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Economia

Powell não descarta alta superior a 25 pontos-base nos juros em reunião do Fomc

O presidente do banco central americano afastou a possibilidade de uma recessão nos EUA por causa da alta dos juros

Data de publicação:21/03/2022 às 20:46 -
Atualizado 2 meses atrás
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O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano, Jerome Powell, não descartou nesta segunda-feira, 21, um cenário de aperto monetário mais rápido do que o atual, caso um prolongado período de escalada de preços nos Estados Unidos impulsione as expectativas de inflação para um nível insustentável. Na semana passada, o BC da maior economia do planeta elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, à faixa entre 0,25% e 0,50%.

"Se concluirmos que é apropriado agir de forma mais agressiva, elevando a taxa dos Fed Funds em mais de 25 pontos-base em uma reunião ou reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto, FOMC, o faremos", afirmou Powell, durante evento organizado pela associação Nacional de Economia para Empresas (Nabe, na sigla em inglês).

Powell
Jerome Powell, presidente do Fed | Foto: Reprodução

Powell também disse "há um clara necessidade" de retornar a política monetária a uma postura mais "neutra", ou até "mais restritiva", se necessário para assegurar a estabilidade de preços. "Estamos comprometidos em restaurar a estabilidade de preços, preservando um mercado de trabalho forte", destacou.

Impacto da guerra

O presidente do Federal Reserve afirmou ainda que o conflito decorrente da invasão da Ucrânia pela Rússia deve ter impacto significativo na economia global. "A magnitude e a persistência desses efeitos permanecem altamente incertos e dependem de eventos que ainda ocorrerão", disse.

Powell lembra que os dois países envolvidos na guerra são grandes produtores de commodities. Para ele, além dos efeitos diretos da escalada dos preços de petróleo e outros produtos, o confronto bélico deve restringir a atividade econômica internacional e exacerbar os problemas nas cadeias produtivas, com efeitos para os Estados Unidos.

O banqueiro central entende que a maior economia do planeta está mais bem posicionada para lidar com um choque de petróleo atualmente do que em episódios semelhantes anteriores. "Em termos líquidos, os choques do petróleo tendem a pesar na produção da economia dos EUA, mas muito menos do que na década de 1970", disse, acrescentando que o movimento pode reduzir rendas de famílias e, assim, a demanda.

Recessão?

Powell disse não ver risco alto de recessão nos Estados Unidos em decorrência da normalização da política monetária. "Não vejo razão para pensar que a probabilidade de uma recessão no próximo ano seja elevada"

Ele explicou que, além de a inflação estar alta, o mercado de trabalho nos EUA está muito forte. Segundo ele, há desequilíbrios entre oferta e demanda de trabalhadores nos EUA, em parte causados pela possível elevação "temporária" da taxa natural de desemprego.

"Por muitas medidas, o mercado de trabalho está extremamente apertado, significativamente mais apertado do que o mercado de trabalho muito forte de pouco antes da pandemia", pontuou o dirigente, acrescentando que é difícil saber se a economia retornará ao padrão de antes do coronavírus.

Para ele, uma recuperação mais completa do emprego, com força de trabalho mais forte, deve demorar algum tempo. "Nossas ferramentas de política monetária não podem ajudar na oferta de mão de obra no curto prazo, mas em uma longa expansão, os fatores que retêm a oferta provavelmente diminuirão", projetou, comprometendo-se a usar os instrumentos necessários para reduzir a demanda.

Powell ressaltou ainda que o Fed pode concluir ser necessário agir mais rapidamente no aperto monetário, a depender da evolução dos dados econômicos. Ele garantiu que não há planos de aumentar a meta de inflação de 2% e destacou que o Fed tende a monitorar mais a ponta curta da curva de juros.

Velocidade da recuperação

O presidente do Federal Reserve afirmou que a autoridade monetária não prevê "progressos" no horizonte de curto prazo da inflação nos Estados Unidos. Explicou que a economia global caminha para ter mais problemas nas cadeias produtivas devido à recente onda de casos de coronavírus na China, que restringiu a mobilidade em várias cidades.

O dirigente ressaltou que provavelmente as configurações de ofertas serão restauradas, mas é difícil saber a velocidade da recuperação. "Enquanto isso, à medida que definimos a política, buscaremos ver progresso real nessas questões e não presumiremos um alívio significativo do lado da oferta no curto prazo", destacou.

O banqueiro central disse ainda que o cenário inflacionário nos EUA já vinha se deteriorando "significativamente" antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. De qualquer forma, ele disse que as expectativas de longo prazo para inflação ainda estão "bem ancoradas" para os padrões históricos.

Para Powell, as ações do Fed - incluindo aumento nos juros de 25 pontos-base - ajudarão a reduzir a inflação "para perto de 2% nos próximos três anos"./Agência Estado

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