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Quanto vai render a poupança, os títulos e fundos de renda fixa com a Selic em 13,75%

Rendimento deve subir tanto em termos nominais quanto reais

Data de publicação:03/08/2022 às 19:58 -
Atualizado 7 dias atrás
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A alta de mais 0,50% na taxa básica de juros, a Selic, para 13,75% ao ano, deixa pouco mais encorpada a rentabilidade da renda fixa. E adiciona mais atratividade aos investimentos remunerados por juros, cada vez mais elevados. Tanto em termos nominais quanto reais.

A Selic está em patamar que os analistas consideram restritivo. Acima da taxa neutra, aquela que não estimula nem inibe a atividade econômica. Uma taxa de aperto monetário que desestimula o crescimento, mas, do ponto de vista de investimento, contempla a renda fixa com atraentes ganhos, após um período prolongado de vacas magras.

Selic investimentos
Selic a 13,75% ao ano deve deixar rendimento da renda fixa mais atraente - Foto: Reprodução

Como fica o rendimento de cada aplicação

Os dados de simulação da tabela abaixo, feita pela Mais Retorno, dão ideia de quanto pode render, com a nova Selic de 13,75%, uma aplicação de R$ 1.000 nas principais modalidades de renda fixa em um ano.

São aplicações indexadas à Selic, que em alguns ativos muda para CDI, juro adotado no mercado financeiro para troca de reservas entre bancos. A Selic é usada como indexador de títulos públicos, nas operações do mercado com o Tesouro e o Banco Central, e o CDI, de papeis privados. Mas ambos andam de mãos dadas. Quando sobe a Selic, o CDI vai junto.

InvestimentoRendimento
bruto (R$)
Desconto
do IR (R$)
Rendimento
líquido
Rendimento real
descontada inflação
LCA (97% CDI)1.133,38 -.-1.133,381.050,64
LCI (80% CDI)1.110,00 -.-1.110,001.028,97
CDB (100% CDI)1.137,5030,941.106,561.025,78
Tesouro Selic1.134,6626,931.107,731.026,86
Fundo DI *1.129,0825,821.103,261.022,72
Poupança1.096,25 -.-1.096,251.016,22
Fundos DI 2 **1.123,40 24,681.098,721.018,52
Fonte: Mais Retorno

(*) Fundos com taxa de administração de 0,50% ao ano

(**) Fundos com taxa de administração de 1% ao ano

A inflação considerada para o cálculo do rendimento líquido que chega como retorno ao investidor depois de um ano, medido pelo poder de compra do capital aplicado, foi estimada em 7,30%.

Embora a Selic seja o principal foco de interesse do investidor, porque os ajustes na taxa levam a um aumento do rendimento nominal das aplicações, a inflação é um componente importante nessa equação.

É ela que determina se o investidor está tendo ganho real, mantendo ou ampliando o poder de compra do dinheiro, ou se o capital está sendo desvalorizado, porque o rendimento está sendo insuficiente.

Como investir no novo cenário

A renda fixa de forma geral está com o rendimento nominal em alta em todas as modalidades de ativos, de títulos a fundos de investimento. Um desempenho que se estende também em ganhos reais positivos, com a forte desaceleração da inflação.

Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, diz que, em ciclo de alta da Selic, os ativos pós-fixados, com rendimento atrelado à taxa básica, são mais interessantes. Títulos públicos como o Tesouro Selic ou CDB indexado ao CDI.

Ele afirma também que, como o comunicado pós-Copom desta quarta-feira indica o ciclo próximo do fim, ao sinalizar que o Banco Central avaliará a necessidade de ajuste residual na próxima reunião, o momento pode ser interessante também para títulos prefixados, como o Tesouro Prefixado. “Mas apenas uma pequena parcela da carteira e para horizontes de vencimento de cinco a seis anos.”

A estratégia consiste em travar o juro alto, visto por especialistas como próximo do pico do atual ciclo, até o vencimento do título, em um momento que as taxas de juros estariam trajetória de queda.

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Sobre o autor
Tom Morooka
Colaborador do Portal Mais Retorno.