Mercado Financeiro

Investidores e profissionais do mercado começam nova semana nesta segunda-feira, 11 de outubro, sem firme convicção de que o mercado financeiro dará continuidade à recuperação observada na sexta-feira. Entre uma ponte de feriado no mercado local e feriado nos Estados Unidos, a liquidez deve-se manter estreita, mas preocupações com inflação mais alta e crescimento mais baixo tendem a pesar nos negócios.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou o último dia de negócios da semana passada com valorização de 2,03%, em 112.833,20 pontos, depois de ultrapassar o nível de 113.400 pontos no meio da tarde.

Foto: Envato bolsa
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Embora tenha encerrado o pregão com alta menor, o desempenho apurado no fechamento do dia foi quase suficiente para zerar as perdas da semana – limitada a uma desvalorização residual de 0,06%.

O dólar, que transitou em alta praticamente a semana toda, fechou sexta-feira quase estável, com queda marginal de 0,02%, cotado por R$ 5,516, desempenho que assegurou uma valorização de 2,74% no mesmo período.

Especialistas argumentam que não houve nenhum fato novo convincente que pudesse justificar a súbita animação dos mercados. A reação positiva da bolsa de valores, após quatro dias iniciais da semana orbitando em torno de 110.500 pontos, foi atribuída a dois fatores, pontuais do dia.

Fatores que animaram o mercado

Um deles foi o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro abaixo das expectativas divulgado na sexta-feira. Em vez de 1,25% estimado pelo consenso de mercado, o IBGE anunciou uma alta ligeiramente menor, de 1,16%. O outro veio do exterior, os números de desemprego elevados nos EUA que indicam uma atividade econômica ainda fraca que não alinharia na ordem do dia a retirada imediata de estímulos monetários pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

Analistas dizem que o mercado financeiro deverá voltar o olhar, no cenário externo, aos focos que já vêm atraindo a atenção dos investidores, como o vaivém dos dados da economia chinesa, o comportamento dos preços das commodities, a crise energética, as expectativas em relação à inflação global e aos juros.

No âmbito doméstico, a expectativa é que o debate em torno do aumento dos combustíveis continue gerando ruídos políticos e reforce o temor do mercado financeiro de que esse embate gere mudanças, com viés populista, nos critérios de reajuste em vigor.

Investidores e gestores estarão atentos ainda à agenda de trabalhos no Congresso que abarcam temas ligados à questão fiscal, um dos principais pontos de preocupação do mercado financeiro. Um deles refere-se à forma de pagamento dos precatórios, em que o governo propõe um sistema de parcelamento para sua quitação; o outro é a reforma do imposto de renda no projeto de reforma tributária. O terceiro ponto é a busca de financiamento para bancar o novo programa social do governo. 

Os negócios desta segunda-feira, situada entre o fim de semana e o feriado de Nossa Senhora Aparecida amanhã, podem ficar esvaziados, mas o mercado financeiro não deixará de dispensar atenção aos dados do boletim Focus que o Banco Central divulgará às 8h30 desta segunda.

Mercados internacionais

A maioria dos mercados de ações na Ásia fecharam em alta nesta segunda-feira, 11. Apenas o de Xangai trabalhou em estabilidade, enquanto os da Coréia do Sul e de Taiwan não deram expediente por causa dos feriados locais.

O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou com valorização de 1,60%, em 28.498,20 pontos. Investidores locais reagiram positivamente à declaração do novo primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, de que não considera mudanças no imposto sobre ganhos de capital local. A força do dólar frente ao iene também ajudou ações de exportadoras japonesas.

Na China, a Bolsa de Xangai encerrou o pregão em baixa de 0,01%, em 3.591,71 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, recuou 0,43%, para 2.514,87 pontos. Os negócios locais continuam oscilando dentro de uma faixa menos movimentada, por causa do período de feriados locais.

Ações ligadas à energia estiveram sob pressão, pela preocupação dos investidores com o custo elevado do carvão, apesar do esforço recente do governo chinês para garantir a oferta de carvão e apoiar aumento nas tarifas de eletricidade.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng subiu 1,96%, para 25.325,09 pontos. O destaque foram as ações das empresas de tecnologia, reflexo da animação do setor com a perspectiva de retomada de diálogo bilateral sobre comércio entre Estados Unidos e China.

Na Oceania, o índice S&P/ASX 200, da bolsa de Sydney, recuou 0,28%, para 7.299,80 pontos, no fechamento. Os setores de tecnologia e saúde e papéis ligados a jogos puxaram a baixa, compensada em parte pelo bom desempenho geral dos papeis de commodities.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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