Mercado Financeiro

O mercado financeiro chega a esta sexta-feira, 21, para o fechamento da semana sem referência em indicadores relevantes no exterior que poderiam influenciar as decisões de investimento. O único, supostamente o mais relevante em dia fraco de agenda, é o indicador da produção industrial da área do euro.

No mais, o dia deve ser movimentado por expectativas que não são propriamente novidade para os investidores e os profissionais de mercado, como as relacionadas à tendência de juros americanos.

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Mercados redobram cautela com sinais contraditórios do Fed sobre trajetória dos juros - Foto: Arquivo

Sinais contraditórios ou declarações conflitantes de autoridades do Fed (Federal Reserve, o banco central do EUA) que ora sugerem mudança nos juros, ora a manutenção dos atuais níveis, têm levado o mercado a redobrar a cautela e permanecer em compasso de espera, sem tomar grandes decisões.

Outro ponto que preocupa os investidores, tanto domésticos como externos, é a continuidade ou não do pacote de estímulos monetários americanos que injeta, via compra de títulos pelo Fed, bilhões de dólares no sistema financeiro americano e movimentam, em boa medida, os negócios nos mercados de ações, aqui e no exterior.

Uma redução do fluxo desses recursos para os mercados globais, seja pelo fim do pacote de estímulos monetários, seja pela elevação das taxas de  juro, que atrairia os recursos para os títulos do Tesouro americano, tenderia a deprimir as bolsas de valores, incluída a B3, e a pressionar o dólar, que segue em movimento contínuo de baixa por aqui.

Indicadores econômicos à parte, o mercado financeiro, principalmente o de ações, deve continuar acompanhando também a trajetória das bolsas americanas, que poderiam antecipar alguma intenção do Fed, e o comportamento dos preços das commodities no exterior, como destaca Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Preços do minério de ferro

Os investidores, segundo Ribeiro, continuam preocupados e temerosos com a possibilidade de novas intervenções do governo chinês para limitar a alta do minério de ferro. Restrições que têm prejudicado os papeis de empresas exportadoras de commodities que, pelo peso que têm na carteira do Ibovespa, acabam freando a evolução da B3.

Um setor que contrabalançou o efeito negativo da queda das commodities no mercado doméstico foi o financeiro, que para Ribeiro é a porta de entrada dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira que acompanharam o bom humor que permeou o mercado norte-americano.

CPI da Covid: ruídos de Pazuello

No ambiente doméstico, a atenção dos investidores segue direcionada para os trabalhos da CPI da Covid, que na véspera, recebeu de volta o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para dar continuidade à oitiva interrompida no dia anterior.

No retorno à segunda etapa de seu depoimento, Pazuello seguiu o mesmo caminho adotado no primeiro dia, blindando o governo de Jair Bolsonaro.

As declarações do ex-ministro não atenderam as demandas do relator Renan Calheiros, o que deixou o comando do colegiado insatisfeito com suas respostas, que contestaram a veracidade das informações prestadas a exemplo do depoimento do ex-chefe da Saúde ao do ex-secretário de Comunicação do governo e empresário Fabio Wajngartner.

Sobre a crise de abastecimento de oxigênio no Amazonas, Pazuello atribuiu à empresa White Martins e ao governo do Amazonas a responsabilidade pelo cenário de desabastecimento nos hospitais.

O ex-ministro voltou a se eximir de culpa no episódio, como fez no primeiro dia da oitiva, afirmando que a empresa teria responsabilidade porque não colocou “de forma clara, desde o início” que estaria consumindo a reserva estratégica do produto.

Já sobre o governo estadual, o ex-ministro alegou que a preocupação com o acompanhamento do oxigênio não era "foco" da secretária de Saúde.

Em resposta, o governo do Amazonas emitiu um comunicado dizendo que “nunca recusou qualquer ajuda do governo federal para combater a covid-19 no Estado”.

Durante o depoimento, Pazuello voltou a dizer que nunca comprou hidroxicloroquina enquanto estava como titular da pasta. "Não comprei um grama, não fomentei o uso, distribuí o que me foi pedido. Para mim é uma grande discussão médica", afirmou.

A próxima oitiva será com a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “capitã cloroquina”, reagendada para a próxima terça-feira, 25.

No depoimento de Pazuello, na última quarta-feira, o ex-ministro atribuiu a Pinheiro a iniciativa do aplicativo TrateCov, que foi retirado do ar.

O aplicativo recomendava o uso de antibióticos, cloroquina, ivermectina e outros fármacos para náusea e diarreia ou para sintomas de uma ressaca, como fadiga e dor de cabeça, inclusive para bebês.

NY: futuros em alta

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em leve alta nesta sexta-feira com os investidores observando as perspectivas da inflação e consequentes ações do Fed após a divulgação da ata da última reunião.

Na véspera, o pregão fechou em alta, em uma recuperação após cair nos últimos dias. Uma das correções mais relevantes ocorreu no setor de tecnologia, levando o Nasdaq a uma alta que chegou a superar os 2% durante a sessão. O movimento ocorreu em meio a um recuo nos rendimentos dos Treasuries.

O Dow Jones encerrou em alta de 0,55%, a 34.084,15 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,06%, a 4.159,12 pontos, e o Nasdaq avançou 1,77%, a 13.535,74 pontos.

"Embora os temores de inflação tenham tirado algum fôlego do mercado de ações recentemente, ainda pensamos que os papéis nos EUA e em outros lugares terão ganhos adicionais nos próximos anos", avalia a Capital Economics.

O excesso de inflação "pode significar problemas para as ações se resultar em uma política monetária mais rígida ou em um crescimento mais lento", pontua a consultoria.

No entanto, a análise projeta que a economia dos EUA deve seguir crescendo, e que o Fed irá manter sua política acomodatícia por algum tempo, com uma normalização ocorrendo de forma "muito gradual".

O imposto a ser cobrado das empresas voltou à pauta no dia anterior, mas desta vez sob o ponto de vista global. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou no dia anterior que propôs uma alíquota mínima de 15% para o imposto corporativo global discutido no âmbito do G20 e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). As discussões tiveram início nesta semana.

A proposta de Janet Yellen, secretária do Tesouro americano, veio cinco dias após o presidente dos EUA, Joe Biden, defender o aumento do imposto corporativo no país, de 21% para 28%, com o objetivo de financiar parte de um pacote trilionário de investimentos em infraestrutura.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta sexta-feira, após uma recuperação em Wall Street na véspera que interrompeu uma sequência de três pregões negativos.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,78% em Tóquio nesta sexta, aos 28.317,83 pontos, impulsionado por ações de tecnologia e eletrônicos.

O Hang Seng apresentou ganho marginal de 0,03% em Hong Kong, aos 28.458,44 pontos, e o Taiex avançou 1,62% em Taiwan, aos 16.302,06 pontos.

Na China continental, por outro lado, os mercados ficaram no vermelho, com perdas lideradas pelo setor financeiro. O Xangai Composto caiu 0,58%, aos 3.486,56 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,45%, aos 2.319,79 pontos.

Já na Coreia do Sul, ações financeiras e de varejistas pesaram no Kospi, que teve baixa de 0,19%, aos 3.156,42 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o dia em alta modesta, com ajuda de papéis de tecnologia. O S&P/ASX 200 avançou 0,15% em Sydney, aos 7.030,30 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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