Mercado Financeiro

As seguidas revisões para cima nas estimativas de IPCA para este ano e, principalmente, para 2022 têm levado o investidor a procurar proteção contra a inflação para o dinheiro em títulos, públicos e privados, com remuneração atrelada à correção monetária pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor). A variação projetada para o IPCA deste ano, de acordo com último boletim Focus, está em 6,56% e para 2022, em 3,80%.

Os dados de balanço do Tesouro Direto que o Ministério de Economia divulgou nesta-terça-feira, 27, confirmaram, mais uma vez, a preferência do investidor por títulos públicos que oferecem proteção contra inflação.

inflação sobe para 4,92% em 2021, segundo Focus
Estimativa de inflação para 2021 está em 6,56%, e para 2022, em 3,80%

Os títulos indexados à inflação – Tesouro IPCA – foram os mais procurados em junho, com participação de 43,37% (R$ 1,01 bilhão) nas vendas, pelos investidores pessoa física na plataforma do Tesouro Direto.

Os papeis com rendimento atrelado à taxa básica de juros – Tesouro Selic - ficaram em segundo lugar, com participação de 42,84% (R$ 1 bilhão). Os títulos com rentabilidade prefixada – Tesouro Prefixado – corresponderam a 13,80% (R$ 323,1 milhões) das vendas via internet pela plataforma em junho. O valor total de vendas dos três títulos somou R$ 2,34 bilhões.

Títulos Públicos

O Tesouro IPCA remunera com uma taxa de juros prefixada, que o investidor fica sabendo na hora da compra do papel, mais correção monetária pelo IPCA - o investidor assegura juro real e o capital protegido pela correção monetária equivalente à inflação.

Nesta terça-feira, o Tesouro IPCA 2026 ofereceu juro de 3,83% ao ano mais correção pelo IPCA; o mesmo título, com vencimento em 2035, uma taxa de 4,19% mais correção monetária. O Tesouro IPCA com Juros Semestrais para vencimento em 2040, juro de 4,19% mais correção.

São títulos que remuneram com taxa mais atraente que outras opções de renda fixa, mas exigem a permanência por tempo maior com o papel, até o vencimento, para que o investidor assegure o rendimento combinado.

Isso não impede, contudo, que o investidor venda o título no meio do caminho, por meio do programa de recompra de títulos do Tesouro. Mas aí corre risco de alguma perda, dependendo das condições do mercado.

O boletim sobre o balanço de junho do Tesouro Direto faz referência a essa possibilidade ao afirmar que “o Tesouro IPCA com Juros Semestrais 2055, que apresentou rentabilidade negativa em maio, pagará, em seu vencimento, em torno de 4,42% ao ano, acrescido da variação do IPCA no período para aqueles que o adquiriram em 30/4/2021.”

A rentabilidade negativa em maio, reflexo de turbulências no mercado futuro de juros, foi momentânea para quem permaneceu abraçado ao título. Mas pode ter redundado em perda para quem se precipitou e vendeu o título que circunstancialmente valia menos.

Caíque Coutinho, especialista de Renda Fixa da Veedha Investimentos, diz que o momento é de busca de proteção para um cenário volátil de inflação em alta e incertezas com a aproximação de eleição presidencial. Ele considera uma taxa prefixada de 3,83% ao ano do Tesouro IPCA 2026 adequada para um título soberano para o período de cinco anos.

Títulos privados

O Tesouro IPCA, contudo, não é uma oferta solitária no mercado de títulos de renda fixa que oferecem proteção contra a inflação. “Todos os títulos atrelados à inflação podem ser considerados boa opção, pois oferecem uma taxa de juro real positiva”, avalia Júlio Hegedus, economista e analista da Ohmresearch -plataforma de análises independentes. A melhor opção no momento, de incerteza crescente, “é carregar títulos pós-fixados”, reforça o analista.

O título do governo, o Tesouro IPCA, convive com outros de crédito privado, indexados também à inflação, como o CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e as debêntures incentivadas.

“São títulos isentos de imposto de renda que tendem a remunerar pouco mais que o Tesouro IPCA, porque a premissa é que título público oferece menos risco que o privado”, comenta Coutinho.

A rentabilidade ligeiramente maior nos papeis de emissão privada seria um prêmio adicional ao risco de crédito que supostamente embutem, mas as empresas são bastante consolidadas, com bom rating de crédito, para a emissão de títulos de dívida que são interessantes para a diversificação da carteira de investimentos, explica Coutinho.

Uma análise da empresa é importante, mas o fundamental é que o investidor se sinta confortável com o papel, entenda qual o momento de mercado dela. “Não é só a taxa, é preciso considerar também que esses títulos não têm FGC” – Fundo Garantidor de Crédito, que garante ressarcimento ao investidor no valor de até R$ 250 mil contra calotes.

A taxa de remuneração de CRIs e CRAs depende, em geral, da nota de crédito da empresa que emite o papel – quanto maior a nota, menor tende a ser a rentabilidade – e do prazo de vencimento do título.

O indexador mais comum para papeis de vencimentos mais longos, que se estende também para as debêntures incentivadas, é o IPCA acrescido de juros de 3,50% a 5% ao ano – a taxa média para vencimentos entre seis e sete anos é 4,50% ao ano. Em geral, esses títulos são emitidos com prazos que variam de três a quatro anos até 15 anos.

O investidor pode fazer o resgate antecipado desses papeis, com a venda no mercado secundário em sites de corretoras, mas a taxa pode não ser necessariamente a que aplicou, dependendo das condições do mercado de juros futuros, como ocorre com o Tesouro IPCA. Existe também a possibilidade de investir nesses títulos via fundos de investimento.

Fundos de inflação

Júlio Hegedus, analista da Ohmresearch, sugere ainda como escudo para proteção do poder aquisitivo do dinheiro os fundos de inflação, em que o gestor faz a escolha dos papeis. A carteira desses fundos é formada por uma cesta de títulos públicos indexados ao IPCA com o objetivo de superar um índice, em geral o IMA-B ou o IMA-B 5, com prazo de até cinco anos, ou o IMA-B 5+, com papeis de vencimento acima de cinco anos. Todos índices calculados pela Anbima.

“Os fundos de inflação são boa opção para o pequeno investidor, que pode precisar resgatar o montante investido antes do prazo definido para o título pelo Tesouro”, recomenda Hegedus.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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