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Entenda por que a Petrobras disparou no pregão desta segunda-feira e o que esperar da companhia

Resultados operacionais divulgados na última semana já indicam balanço positivo da empresa

Data de publicação:26/10/2021 às 08:00 - Atualizado um mês atrás
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A grande vedete no pregão desta segunda-feira, um dos suportes para a recuperação da Bolsa, foi a Petrobras. Suas ações subiram mais de 6% no fechamento, mas durante as negociações chegaram a uma valorização superior a 7%.

Uma combinação de motivos levou investidores e gestores a olhar para a empresa com maior interesse, mas a perspectiva dos números positivos que devem estampar seu balanço do 3º trimestre, a ser divulgado na próxima quinta-feira, e de privatização da empresa estão entre os principais.

Foto: Arquivo petrobras
Empresa divulga seu balanço trimestral nesta quarta-feira

Há consenso entre os analistas de que a empresa deve apresentar uma forte geração de caixa no trimestre, decorrente da valorização do dólar e do petróleo tipo Brent no exterior, além do aumento de produção no pré-sal e vendas de combustíveis.

Não apenas os números passados são positivos, as perspectivas também são promissoras com o plano estratégico da empresa para os próximos quatro anos com a distribuição de dividendos generosos, especialmente a partir do ano que vem.

Pré-sal é destaque nos resultados operacionais

Os resultados operacionais da empresa já foram divulgados no último dia 20, lembra o analista da Valor Investimentos, Felipe Leão, e podem ser considerados como positivos.

"A empresa registrou um aumento de 1,2% em relação ao trimestre anterior na produção média de óleo e gás natural, suportado pelo incremento do volume de alguns campos do pré-sal", explica Leão, e isso após a empresa atingir a sua capacidade máxima de produção em julho deste ano, em uma de suas plataformas. "Esse foi o destaque entre os resultados operacionais, a produção do pré-sal", considera o analista.

A produção do pré-sal, em águas profundas e ultraprofundas, representa hoje 71% da produção da Petrobras, esclarece Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos. Houve um aumento de 1 ponto porcentual nos resultados do pré-sal em relação ao trimestre anterior e de 4 pontos porcentuais em relação ao mesmo período de 2020.

Ainda em relação à produção, Crespi ressalta que no trimestre entrou em operação a FPSO Carioca, na Bacia de Santos, que é a maior plataforma em operação no Brasil em termos de complexidade, e foi registrada a maior média de produção no trimestre da plataforma P-70, também na Bacia de Santos, que atingiu o limite de produção no início de julho.

O especialista da Guide ainda destaca dois pontos positivos no trimestre: aumento das vendas de combustíveis e melhora no portfólio da empresa. Em relação aos derivados, a empresa registrou um aumento de 10,6% nas vendas de gasolina e diesel em relação ao trimestre anterior, para atender ao aumento de demanda em decorrência da reabertura da economia.

"A companhia tem promovido uma melhora em seu portifólio, vendendo ativos que não mais do seu interesse, principalmente os campos de águas mais rasas e em terra, para focar o pré-sal", afirma Crespi. Até como consequência da saída de algumas áreas, os resultados do pós-sal registraram uma retração de 1%.

Charo Alves, também da Valor Investimentos, compartilha da opinião de que os desinvestimentos da empresa, com a venda de refinarias e campos de petróleo, devem beneficiar os seus resultados operacionais.

Alves lembra, ainda, que a alta no preço do barril de petróleo deve beneficiar os resultados trimestrais, já que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) vem segurando o preços por conta da retomada da economia e aumento o consumo de energia.

Plano estratégico da Petrobras também anima o mercado

Para Leão, da Valor Investimentos, a empresa trabalha agora para finalizar seu plano estratégico para o período de 2022 a 2026, a ser divulgado nesses próximos dois meses, o que também já cria uma expectativa positiva em relação à empresa.

Não só porque o plano prevê a entrada de novos sistemas que permitirão o aumento de produção, mas também porque contempla a redução no custo de extração. Tudo indica que será um plano robusto para fazer frente a esse cenário de petróleo em níveis elevados.

"A Petrobras passou por uma reformulação nos últimos anos, que tem superado até os ruídos políticos, e se tornou uma empresa que consegue fazer uma geração de caixa um pouco maior e promover a regra de maior distribuição de dividendos", afirma o analista da Valor. De acordo as estimativas dele, já em 2022 a petroleira deve proporcionar um dividend yield entre 5,5% e 5,8% (relação entre o valor do dividendo e o preço da ação).

As ações preferenciais de Petrobras (PETR4) fecharam cotadas a R$ 29,04, nesta segunda-feira, valor muito próximo do preço projetado para ação, de R$ 30,00 (preço-alvo) no fim do ano, embutindo uma valorização de 3,31%.

Ingerência nos preços é risco

Se os analistas rapidamente elencam os fatores positivos que cercam o papel, são unânimes também em apontar os riscos inerentes à estatal e suas ações Eles estão diretamente ligados à interferência do governo nos preços dos combustíveis. A tentação de segurar esses preços, em ano pré-eleitoral, não deve ser pequena.

Crespi alerta justamente para um ponto que afeta o desempenho dos papeis da petroleira que é "o desconto causado pelo risco político de interferência do governo, embora a governança corporativa tenha se mostrado mais sólida do que no passado, e mesmo com a troca de presidente da empresa, a política de paridade internacional do preço nao foi alterada".

Para Leão, se os preços internos não acompanharem os internacionais "isso é queimar parte do lucro da Petrobras".

Privatização da Petrobras?

Uma das razões que acelerou a alta das ações da empresa, no pregão desta segunda-feira, foi a declaração do presidente Bolsonaro, em entrevista a uma rádio de Mato Grosso do Sul, de que a privatização da Petrobras "entrou para o radar do governo". Em poucos dias, essa é a segunda vez que Bolsonaro se referiu ao assunto.

"É uma forma de diminuir a pressão contra ele sobre os aumentos dos combustíveis. Uma vez privatizada, a empresa terá mais autonomia, o que deve beneficiar bastante a governança não só a parte de governança como também a operacional, e o governo estuda vender parte das ações da empresa", arremata Crespi, da Guide.

Sobre o autor
Regina Pitoscia
Regina PitosciaEditora do Portal Mais Retorno.
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