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Mercado Financeiro

5 motivos que contribuíram para a forte queda da Bolsa e dos mercados globais nesta quarta-feira

Inflação global, taxa de juros nos Estados Unidos, China, leste europeu e commodities contribuem para a queda

Data de publicação:18/05/2022 às 18:49 -
Atualizado um mês atrás
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Se você acha que foram só as temperaturas nas regiões Sul e Sudeste do Brasil que caíram drasticamente nesta quarta-feira, 18, está enganado. Depois de um pregão mais ameno na véspera, com altas generalizadas nas bolsas de valores ao redor do mundo, o clima voltou a esfriar para os mercados globais.

Aqui no Brasil, o Ibovespa, principal índice acionário do País, registrou forte recuo de 2,34%, caindo aos 106.247 pontos, puxada por ações de empresas exportadoras de commodities, como Vale e Petrobras. Porém, o principal responsável por levar a B3 a fechar no negativo foi o tombo das bolsas americanas.

bolsa dólar mercados globais
Mercados globais viveram dia de pessimismo generalizado | Foto: Reprodução

Nos Estados Unidos, as baixas foram ainda mais expressivas que no Brasil. O índice Nasdaq 100, que reúne as principais empresas de tecnologia - setor altamente afetado em cenários de aversão ao risco -, despencou 5,06%. Na Europa, as bolsas também fecharam em queda.

Diversos são os fatores que explicam um pregão difícil: juros nos Estados Unidos, inflação na Europa, covid-19 na China, conflitos no leste europeu e queda nas commodities são os principais motivos.

Fechamento dos principais mercados globais

ÍndicePaísVariação
IbovespaBrasil-2,34%
Dow JonesEstados Unidos-3,57%
S&P 500Estados Unidos-4,04%
Nasdaq 100Estados Unidos-5,06%
Stoxx 600Pan-europeu-1,14%
FTSE 100Reino Unido-1,07%
DAX Alemanha-1,26%
CAC 40França-1,20%
Fonte: B3 e Investing

Principais motivos que levaram à queda dos mercados globais

Juros nos Estados Unidos

Na terça-feira (16), o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, afirmou em evento que a instituição poderá elevar a taxa básica de juros dos Estados Unidos acima do nível neutro - que por lá é de cerca de 3% ao ano - se tal medida for necessária para conter o avanço da inflação. A escalada dos preços no país preocupa as autoridades monetárias e a inflação já é a maior em 40 anos.

Se as taxas de juros de um país sobem, os títulos de renda fixa daquele lugar passam a entregar rentabilidades mais atrativas aos investidores. No caso dos Estados Unidos, em que as Treasuries (títulos públicos americanos) são considerados os ativos mais seguros do mundo, há uma migração em massa dos investidores para esses investimentos.

Assim, são retirados recursos de ativos considerados de risco, como as ações e o mercado de renda variável como um todo.

Inflação na Europa

A inflação alta não é problema apenas no Brasil e nos Estados Unidos. Esta quarta foi dia de alguns indicadores europeus serem divulgados e os resultados impactaram negativamente os mercados.

Na zona do euro, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) se manteve no nível recorde de 7,4% em abril, na comparação anual. Já no Reino Unido, o CPI avançou de para 9% em abril, atingindo a máxima histórica.

De acordo com Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, a divulgação dos dados não desagradou os investidores apenas pelos altos níveis inflacionários, mas também pela percepção de que os bancos centrais da Europa estão demorando demais para tomar uma atitude em relação ao controle da escalada dos preços, com a elevação da taxa de juros.

Casos de covid-19 na China

Já na China, o assunto principal não é a inflação, mas o aumento de casos de covid-19 no país pela primeira vez em cinco dias.

Um tema que vem preocupando os mercados globais já há algumas semanas é a situação da pandemia de covid-19 por lá. O país adotou uma política de tolerância zero contra a doença e, por isso, assim que os casos sobem, o governo adota medidas rigorosas de lockdown e isolamento social.

Como a China é um dos principais países demandantes de diversos produtos e matérias-primas do mundo, com o isolamento, os níveis de consumo caem por lá e toda a cadeia produtiva global é impactada, contribuindo para a aversão a risco global.

Conflitos no leste europeu

Nesta quarta, a Finlândia e a Suécia oficializaram seu pedido de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAM), após a Rússia iniciar uma guerra contra a Ucrânia. Os dois países nórdicos são vizinhos do país comandado por Vladmir Putin - a Finlândia tem cerca de 1,3 mil quilômetros de fronteira com a Rússia.

De acordo com Rodrigo Simões, especialista em Finanças e Economia e professor da FAC-SP, essa decisão da Finlândia e da Suécia provavelmente ainda vai mexer bastante com os ânimos do mercado porque não se sabe como os países envolvidos neste conflito vão reagir. Em um ambiente de incertezas, a aversão ao risco cresce e os ativos mais seguros ganham cada vez mais espaço contra a renda variável.

Simões destaca, ainda, que a guerra "tem piorado a cada dia a situação dos países do bloco europeu e do mundo como um todo". A região do leste europeu é provedora de boa parte da oferta de algumas commodities importantes, como petróleo, gás natural e trigo. Assim, com os conflitos acontecendo naquele território, a oferta dos produtos é reduzida, pressionando ainda mais a inflação.

Queda das commodities

O pregão desta quarta também foi marcado pela queda da cotação de algumas commodities, principalmente o petróleo e o minério de ferro, o que afeta diretamente o Brasil, já que as empresas com mais peso na composição do Ibovespa - Vale e Petrobras - são exportadoras desses produtos.

A desvalorização das commodities reflete a deterioração das perspectivas sobre o cenário macroeconômico global. Com mais inflação e projeções de que a atividade econômica deve sofrer um desaquecimento, a demanda pelas commodities tende a ser reduzida.

Sobre o autor
Bruna Miato
Repórter na Mais Retorno