Economia

Qualquer conselho sobre investimento em renda variável passa obrigatoriamente pela importância da diversificação dos ativos oferecidos no mercado. Pode até parecer trivial, mas a lembrança de que nunca devemos colocar todos os ovos na mesma cesta é mais do que imprescindível nos investimentos, principalmente em momento de caos econômico e político no Brasil.

Por que diversificar a carteira de investimentos é tão importante na crise? - Foto: (Chris Liverani/ Unsplash)

Há um ano, quem imaginaria que os efeitos da pandemia iriam se prolongar para além de 12 meses, derrubando as expectativas feitas em 2019 pelos mais renomados economistas. Tenho certeza de que muitos portfólios estavam ancorados na previsão de recuperação do PIB no País ou até mesmo na queda do dólar em 2020, antes do início da pandemia.

Não bastasse o planeta ter andado várias casas para traz no quesito desenvolvimento, a bola de cristal também não mostrou que o governo brasileiro, outrora defensor do liberalismo, iria intervir de forma tão voraz na gestão da Petrobras, impactando fortemente a cotação da empresa na Bolsa de Valores.

Gestores foram surpreendidos ainda com o risco de o ajuste fiscal ser deixado de lado, frente aos enormes gastos públicos para socorrer a população frente a crise sanitária.

O varejo, cuja esperança era de retomada das vendas em 2020, com o aumento do índice de confiança da população no País, foi outro setor que decepcionou. Com o isolamento compulsório dos consumidores, grandes redes revelaram que a digitalização de seus negócios não estava tão adiantada quanto nós imaginávamos.

As companhias de tecnologia, por sua vez, nadaram de braçada neste último ano, com a disparada do comércio online, destacando Magazine Luiza, Via Varejo, Submarino e até a novata Locaweb entre outras.

Diversificar carteira de investimentos

Exemplos não faltam dos que levaram a sério o mantra da diversificação da carteira de investimentos, protegendo melhor o portfólio e com resultados positivos no ano passado.

Quem operou no mercado sozinho, certamente, não teve condições de aproveitar um sobe e desce de ações tão variado e também desconhecido das perspectivas econômicas, sociais e políticas traçadas para esse período.

É humanamente impossível acompanhar e operar papéis de 20, 30 ou 50 empresas ao mesmo tempo. Por outro lado, também aprendemos o quanto é arriscado concentrar-se em duas ou três premissas em um portfólio.

Visto desta maneira, o dilema acima poderia desanimar alguns investidores, não fosse a resposta de que, sim, existe um caminho do meio. Ora, por que não diversificar os recursos não apenas em quantidade de ações, mas também com diferentes perfis de fundos de investimento?

Um fundo de ações de valor pode fazer parte da sua estratégia, combinado com um fundo de crédito corporativo e ao lado de outro fundo de ações de factor investing, por exemplo. Só esse último – conhecido como fundo multifatores – já permitiria grande diversificação na carteira, dada sua metodologia de combinação dos ativos que reagem a cada momento do mercado.

Os fundos de valor, por sua vez, trazem ações de poucas, mas boas empresas, sempre estudadas minuciosamente para testar sua capacidade de performar bem, mesmo diante dessas intempéries.

Resumo da ópera: se o mundo se transforma rapidamente, os conceitos sobre investimento em renda variável também precisam evoluir, obrigatoriamente, no mesmo ritmo.

*As opiniões contidas nesse artigo são do autor do texto e não necessariamente refletem a opinião do Mais Retorno

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Luciano Boudjoukian França (CFP®️) economista pela FEA-USP, Pós-Graduado em Finanças, Mestre em Economia pelo Insper e sócio da Avantgarde Asset Management.

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