. 

Qual é a rentabilidade do XINA11? 

Uma vez que o cenário do primeiro ETF para acompanhar o mercado acionário chinês, será que essa é uma boa oportunidade para a sua carteira de investimentos? Como sempre, tudo depende dos seus objetivos financeiros. 

Se você gosta da tese de China e acredita que o país manterá o seu ritmo de crescimento, um ETF pode ser uma boa alternativa para se expor ao país, uma vez que não é fácil fazer uma gestão ativa de empresas chinesas em função de não haver a mesma obrigatoriedade sobre relatórios financeiros que vemos em companhias de capital aberto de outros países. 

No entanto, é extremamente importante entender a mentalidade do governo chinês e as posições que podem ser adotadas que, certamente, vão priorizar os objetivos estratégicos da China em detrimento ao lucro que as empresas privadas poderiam conquistar em outro país com viés mais capitalista. 

Veja que, neste caso, não se trata de fazer um juízo de valor. Você pode ou não gostar desse modelo de gestão, mas é inegável que ele proporciona um forte crescimento há alguns anos — e que não há como mudar essa mentalidade. Se esse risco estatal te incomoda, o melhor a fazer é ficar de fora

Ademais, outro fator a pesar é que a bolsa de valores não representa PIB — e, diga-se, "nem aqui, nem na China", para usar uma expressão popular. O crescimento chinês pode seguir, mas o que importa para o ETF são as empresas que o compõem. E elas são apenas uma parte (relevante, mas não integral) da economia de um país. 

Por fim, caso mesmo diante de todas essas observações você esteja interessado em investir no mercado chinês como forma de obter diversificação geográfica, avalie também o BDR BCHI39, que permite uma exposição muito similar, mas sem a cobrança de taxa de administração no Brasil, apenas no exterior (a mesma paga pelo XINA11).

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.