Mercado Financeiro

O mercado financeiro tende a permanecer em trajetória positiva com a melhora no cenário internacional, reforçada pela manutenção dos juros na véspera nos EUA, e no quadro doméstico pela redução das preocupações fiscais, com a perspectiva de encaminhamento de uma solução para o pagamento de precatórios.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com valorização de 1,84%, a segunda consecutiva. O dólar acompanhou e subiu 0,34%, para R$ 5,30.

Bolsa de olho na PEC emergencial
Mercado financeiro deve melhorar humor com alívio no cenário externo - Foto: Envato

Investidores e gestores de mercado reagiram bem, no dia anterior, à decisão de política monetária tomadas pelos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), elevou um ponto porcentual a taxa básica de juros, a Selic, para 6,25% ao ano, uma decisão que veio em linha com a expectativa dos analistas de mercado.

A Selic de 6,25% ao ano é a mais elevada em dois anos e a expectativa de economistas e analistas é que venham novas altas nas próximas reuniões do Copom, duas delas ainda este ano.

A expectativa é que o ano termine com a Selic acima de 8% ou em 8,25%, caso o BC reprise mais dois ajustes de 1 ponto porcentual em 2021. Comunicado divulgado após a reunião já indicou novo aumento desse calibre no próximo encontro.

Cenário externo também favorece o mercado

A manutenção dos juros de curto prazo americanos entre 0% e 0,25% pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) também não surpreendeu, porque já era esperada. Autoridades do banco central americano indicaram que, diante dos sinais ainda não muito claros da economia americana, os juros só devem começar a subir em 2023. 

O presidente do Fed, Jerome Powell, declarou, por sua vez, que a primeira redução no programa de estímulos monetários, com o corte gradual de recompra de títulos, poderá ter início em novembro. A fala de Powell, contudo, não provocou reação negativa no mercado.

A perspectiva de um encaminhamento satisfatório da crise financeira da incorporadora chinesa Evergrande, que anunciou um acordo com os credores para o pagamento de títulos de dívida, também animou o mercado financeiro, que agora deverá ficar mais focado na agenda de trabalhos do Congresso.

Espera-se uma definição para o pagamento parcelado dos precatórios e algum avanço também nas propostas de reforma administrativa e tributária.

Reforma administrativa

Os desdobramentos das principais reformas do País seguem sendo acompanhadas pelo mercado. Por um placar apertado, com uma diferença de apenas três votos, a comissão especial da reforma administrativa rejeitou um requerimento de retirada de pauta. Foram 22 votos contra e 19 favoráveis.

O relator, Arthur Maia, apresentou nesta quarta-feira, 22, alterações, ao texto protocolado mais cedo, em que ele deixa claro que incluiu juízes e promotores no corte de privilégios promovidos pela reforma.

O relator da reforma administrativa, deputado Arthur Maia, retomou a possibilidade da redução em até 25% de jornadas e salários de servidores públicos, agora, com a ressalva de que a medida poderá ser adotada só em "cenário de crise fiscal, como alternativa em relação à adoção de outra mais drástica, o desligamento de servidores efetivos", diz o relatório.

Bolsonaro: isolamento

No cenário interno, os investidores mantêm o radar ligado nas movimentações políticas. O secretário especial de Comunicação Social do Planalto, André Costa, informou que o presidente Jair Bolsonaro seguirá recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e permanecerá em isolamento no Palácio da Alvorada por pelo menos cinco dias, após ter tido contato com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que testou positivo para a covid-19.

No entanto, quando a delegação brasileira já sabia da situação de Queiroga, o presidente se reuniu com apoiadores na porta do seu hotel.

Bolsonaro permaneceu por mais de 20 minutos, sem máscara, entre manifestantes bolsonaristas. A aglomeração aconteceu quando saiu do hotel onde se hospedou em Nova York rumo ao aeroporto de onde o avião presidencial decolou para Brasília. 

Pesquisa eleitoral: Bolsonaro perde espaço

A maioria absoluta dos eleitores considera o governo Jair Bolsonaro ruim ou péssimo, segundo pesquisa Ipec divulgada na véspera. É a primeira vez que isso acontece na sequência de três levantamentos que o instituto fez desde o início do ano.

Além da avaliação negativa, a pesquisa trouxe outra notícia negativa para o presidente: se ele disputasse hoje o Palácio do Planalto, teria menos da metade dos votos de seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, que venceria no primeiro turno.

Nada menos que 42% dos brasileiros em idade de votar acham que o governo é péssimo. Para outros 11%, é ruim. A soma das avaliações negativas chega a 53%, quatro pontos porcentuais acima do registrado em junho, quando foi feita a pesquisa anterior do Ipec. Desde fevereiro, esse aumento foi de 14 pontos.

STF: trabalho ‘desafiador’

O ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um balanço do seu primeiro ano no comando da Corte e disse que o trabalho tem sido 'desafiador' em razão da pandemia e do ambiente político.

Na primeira metade do biênio que delimita o seu mandato à frente do colegiado, os ataques do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores aos ministros do Supremo se intensificaram.

Neste cenário, Fux atuou diversas vezes em conjunto com os outros Poderes para encerrar a crise política, mas, também, foi firme ao lidar com o Palácio do Planalto diante dos ataques recorrentes aos membros da Corte.

"Para além da crise sanitária que vivenciamos, a atual conjuntura trouxe reflexos político-institucionais e socioeconômicos, que tem testado o vigor das nossas instituições políticas", afirmou.

Sem citar Bolsonaro, Fux disse que o tribunal segue 'estável, resiliente e coeso' e tem contribuído para a 'estabilidade institucional'.

Wall Street: mercado aliviado

As boas notícias vindas da China, após dias de turbulência com preocupações sobre a gigante chinesa Evergrande, e a decisão do Fed de manter a taxa de juros entre 0% e 0,25% trouxeram mais tranquilidade para as bolsas de Nova York. Os contratos futuros negociados por lá operam em alta.

O presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, afirmou que o conselho do Fed "ainda não decidiu sobre o tapering nem sobre seu ritmo", mas adiantou que o processo de redução nas compras de bônus pela autoridade monetária tende a ser "muito gradual".

Powell destacou ainda que o ritmo da redução nas compras pode ser alterado para mais ou para menos durante o processo, a depender do quadro.

Durante entrevista coletiva no dia anterior, Powell disse que o país segue com desequilíbrios no mercado de trabalho, mas acredita que eles serão resolvidos.

Em sua visão, por muitas métricas, a criação de empregos no país está "apertada". Um dos desequilíbrios citados por ele foi a desigualdade nas taxas de desemprego entre diferentes grupos étnicos nos EUA.

Outro tema abordado foram as expectativas de inflação no país, que Powell reconheceu terem "subido um pouco nas nossas projeções".

Segundo o dirigente, a autoridade segue bastante atenta às expectativas para os preços. Por sua vez, em sua visão, o salto nas expectativas de inflação em grande medida compensa a fraqueza anterior nessa frente enfrentada anteriormente pelo país.

Powell enfatizou também a importância de que o teto da dívida seja elevado "em um cronograma adequado" e comentou que os Estados Unidos não devem declarar default de sua dívida.

Ele ressaltou que não é possível esperar que "o Fed ou qualquer um possa proteger os mercados", caso não ocorra sucesso nessa iniciativa e o país acabe em default. Em sua fala, o presidente da autoridade monetária enfatizou o "dano severo" à economia e aos mercados financeiros que isso acarretaria.

Quanto ao Fed, Edward Moya, analista da Oanda, aponta que os ativos de risco "adoraram" o comunicado e as projeções atualizadas, já que a autoridade "telegrafou" que estava se aproximando de um anúncio de tapering e continua a mostrar que não tem pressa em aumentos das taxas de juros.

"O maior risco para o mercado de ações é o ritmo acelerado de aperto e o Fed está sinalizando que é algo que eles evitarão, a menos que estejam completamente errados sobre a inflação", avalia Moya.

As declarações de Powell sobre o avanço na persistência da alta na inflação e sobre o tapering foram recebidas com mais cautela e mantém os investidores atentos aos sinais de quando essa retirada de estímulos pode acontecer.

Sobre a Evergrande, a LPL Markets é a maior manchete dos mercados no momento, e indica que um contágio como o observado durante a crise financeira global de 13 anos atrás é improvável, dados os interesses e o nível de controle do governo chinês, a qualidade das garantias da empresa e a exposição limitada a um possível default fora da China.

Na véspera foi anunciado que o Partido Comunista da China (PCC) está finalizando um acordo para reestruturar a gigante do setor imobiliário e separá-la em três entidades distintas, o que ofereceu algum alívio aos mercados.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira, à medida que a ação da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande disparou em Hong Kong e um dia após o Fed adiar a retirada de estímulos monetários.

Na volta de um feriado em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,19% hoje, aos 24.510,98 pontos, graças a uma recuperação de ações de incorporadoras imobiliárias chinesas liderada pela Evergrande, que alega estar avançando no sentido de resolver sua crise de liquidez.

Apenas o papel da Evergrande saltou 17,62% em Hong Kong, depois de chegar a disparar 32% na primeira metade dos negócios. Desde o começo do ano, porém, a ação ainda acumula perdas de mais de 80%. Na quarta-feira, uma subsidiária da Evergrande prometeu honrar o pagamento de juros sobre bônus que vencem hoje.

Na China continental, o dia foi de valorização moderada: o Xangai Composto subiu 0,38%, a 3.642,22 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,46%, aos 2.451,36 posontos.

Em outras partes da Ásia, o Taiex registrou alta de 0,90% em Taiwan, aos 17.078,22 pontos, mas o sul-coreano Kospi caiu 0,41% em Seul, aos 3.127,58 pontos, ao retornar de um feriado de três dias. O mercado de Tóquio, por sua vez, não operou nesta quinta devido a um feriado nacional no Japão.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul, impulsionada principalmente por ações de tecnologia e de petrolíferas. O S&P/ASX 200 avançou 1% em Sydney, aos 7.370,20 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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