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Somente nesta semana 31 empresas vão divulgar seus balanços trimestrais. Essa safra tem atraído especial atenção não apenas pelas expectativas com os resultados das empresas, mas também porque analistas e mercado financeiro veem no desempenho das companhias um termômetro da velocidade de recuperação da economia.

Foto: envato
Expectativas são de números positivos pela redução de risco fiscal e reabertura da economia

A economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, afirma que o segundo trimestre conviveu com uma melhora do cenário macroeconômico, pela redução do risco fiscal e perspectiva de reabertura econômica, pelo avanço no processo de vacinação. “A expectativa é positiva, em alguma medida os resultados devem apontar para uma recuperação mais robusta da economia”, acredita Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

Veja o que esperam os analistas de mercado para os balanços trimestrais das principais empresas que divulgam seus números trimestrais na última semana de julho.

Vale - dia 28

O balanço que será divulgado na quarta-feira deve estampar lucro e geração de caixa recordes na comparação com o ano passado. A estimativa consensual de mercado é que a mineradora apresente lucro líquido de R$ 7,4 bilhões no segundo trimestre, um crescimento de mais de 600% em comparação com o resultado de igual período de 2020. A expectativa de lucro projetado por ação da Vale é R$ 7,60, o que deve redundar, segundo analistas, em pagamento de bons dividendos.

“O balanço da Vale deve vir forte, assim como o de todo o setor de mineração e siderurgia, construindo uma visão de expectativa positiva para a distribuição de dividendos”, diz Oliveira, da Valor Investimentos. A mineradora já pagou R$ 6,45 por ação em 2021, de acordo com Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos.

Assaí - dia 27

Expectativa é de crescimento relevante de resultados em relação ao ano passado, considerado bastante robusto e, como tal, base de comparação forte pelos analistas. O crescimento anualizado de vendas está estimado em 22% e o lucro líquido em R$ 280 milhões, comparado com R$ 240 milhões no primeiro trimestre.

Focada no segmento de atacarejo, Assaí é a segunda maior varejista do País, atrás do Carrefour. O papel da empresa tem recomendação de compra pela equipe de análise da XP Investimentos, com preço-alvo de R$ 120 por ação, para o fim de 2021. A ação da atacadista fechou o pregão de segunda-feira, véspera da divulgação do balanço, cotada por R$ 90,20.

Carrefour - dia 27

Analistas preveem consensualmente uma normalização de resultados, com acomodação no terreno neutro, porque os dados do segundo trimestre tendem a ser ofuscados pelos números vistosos de balanço de igual período de 2020, considerados bastante robustos.

Multiplan - dia 28

A expectativa é que o resultado da empresa de shoppings venha positivo, com a volta do consumo e menos restrições. A receita líquida estimada está em R$ 280 milhões, 8% maior que a dos 12 meses anteriores. Para analistas, os dados dos últimos meses devem dar uma ideia melhor de retomada de atividade no varejo. E também uma perspectiva de recuperação mais forte do comércio de varejo, com um ritmo mais acelerado de vacinação contra o coronavírus.

Santander - dia 28

Analistas, de forma praticamente consensual, estão otimistas e com expectativa positiva em relação aos resultados de balanço da área financeira. O Santander, com lucro estimado em R$ 6 bilhões no trimestre, puxa a fila de divulgação da safra de resultados de bancos do segundo trimestre nesta quarta, 28 de julho. “O resultado do Santander pode dar um cheiro do que vem no balanço de outros bancos”, prevê Rodrigo Moliterno, head de Renda Variável da Veedha Investimentos.

Pão de Açúcar - dia 28

Expectativa é que dados do balanço apontem uma queda discreta no faturamento, mas com sinais de recuperação, na comparação com os resultados de 2020, considerados bastante robustos.

Ambev - dia 29

Perspectiva de dados de balanço mornos no segundo trimestre, projetam analistas. Simone, da Reag Investimentos, estima que o resultado deve vir praticamente estável em relação ao de igual período de 2019, por causa de custos elevados de insumos, como o de commodities.

Localiza - dia 29

Analistas entendem que o resultado da empresa de locação de carros pode surpreender, beneficiado pela retomada de atividade. O setor soube aproveitar bem também o momento com a venda de veículos seminovos, avalia Romero Oliveira, da Valor Investimentos.

Gol - dia 29

A expectativa é que a companhia aérea, que tem perdido competitividade para a Azul, divulgue o balanço com prejuízo estimado pelos analistas em R$ 1 bilhão. Fortemente impactado pela crise da covid, o setor sente ainda os efeitos da elevação dos preços dos combustíveis.

Grendene - dia 29

A expectativa é positiva, dentre os analistas de mercado, sobre o resultado de balanço trimestral da rede de varejo de sapatos, que faz parte da classe de small caps.

Fleury - dia 29

Previsão de resultado forte, com a retomada de exames e consultas, preveem analistas, que estimam uma receita líquida que poderia chegar a R$ 940 milhões, duas vezes mais em relação ao segundo trimestre do ano passado. O Ebtida (lucro operacional) da empresa está projetado em R$ 300 milhões.

Expectativas são positivas para os balanços

“Se os resultados vierem acima das expectativas, significa que o ritmo de retomada está mais rápido, avalia Rodrigo Moliterno, economista e head de Renda Variável da Veedha Investimentos.

Estimativa da Bloomberg aponta que o lucro por ação projetado de empresas listadas na B3 para o segundo semestre de 2021, em relação a igual período de 2020, aponta para crescimento de 230%. “A base de comparação é frágil, baixa, mas mesmo assim o resultado é significativo”, avalia Simone, da Reag Investimentos.

A expectativa, de acordo com o levantamento, é que as receitas das companhias no segundo trimestre tenham crescimento de 30% em relação ao segundo de 2020 – o aumento do faturamento no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2020 foi 20%.

Commodities são o destaque

O destaque nesse item do balanço coube às empresas do setor de commodities, cuja expectativa de lucratividade por ação (LPA, lucro por ação) é sete vezes mais que a do segundo trimestre de 2020.  O setor de tecnologia, energia e indústria de transformação vem em segundo, com estimativa de crescimento de 150% por ação. O segmento financeiro aparece em terceiro, com expectativa de crescimento de 80%.

Os demais setores, como os de saúde, utilities, consumo e comunicação, têm expectativa de queda de lucro por ação, de acordo com a Bloomberg.

Os balanços trimestrais que serão conhecidos nesta temporada de balanços do segundo trimestre, que começou no dia 20 e segue até dia 16 de agosto (com o IRB fechando a temporada), darão uma ideia mais clara de como está andando a economia, acreditam analistas. De antemão, contudo, empresas de dois setores de atividade tendem a explicitar em seus balanços resultados já esperados pelos analistas: companhias do setor exportador de commodities e as do setor de consumo de varejo.

“Empresas mais voltadas a negócios no mercado internacional, a operações fora do País, como as exportadoras de minério, aço, celulose e proteína animal, principalmente, devem exibir números muito positivos em seus balanços”, aponta Oliveira. Companhias como a Vale, que divulga o balanço na quarta-feira, 28, e Usiminas, na sexta, 30, ambas beneficiárias da forte escalada de preços externos das commodities. Resultados com brilho das companhias exportadoras, que incluem também a CSN, são como favas contadas para os analistas.

A expectativa de analistas de mercado é que empresas mais dependentes do mercado interno, como as do varejo que dependem de circulação de pessoas e sofreram com o lockdown entre março e abril, apresentem em geral balanços trimestrais abaixo dos resultados do primeiro trimestre.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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