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O impressionante crescimento da China já não é novidade para ninguém. Nem mesmo a ameaça aos Estados Unidos pelo topo do pódio quando o assunto é a economia global. Contudo, um tema vem sendo cada vez mais discutido no Brasil: a importância da globalização de um portfólio de investimentos.

Neste sentido, muitos brasileiros já estão de olho nas oportunidades internacionais, principalmente nos Estados Unidos. A abertura de produtos como BDRs (Brazilian Depositary Receipts) — produto que permite acompanhar o desempenho de ações globais e com exposição ao dólar — para a Pessoa Física contribuiu demais para esse avanço.

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Brasileiros estão de olho em ações no exterior: China é um dos alvos - Foto: Envato

No entanto, apesar da sua inegável importância no ambiente econômico, a globalização de uma carteira não se resume aos Estados Unidos. A China, como segunda economia global, também merece a nossa atenção e até mesmo uma parcela da nossa carteira de ativos.

Se você concorda com essa afirmação e tem interesse em investir nas empresas chinesas, hoje vamos explicar melhor como funciona a Bolsa de Valores do país asiático e, principalmente, quais são os tipos de ações da China.

Como funciona a Bolsa de Valores da China?

Como talvez você já saiba, cada país tem a sua própria bolsa de valores e as empresas que abrem seu capital para investidores são listadas nessas plataformas para receber os aportes.

Alguns países, contudo, oferecem mais de uma bolsa de valores internamente para as suas companhias. É o caso dos Estados Unidos e da própria China. O país asiático, afinal, possui três versões diferentes. São elas:

  • Shanghai Stock Exchange (SSE): é a principal bolsa chinesa, contemplando companhias como Bank of China, PetroChina e Agricultural Bank of China. Essa bolsa possui forte regulamentação de um órgão do governo e, em função disso, apresenta restrições para investidores. Também é a base de um importante índice global, o SSE Composite.
  • Hong Kong Stock Exchange (HKEx): como o próprio nome sugere, essa bolsa de valores tem sede em Hong Kong. Ao contrário da Bolsa de Shanghai, não há tanta interferência estatal, sendo mais acessível ao estrangeiro.
  • Shenzhen Stock Exchange (SZSE): por fim, temos ainda a terceira bolsa chinesa, que abriga principalmente empresas de menor porte e com potencial emergente. Fundada em 1990, ela é menos restritiva que a Bolsa de Shanghai.

Quais são os tipos de ações chinesas?

Além da divisão entre as três bolsas de valores que acabamos de conhecer, a China também tem uma classificação própria para os tipos de companhias. Para investir no país asiático, é bem importante entender esse contexto, até mesmo para compreender as características das empresas.

Vamos conhecer então quais são os principais tipos de ações da China?

A-Shares

O grupo de ações A-Shares representa as empresas que são negociadas nas bolsas da China Continental. Isto é, Shanghai Stock Exchange ou Shenzhen Stock Exchange.

Aqui estão algumas das principais ações para o governo chinês e o mercado é essencialmente interno. Tanto é que as companhias são conhecidas como "ações domésticas" e o preço dos ativos é cotado apenas em renminbi, que é a moeda oficial da China.

Houve um importante avanço no acesso às ações A-Shares no começo do século, quando o governo abriu os papéis para investidores qualificados. Até então, apenas asiáticos tinham acesso a esse mercado.

B-Shares

O segundo grupo de ações chinesas é o B-Shares, representando companhias que também são negociadas apenas nas duas bolsas da China Continental (Shanghai Stock Exchange ou Shenzhen Stock Exchange).

A principal diferença para as ações A-Shares está na cotação. Isso porque as companhias B-Shares são cotadas em moeda internacional, sendo mais comum o uso do dólar. Naturalmente, torna-se de um mercado mais acessível para o investidor estrangeiro.

H-Shares

Talvez você esteja se perguntando neste momento sobre as empresas chinesas que estão na Bolsa Hong Kong, certo? Pois elas são representadas pelo terceiro pacote de ações, os ativos H-Shares.

Aqui, nós temos basicamente as empresas que são chinesas (isto é, possuem sede na China Continental), mas que estão listadas na Hong Kong Stock Exchange. As cotações são feitas em dólares de Hong Kong.

Red Chips

Ainda não acabamos o passeio pelo tipo de ações da bolsa chinesa. Temos que falar sobre as Red Chips, que são as companhias com forte influência na China, mas que não são sediadas no país asiático.

Além disso, para a classificação de uma empresa nesta categoria, é mandatório que o governo chinês possua algum tipo de influência como acionista majoritário do negócio. Essas companhias estão listadas na Bolsa de Hong Kong.

P-Chips

Por fim, temos as ações P-Chips, que são empresas privadas e sem influência do governo chinês. A letra P é utilizada como referência para o formato dos negócios (Private). Também estão listadas na Hong Kong Stock Exchange.

ADR: uma alternativa americana para investir em ações chinesas

Como vimos ao longo do tópico anterior, muitas das melhores empresas chinesas são restritas para o investidor estrangeiro. Ou então possuem uma dificuldade de acesso que as torna pouco atrativas em função da burocracia.

Para quem tem conta em uma corretora nos Estados Unidos, uma alternativa para essa situação é investir em ADRs (American Depositary Receipt) que são os "BDRs americanos".

Ou seja, trata-se do mesmo formato de ativo: um certificado para negociar ações do mercado estrangeiro. A diferença é que os BDRs são emitidos na bolsa brasileira, enquanto que os ADRs são emitidos nas bolsas americanas.

Os ADRs não existem apenas para negociar ações chinesas (eles são válidos para empresas de diversas nacionalidades, desde que sediadas fora dos Estados Unidos), mas também contemplam algumas organizações do país asiático.

ADR, A-Shares, H-Shares: vale a pena investir?

Agora que você já sabe como funcionam as principais ações chinesas, será que vale a pena investir nesses ativos para uma exposição de capital a uma das principais economias globais?

Em termos de crescimento do país asiático, a princípio a resposta é positiva. Contudo, você deve ponderar também uma série de características das bolsas chinesas que possuem fatores bem particulares em relação à nossa bolsa de valores.

O primeiro deles é que há uma forte presença do governo em boa parte das companhias de maior valor de mercado. Se aqui no Brasil já há uma certa preocupação com notícias envolvendo empresas estatais (como Petrobrás e Banco do Brasil), prepare-se para lidar com essas questões com maior frequência.

Ademais, diretamente ligado a esse cenário, a governança corporativa das companhias chinesas não é exatamente um destaque positivo. Muitas delas, inclusive, possuem prioridades sociais e governamentais, deixando a geração de valor para o seu acionista em segundo plano.

Por fim, não podemos ignorar as barreiras que as bolsas chinesas oferecem ao investidor estrangeiro. Isso torna o acesso à informação mais desafiador, de modo que o mercado acionário chinês é composto majoritariamente pelos próprios habitantes da China ou especuladores.

Esse cenário, contudo, não minimiza o crescimento da China — que deve se manter em destaque ao longo desta década. Desta forma, caso seja convergente à sua estratégia de investimentos e com o conhecimento dos riscos mencionados, investir em empresas chinesas pode ser um caminho para aumentar a diversificação global de um portfólio.

Imagem do autor

Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.

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