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Economia

Com a oferta de petróleo mundial em xeque, saiba quais os impactos na economia e no mercado

Emirados Árabes Unidos confirmaram que estão chegando próximo de sua capacidade máxima de produção

Data de publicação:29/06/2022 às 05:00 -
Atualizado um mês atrás
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Em um momento em que a oferta de petróleo no mundo está comprometida, em decorrência da guerra na Ucrânia, um importante país exportador da commodity, os Emirados Árabes Unidos, está próximo de atingir a sua capacidade máxima de produção. A informação foi confirmada por Mohamed Al-Mazrouei, ministro da Energia do país, por meio de suas redes sociais.

"À luz dos recentes relatos da mídia, gostaria de esclarecer que os Emirados Árabes Unidos estão produzindo perto de nossa capacidade máxima de produção", afirmou o ministro em um tweet. Al-Mazrouei disse, ainda, que a oferta atual do país está em linha com o estabelecido pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) e que os Emirados estão comprometidos com o acordo.

Petrobras petróleo
Petróleo é fonte de energia para diversas atividades, inclusive os transportes | Foto: José Augusto Alves/Agência Petrobras

As notícias começaram a circular na segunda-feira, 27, quando a Reuters TV capturou o momento em que Emmanuel Macron, presidente da França, alertou Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, sobre o fato de que as nações do Golfo Pérsico estão chegando ao limite de oferta de petróleo. Segundo um especialista ouvido pela Mais Retorno, a situação não tem saída.

Por que a oferta de petróleo está comprometida?

De acordo com Wagner Varejão, especialista da Valor Investimentos, o problema de oferta de petróleo que o mundo atravessa começa a ser explicada há cerca de uma década. Ele explica que, "de dez anos para cá, não houve ampliação nos investimentos para exploração de petróleo", porque a agenda de sustentabilidade vem ganhando cada vez mais protagonismo.

O especialista pontua que muitos investimentos passaram a ser destinados à exploração de fontes de energia renováveis e, com isso, a produção de petróleo permaneceu em estabilidade.

Logo, com a pandemia de covid-19, que afetou a logística de produção e transporte dessa e de outras commodities, e, principalmente, com a guerra da Rússia na Ucrânia, que inviabilizou o fornecimento de petróleo de uma das principais regiões exportadoras, é até natural que a oferta seja impactada, sobrecarregando outros países exportadores, caso dos Emirados Árabes Unidos.

Soma-se aos problemas de oferta o fato de que a demanda também disparou desde meados de 2021, após o avanço da vacinação e o controle da pandemia - o que flexibilizou as medidas de isolamento social e proporcionou uma retomada da atividade econômica. Ou seja, a demanda subiu numa proporção muito maior do que a capacidade de produção dos países.

Quais os impactos da queda na oferta da commodity?

O especialista da Valor Investimentos afirma que há riscos de desabastecimento de petróleo no mundo, mas essa não é a maior preocupação do mercado no momento porque as chances ainda parecem poucas. No entanto, o maior impacto que já vem sendo sentido é o da pressão inflacionária persistente.

"Nas economias mais dependentes de petróleo, principalmente os Estados Unidos, a inflação está disparando, porque o petróleo está presente em todas as cadeias produtivas."

Wagner Varejão, especialista da Valor Investimentos

Se o preço do petróleo sobe, há uma elevação também, nos preços dos produtos derivados da commodity que são fontes de energia, com destaque para os combustíveis (da gasolina dos carros à querosene dos aviões). Transportes mais caros afetam toda a cadeia produtiva porque a maioria de todos os produtos e serviços dependem dessa logística de um lugar a outra, levando a inflação a todos os setores da economia.

Ações de empresas ligadas ao petróleo

Não só os preços de produtos e serviços tendem a subir, mas as empresas que exportam petróleo também tendem a passar por um período de valorização com o atual cenário da commodity. "O impacto nas empresas exportadoras é positivo, porque elas podem repassar os preços aos consumidores, o que representa uma geração na receita na veia", explica Wagner sobre o movimento de busca dessas ações pelos investidores.

A única exceção no Brasil é a Petrobras. Por ser uma companhia estatal, ela passa por pressões políticas a fim de que segure os reajustes de preços dos combustíveis internamente, e isso impacta na receita da companhia, que vende, no País, por um preço menor do que compra, no exterior. Vale lembrar que a Petrobras exporta petróleo bruto, mas importa a commodity em estado refinado para a produção de combustíveis.

Perspectivas de oferta e demanda

Os problemas com a oferta parecem distante de uma resolução. Embora a ideia de apenas aumentar a produção pareça a mais lógica, Wagner destaca que a expansão do limite de produção demora, "porque os investimentos em exploração de petróleo são de longa maturação". Assim, o único petróleo que pode ser entregue é, justamente, o que já está disponível no mercado.

Em contrapartida, as projeções de analistas e investidores de que o mundo, em especial os Estados Unidos, possam passar por um período de recessão em breve devem mudar um pouco o atual cenário. Com a inflação em alta, os bancos centrais de diversos países passaram a adotar políticas monetárias mais contracionistas, elevando os juros.

Taxas de juros mais altas (além da própria inflação, que corrói o poder de compra da população) costumam reduzir os níveis de consumos, já que os processos de financiamento e tomada de crédito se tornam mais caros. Assim, a atividade econômica diminui, podendo levar os países a um período de retração da economia e, por fim, a demanda pelo petróleo e diversos outros produtos cai, normalizando a relação entre oferta e demanda em nível global.

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno