Mercado Financeiro

O número de investidores caiu no Brasil. Segundo a quarta edição da pesquisa Raio X do investidor brasileiro, divulgada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em 2019 eles representavam 49% dos entrevistados. Hoje respondem por 39,5%, sendo a primeira baixa do estudo há quatro anos.

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Número de investidores caiu em 2020, segundo Anbima, por conta da pandemia - Foto: Envato

De acordo com o levantamento, o recuo foi puxado pela classe C e influenciado pela pandemia, que afetou os negócios, a dinâmica de consumo e a renda, levando boa parte da população a gastar menos. Cerca de 55% dela teve perda de rendimento ao longo do ano passado.

Para fazer a análise, a Anbima ouviu 3.408 pessoas em todo o País, das classes A,B e C.

Pandemia

A pesquisa da Anbima mostrou que 20% da população brasileira precisou se descapitalizar, endividar ou vender algum bem durante a pandemia para honrar seus compromissos financeiros. Segundo a associação, tais movimentos foram medidos apenas entre aqueles que não guardaram nenhum dinheiro em 2020.

Nessa amostragem, boa parte das pessoas recorreu à reserva de emergência para ajudar a pagar as contas. O levantamento apontou ainda que 12% da população – o equivalente a 12,5 milhões de pessoas – retiraram dinheiro de aplicações financeiras ou outras reservas para conseguir fechar as contas.

Outros 11% pediram empréstimo, usaram o cheque especial ou o rotativo do cartão em momentos de emergência, enquanto 5% venderam algum bem para fazer caixa no ano passado. As classes A e B foram as menos atingidas pela crise, enquanto a classe C foi a que mais precisou recorrer a venda de bens ou a pedidos de empréstimo

O estudo da Anbima destacou que a perda de emprego e renda foi maior entre as pessoas classificadas como não investidoras. Entre os investidores, 50% deles conseguiram manter a renda, contra 41% dos não investidores. A perda de emprego no domicílio afetou 36% dos não investidores ante 24% daqueles que tinham investimentos.

Produtos financeiros

Outro aspecto apontado pela associação é que, pela primeira, a poupança perdeu adeptos, enquanto todos os outros produtos financeiros foram mais utilizados – queda de 8% em relação a 2019. No entanto, ela ainda é o investimento preferido dos brasileiros, sendo utilizada por 29% dos investidores.

Segundo o raio-x da Anbima, os demais produtos financeiros tiveram alta em 2020, com destaque para os títulos privados, que subiram 3% em relação ao ano anterior, passando a ser utilizados por 5% dos investidores.

Os fundos também conquistaram mais adeptos em 2020: 5% dos investidores indicaram o produto como destino para suas economias, frente a 3% no ano anterior.

O maior uso dos produtos financeiros foi liderado pelas classes A e B no ano passado, segundo a Anbima. Cerca de 48% dos brasileiros da classe A escolheram produtos financeiros como destino para suas economias, aumento de 20% em relação ao resultado de 2019.

Entre os brasileiros da classe B, o crescimento foi de 8 pontos porcentuais, passando de 21% para 29%. Na classe C, a preferência por produtos financeiros manteve-se em 13%.

Motivações

De acordo com a pesquisa, entre os motivos que levam à escolha do produto financeiro para alocar as economias, o retorno lidera a preferência, com 38%, seguido de segurança e confiança, com 28%. A facilidade e a comodidade foram citadas como motivação por 21% dos entrevistados que investem ou pretendem investir.

Na visão dos entrevistados, entre os produtos de maior retorno estão as moedas estrangeiras (78%), ações e planos de previdência privada (ambos com 71%), moedas digitais (58%), títulos públicos (51%) e privados (50%).

A poupança perde nas menções quanto ao retorno, mas é mais bem avaliada nos quesitos facilidade, comodidade e segurança/confiança.

Conhecimento

Pela primeira vez, de acordo com o levantamento da Anbima, o conhecimento geral em relação a ações rompeu os 80%, ficando em 82%, sete pontos porcentuais abaixo da poupança.

Na sequência, o produto financeiro mais conhecido dos brasileiros é a previdência privada (73%), acompanhada de ouro (71%) e de moedas estrangeiras (70%). Os fundos de investimentos tornaram-se mais conhecidos, com um índice de conhecimento geral de 64%, o maior nos quatro anos da pesquisa.

Orientações

A pesquisa da associação mostrou também que muitas pessoas ainda querem consultar um profissional de finanças – gerente, corretor ou consultor – para decidir onde investir. Cerca de 53% apontam querer falar com alguém na hora de fazer seus investimentos.

Porém, por outro lado, cresceu significativamente a menção por procura de informações em sites e aplicativos, principalmente na geração Z, na qual esses canais de informação se tornam a principal opção para a busca de dados.

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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