Economia

O mercado recebeu o ajuste de 1 ponto na Selic, que agora está em 6,25%, sem nenhuma surpresa, mas já projetando uma taxa de 8,25% ao ano no fim de 2021, e avaliando as consequências dessa taxa nos investimentos e na economia.

Os analistas apostam em alta da Selic dentro do mesmo ritmo até dezembro, não apenas porque no comunicado emitido ao final da reunião, o Comitê de Política Monetária declarou expressamente que “para a próxima reunião antevê outro ajuste da mesma magnitude”, mas porque também admitiu que considera o tamanho do ajuste adequado para manter a inflação dentro das metas fixadas pelo Banco Central.

Foto: Arquivo
Selic deve ter mais dois ajustes de 1 ponto nas próximas duas reuniões do Copom neste ano e deve ir a 8,25%

O economista-chefe da Necton, André Perfeito, acredita que nas duas próximas reuniões do Copom este ano, uma em outubro e outra em dezembro, haverá um aumento da Selic em 1 ponto, em cada uma delas, resultando em um juro de 8,25%.

Ele explica que são principalmente quatro as razões para a elevação da taxa também em dezembro: inflação persistente, provável início de retirada de estímulos monetários à economia americana (tapering); reformas estruturais emperradas no País; e dólar ainda resiliente.

“Não iremos ainda alterar de maneira significativa nosso cenário para 2022 uma vez que iremos esperar a divulgação do IPCA-15 que será na próxima sexta-feira. Se vier acima da nossa projeção de 1,08% em setembro, o que elevaria a taxa anual para 10%, devemos rever mais decididamente nossas projeções”, afirma o economista da Necton.

O economista-chefe da Ativa Investimento, Étore Sanchez, compartilha da mesma opinião de que o Copom deve manter a elevação da Selic na mesma toada até o fim do ano.

“Avalio que a autoridade irá elevar a Selic em 100bps nas duas oportunidades que restam esse ano, fechando 2022 a 8,25% e por mais uma vez na reunião de janeiro, encerrando o ciclo em 9,25%”, afirma Sanchez.

Dentro desse cenário, o economista faz uma revisão em suas projeções de inflação e crescimento do PIB no próximo ano. “Com a Selic média mais baixa nesse ano elevamos nossa perspectiva para o IPCA de 2022 de 3,7% para 3,8%. A despeito desse movimento, reduzimos o índice de inflação para 2023 de 3,25% para 3,10%. Com isso, o PIB do ano que vem sofre, e é alterado de 1,6% para 1,5%, e o de 2023 cai de 2,5% para 2,4%”.

Como ficam os investimentos

O professor e especialista líder em Investimentos e Alocação de Ativos do Itaú Unibanco, Martin Iglesias, acredita que “a Selic em 6,25% traz a perspectiva de que os produtos pós-fixados (DI) voltem a projetar juros reais positivos para os próximos 12 meses, fato não observado há algum tempo”.

Para ele, essa situação pode indicar o início de um redirecionamento das alocações, migrando da renda variável para produtos mais conservadores de renda fixa, que é o chamado “efeito portfólio”. No entanto, segundo o professor, a alta da Selic não deve ter impactos relevantes nos títulos de renda fixa mais longos, pois são menos sensíveis à mudança na taxa de curto prazo.

A alta dos juros pode, ainda, na opinião de Iglesias, “trazer também algum impacto no câmbio, com possível depreciação do dólar, provocada por eventual movimento de atração de investidores estrangeiros de renda fixa para o mercado brasileiro”.

Ao mesmo tempo, ele lembra que “a variação cambial é também influenciada por outros fatores como o cenário global, aumento de juros em outros países, além de preocupações ligadas à situação fiscal do Brasil”.

Outros efeitos de alta da Selic na economia

O presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, (Abrainc) considera que a Selic em 6,25% não deve prejudicar o setor imobiliário. “A taxa de juros real segue negativa, o que configura um excelente momento para investimento em imóveis”.

Além disso, ele pondera que "as condições para aquisição da casa própria permanecem atraentes, a contratação de crédito imobiliário continua crescendo e a elevação da Selic não vai inviabilizar os planos de quem está em busca de um imóvel."

Já o comércio poderá ser afetado pela taxa de juro mais elevada, que pode encarecer ainda mais o crédito, além do recente aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

"As taxas para crédito serão mais altas e isso acaba contribuindo para a diminuição do consumo", disse Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "Como estamos vindo de recuperação de perdas causadas pela pandemia, essa diminuição de prejuízo vai ocorrer um pouco mais lenta do que poderia nestes próximos meses", explicou.

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Editora do Portal Mais Retorno.

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