Economia

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), começou na última terça-feira, 3, a reunião de dois dias que define hoje, quarta-feira, a nova taxa básica de juros, a Selic.

A decisão é vista como tarefa desafiadora para o colegiado do BC, que havia adiantado novo aumento de 0,75 ponto porcentual, após o último encontro, em junho. Uma persistente inflação, contudo, levou o mercado financeiro a revisar a alta sinalizada pelo BC para um ponto porcentual.

Copom
Ajuste da Selic poderá ser mais acentuado pelos números da inflação

Projeções de inflação de analistas e economistas do mercado são cotejadas com as obtidas pelos modelos do BC para decisões de política monetária, incluindo a definição da Selic. Para guiar melhor as expectativas e evitar ruídos, a decisão da autoridade monetária costuma alinhar-se às previsões do mercado financeiro.

Nem sempre, contudo, a decisão segue uma sintonia fina. Como ocorreu na reunião anterior, em 16 de junho, quando o BC fez vistas grossas à revisão de última hora de uma ala minoritária do mercado, para uma alta de 1 ponto, e manteve o ajuste sinalizado de 0,75 ponto na Selic.

A diferença, desta vez, é que a aposta pelo ajuste de um ponto parte de uma corrente majoritária, quase consensual, de analistas do mercado.

Inflação mais alta, Selic mais alta

Especialistas atribuem a revisão para cima do ajuste previsto na Selic à preocupação com a inflação corrente acima das expectativas e à alta mais vigorosa nas projeções de crescimento econômico.

A inflação estimada de ponta a ponta em 2021 se aproxima de 7%, de acordo com o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira. Analistas e economistas consultados pelo BC projetam um IPCA de 6,79% para este ano e de 3,81% para o ano que vem.

A meta inflacionária definida para 2021 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que o BC mira para calibrar a Selic é 3,75%, com margem de oscilação de 1,50 ponto: piso de 2,25% e teto de 5,25%. A inflação acumulada no ano, em seis meses, está em 3,77%, portanto já ligeiramente acima da meta central de 3,75%.

Com a inflação para 2021 já sacramentada acima da meta e caminhando provavelmente acima do teto de 5,25%, o horizonte relevante de política monetária, na calibragem da Selic, é a inflação de 2022.

Ocorre que a inflação projetada por analistas e economistas para o próximo ano, de acordo com dados do boletim Focus, está em 3,81%, acima da meta central de 3,50% fixada pelo CMN para 2022. A regra de metas inflacionárias permite para 2022 uma flutuação de 1,50 ponto, para um piso de até 2,50% e teto de 5,00%.

Embora a inflação que o BC combate com juros seja a de demanda, que pressiona os preços, e este não seja o caso do atual processo, o manejo da Selic é o único instrumento que a autoridade monetária tem para tentar conter a alta que põe em risco a estabilidade de preços em 2022.

Pressão sobre os preços

A atual pressão inflacionária é derivada principalmente dos seguidos e fortes reajustes dos chamados preços administrados, como os de combustíveis e energia elétrica.

Especialistas veem, no entanto, um risco adicional para a inflação do próximo ano em um cenário de provável retomada da economia, com aumento de renda e consumo. Dados do Focus projetam crescimento de 5,3% do PIB no próximo ano.

Esse é o cenário que economistas chamam de horizonte relevante de política monetária que encorajaria o BC a promover um ajuste mais duro na Selic na quarta-feira.

O objetivo seria tentar esfriar o ritmo inflacionário no segundo semestre de 2021 e quebrar a inércia inflacionária, processo de repasse automático da inflação aos preços, frustrado durante a crise, em um ambiente de recuperação econômica mais vigorosa.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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