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Renda Variável

Setores defensivos e cíclicos no mercado de ações: saiba o que são

Onde vale mais a pena investir na bolsa de valores: em setores defensivos ou cíclicos? Fizemos um comparativo desses dois grupos. Confira!

Data de publicação:21/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
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Se você já investe no mercado de ações, então certamente já escutou uma palavra bem conhecida entre os investidores: diversificação. No entanto, por mais relevante que ela seja no contexto da renda variável, muitas pessoas não entendem a sua finalidade prática no dia a dia dos investimentos.

fundos de renda fixa
Foto: Reprodução

A verdade é que diversificar não é uma questão apenas de quantidade, mas sim de estratégia. Ao comprar ações de Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander, por exemplo, você tem uma diversificação muito baixa. Afinal, está totalmente exposto ao setor bancário que, de uma forma geral, possui riscos muito similares.

Toda essa questão fica mais fácil de compreender quando analisamos os setores da bolsa de valores e os seus respectivos resultados. É o que acontece quando agrupamos as empresas em dois grandes grupos: os setores defensivos e os setores cíclicos. Vamos entender as diferenças entre eles e a importância de mesclá-los em uma carteira de ações equilibrada.

Setores defensivos vs. setores cíclicos: qual é a diferença?

Na bolsa de valores do Brasil, nós temos uma dezena de setores diferentes. Entretanto, a maior parte das empresas possui uma dinâmica que permite a sua classificação entre uma empresa cíclica ou uma empresa defensiva. E a principal distinção entre elas está na exposição a fatores econômicos.

Uma empresa cíclica, como o próprio nome sugere, é uma companhia que possui diferentes ciclos. Isso significa que, em determinados momentos, ela vai ter uma performance superior, enquanto que em outros o desempenho será abaixo da sua média. Esses negócios costumam ter uma maior exposição ao ambiente econômico e à sazonalidade.

Já os setores defensivos são aqueles que reúnem organizações que estão menos expostas ao cenário econômico. Isto é, os seus resultados são mais constantes e possuem menores oscilações ao longo de um ou mais anos. Para essa característica, é comum que sejam negócios considerados como essenciais para a população.

Vamos trazer alguns exemplos práticos de empresas brasileiras reais para que fique mais fácil de assimilar essas duas classificações.

Quais são os setores cíclicos da bolsa de valores?

Quando falamos em ciclicidade e sazonalidade, é natural pensar no varejo. Afinal, as empresas desse segmento são dependentes de um cenário positivo para a economia, com confiança do consumidor no país. Há um forte apelo em datas comemorativas, como Natal ou dia das mães, por exemplo.

Neste contexto, empresas como Renner, Magazine Luiza, Arezzo, C&A, Grendene e Alpargatas, por exemplo, são consideradas como cíclicas. No entanto, isso não vale apenas para o varejo tradicional ou para lojas que você encontra dentro de um shopping center. Outros setores também possuem esse mesmo perfil.

É o caso do setor imobiliário, por exemplo. Negócios que trabalham com a construção civil — casos de Eztec, MRV Engenharia, Trisul, entre outros — dependem muito de um bom ambiente econômico para a realização de vendas. Em períodos de crise, torna-se muito mais desafiador vender imóveis, ainda mais por ser uma aquisição de alto custo.

Até mesmo empresas industriais, que possuem negócios no modelo B2B (empresa para empresa), acabam entrando como cíclicas. Isso porque elas vendem máquinas e equipamentos para outros negócios. Se o agronegócio vive um período ruim, naturalmente que vai reduzir a sua demanda para organizações como Kepler Weber, 3Tentos e Metisa.

Outro exemplo clássico são as empresas do setor de commodities. Como elas dependem diretamente do preço da sua mercadoria para encontrar bons resultados, os ciclos acabam sendo naturais. Petrobras está exposta ao preço do petróleo, Vale está exposta ao preço do minério de ferro e assim sucessivamente.

Quais são os setores defensivos da bolsa de valores?

E em relação aos setores defensivos? De uma forma geral, eles possuem um denominador comum que é a importância do produto ou do serviço para a população. São negócios em que, mesmo diante de dificuldades ou crises, o consumidor segue dependente.

Um ótimo exemplo disso são as companhias de alimentação, como Pão de Açúcar, Carrefour, BRF ou Ambev, por exemplo. Mesmo que exista uma dificuldade financeira, a população ainda precisa comer e beber. Portanto, pode haver uma redução de gastos, mas esses serviços raramente são cortados do consumo individual.

Outro setor com esse mesmo perfil é o de saúde. Ainda que o ambiente econômico seja negativo, as pessoas seguem adoecendo e precisam se cuidar. Neste contexto, negócios como hospitais e farmacêuticas acabam sendo uma opção mais protegida em relação às crises econômicas.

Não podemos nos esquecer dos serviços de Utilidade Pública. É o caso de energia elétrica e saneamento. Companhias como Energias do Brasil, Engie, Sanepar, Taesa, Copel, Alupar e Eletrobras, por exemplo, oferecem serviços essenciais para a população. Naturalmente, possuem resultados mais regulares e com menor ciclicidade por esse motivo.

Por fim, as empresas do setor financeiro também podem ser englobadas aqui. Isso porque elas são descorrelacionadas das empresas cíclicas. Em períodos ruins da economia, é comum que o Banco Central opte por uma elevação das taxas de juros. E, se esse cenário é péssimo para negócios sazonais, favorece os bancos cujos produtos e resultados estão atrelados aos juros.

Setores cíclicos vs. setores defensivos: qual é melhor para investir?

Como vimos ao longo do artigo, empresas de setores cíclicos e defensivos possuem características quase que antagônicas. Neste contexto, qual será a melhor opção para investir pensando na sua carteira de ações? A resposta certa é em ambas.

O que acontece é que elas possuem pontos complementares entre si. Setores defensivos não dependem tanto da economia para apresentar bons resultados, mas a demanda também é mais constante. Ou seja, elas não oferecem tanto crescimento quando o consumidor está mais confiante.

Por outro lado, as empresas cíclicas se beneficiam desse cenário econômico otimista, apresentando um forte crescimento. Os resultados, contudo, não possuem essa constante que encontramos em empresas defensivas, de modo que o preço dos ativos pode despencar em uma situação desafiadora para o país.

Ademais, as próprias estratégias de investimentos acabam por definir a composição setorial do seu portfólio. Empresas defensivas são, em geral, boas pagadoras de dividendos em razão de uma maior previsibilidade de receitas. Negócios cíclicos, por outro lado, tendem a investir em crescimento e aproveitar oportunidades do ambiente econômico.

Considerando tudo isso, o melhor caminho para uma carteira de investimentos é a diversificação entre os dois grupos. Desta maneira, suas ações podem se beneficiar de um ambiente positivo, mas sem manter uma exposição muito grande ao ciclo econômico para gerar resultados.

Tente também mesclar os setores, pois as condições são diferentes para cada conjunto de empresas. A crise hídrica de 2021, por exemplo, afetou diretamente empresas de energia elétrica, mas trouxe um efeito reduzido sobre os negócios alimentícios — mesmo ambas sendo pertencentes ao grupo de companhias defensivas.

Esse equilíbrio dentro dos seus investimentos será uma ferramenta poderosa para maximizar a relação entre risco e retorno do seu portfólio. E é o que recomendamos na montagem de uma carteira de ações.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.