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Conselho aprova Caio Paes de Andrade para presidente da Petrobras; saiba quem é ele e o que o mercado espera da nomeação

A confirmação do nome de Andrade para a presidência alimentou o ânimo dos investidores com as ações da Petrobras

Data de publicação:27/06/2022 às 14:26 -
Atualizado um mês atrás
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O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, no início da tarde desta segunda-feira, 27, a nomeação de Caio Paes de Andrade para a presidência da estatal. O nome do executivo, que foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, foi aprovado por sete votos contra três. Ele passa a integrar, também, o colegiado da companhia.

Andrade entra para substituir o ex-presidente José Mauro Coelho, que renunciou ao cargo, por pressões do governo e seus aliados, dias depois de a Petrobras anunciar reajuste nos preços da gasolina e do diesel. Esta é a quinta mudança no comando da petroleira desde que Bolsonaro assumiu a presidência da República, em 2019. O governo já fez diversas críticas à petroleira, na esteira dos aumentos nos preços dos combustíveis.

Petrobras
Fachada de prédio da Petrobras | Foto: Arquivo

Enquanto o processo de admissão do novo presidente da Petrobras não é concluído, a empresa é presidida interinamente por Fernando Borges, diretor de Exploração e Produção. Na última sexta-feira, 24, o Comitê de Elegibilidade já havia aprovado nome de Andrade, concluindo que o atual secretário de Desburocratização cumpre com todos os requisitos legais para ocupar o cargo.

De acordo com especialistas, o mercado não enxerga com bons olhos a nomeação de Andrade, já que o executivo deve segurar novos reajustes nos preços dos combustíveis - coisa que o governo busca com o novo presidente. No entanto, os riscos envolvidos nessa troca de cadeiras já foram precificados por investidores ao longo das últimas semanas. No pregão de hoje, os papéis PETR3 e PETR4 sobe fortemente, respectivamente, 6,68% e 6,47%, às 14h07.

Quem é Caio Paes de Andrade?

De acordo com o currículo do executivo, Caio Mário Paes de Andrade é formado em Comunicação Social pela Universidade Paulista, tem pós-graduação em Administração e Gestão pela Harvard University e é Mestre em Administração de Empresas pela Duke University. Ele atuou nos segmentos de tecnologia da informação, mercado imobiliário e agronegócio na iniciativa privada até 2019, quando foi para o setor público.

A partir de então, o atual secretário do governo foi presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), se tornou membro do Conselho de Administração da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Pré-Sal Petróleo (PPSA) e, em agosto de 2020, migrou para a secretaria do Ministério da Economia, onde está até hoje.

Segundo fontes do governo, o trabalho de Andrade à frente da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital é bastante elogiado entre os auxiliares de Bolsonaro, principalmente por suas iniciativas em migrar para a internet, no site Gov.br, uma série de serviços públicos.

Repercussão no mercado

A confirmação do nome de Caio Paes de Andrade ajudou a elevar ainda mais o ânimo dos investidores com as ações da Petrobras, que já vêm sendo bastante beneficiadas pela valorização do petróleo no pregão desta segunda-feira. Especialistas explicam que a confirmação contribui, justamente, para uma redução das incertezas quanto ao futuro da estatal.

Em contrapartida, Andrade não é o favorito do mercado para o cargo. De acordo com Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, o mercado lê o nome de Andrade "como alguém mais alinhado ao governo, que vai provavelmente represar qualquer tipo de repasse nos preços dos combustíveis até o final das eleições", marcadas para outubro.

Reajustes nos preços dos combustíveis podem ser represados

"O objetivo da entrada desse novo indicado pelo presidente Bolsonaro é segurar o reajuste dos preços da Petrobras e isso vai contra as estratégias de uma empresa privada", afirma Rodrigo Simões, professor especialista em economia e finanças da FAC-SP.

Simões explica que, além de poder impactar negativamente a receita e os lucros da petroleira, segurar os reajustes pode trazer uma explosão para a inflação nos meses seguintes às eleições. O especialista destaca que a alta do petróleo é global, então a Petrobras precisará, em um momento ou outro, repassar os preços. Assim, se os reajustes vierem apenas depois de muitos meses, eles tendem a ser mais pesados.

Para o analista de ações da SFA Investimentos, Rafael Chacur, entretanto, a mudança na presidência da estatal não deve trazer grandes transformações. Embora, Andrade possa alterar alguns nomes de diretorias estratégicas para a companhia, Chacur pontua que a "blindagem da governança corporativa da empresa está muito bem estabelecida pela lei das estatais e o estatuto social".

Ainda, Gustavo Cruz ressalta que, com a disparada no preço do petróleo no exterior nos últimos tempos, o que beneficia as empresas exportadoras da commodity, as ações da Petrobras não devem ser tão afetadas pela troca de cadeiras. Porém, se as expectativas de que os reajustes serão segurados se confirmarem, "isso não vai maximizar o valor das ações, então muitas pessoas revisaram para baixo seus modelos (com a petroleira) para os próximos meses".

Manifestações contrárias à nomeação de Caio Paes de Andrade

A Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras (Anapetro) protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) uma denúncia contra a eleição de Andrade para a presidência da Petrobras. A associação cita "ocorrência de eventuais atos lesivos ao patrimônio da Petrobras e aos interesses de seus acionistas".

A Anapetro destaca, ainda, que, por razões de compliance, além do disposto na Lei das Sociedades Anônimas, Lei das Estatais e ordenamento da CVM, Andrade não pode tomar posse como presidente da Petrobras por não possuir requisitos legais para tal e, consequentemente, apresentar risco à Companhia e a seus acionistas minoritários.

"Muito preocupa a Associação o atual cenário de instabilidade que atravessa a Petrobras, com oscilação no mercado de capitais sendo investigada pela CVM, trocas frequentes nos membros de sua gestão e ataques sofridos pelo Congresso Nacional com declarações fortes como a intenção de se abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o funcionamento da Companhia."

Anapetro

Conforme a associação, a ilegalidade da capacitação de Andrade fere dois requisitos legais previsto na Lei das Estatais: experiência profissional e formação acadêmica. Este fato, afirma, poderá ensejar a realização de ações por meio de acionistas minoritários, gerar instabilidade e oscilação indesejada no mercado de capitais da companhia.

A Anapetro pede que a questão seja analisada mediante processo administrativo a eventual ocorrência de ilegalidade da nomeação de Andrade à Presidência da Petrobrás e que sejam identificadas as irregularidades. Também pede que sejam adotadas as medidas, inclusive cautelares, no sentido de obstar a continuidade das ações errôneas e lesivas à empresa. / Com Agência Estado

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Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno