Mercado Financeiro

Em dia sem muitas novidades, a bolsa de valores fechou com ligeira queda, de 0,18%, a 116.633 pontos. A valorização em torno de 6% acumulada neste mês de março pode ter motivado investidores a venderem seus papeis, aumentando a oferta e deprimindo os preços, especialmente dos papeis mais líquidos, os mais negociados.

Com um olho no cenário político e fiscal do País, e outro sobre o pacote de infraestrutura do governo americano e as providências para aumentar a velocidade da vacinação o mercado de ações foi transitando ora pelo terreno positivo, chegando a 117.932 pontos, ora pelo negativo, batendo em 115.932 pontos.

Já o dólar fechou com uma queda mais expressiva, de 2,31%, e cotado a R$ 5,63, também sem motivos mais convincentes para esse recuo. A não ser pelo fato de ser este dia o de formação da taxa Ptax, que servirá de base para a liquidação de contratos no mercado de opções, o que leva a pressões entre investidores comprados e vendidos.

Bolsa flerta com os 117 mil pontos e opera com volatilidade
Bolsa flerta com os 117 mil pontos e opera com volatilidade - Foto: Reuters

Não à toa, os papeis de bancos, que contam com alta liquidez, puxaram para baixo o Ibovespa. Ações do Bradesco (BBDC4 e BBDC3) registraram baixa de 2,85% e 2,34%, respectivamente. Na mesma trilha, os papeis do Banco do Brasil (BBAS3) apontavam recuo de 1,04%. Já o Itaú Unibanco desvalorizava 2, 59%. Dados atualizados às 13h50. Juntos, os três bancos respondem por 15% da carteira teórica da B3.

As siderúrgicas mantêm seus papéis valorizados ao longo do dia, na esteira do minério de ferro. As siderúrgicas Gerdau (GGBR4) atingiam alta de 2,10%, Vale (VALE3), leve alta de 0,27% e CSN (CNSA3), 0,60%. Dados atualizados às 14h24.

Por conta da divulgação de seus resultados financeiros e da notícia sobre a aquisição da distribuidora CEEE-D em leilão, as ações da Equatorial ON (EQTL) atingiu a liderança das altas da B3, com valorização de 6,51%, às 14h41. Na sequência, os papeis da Cielo (CIEL3) também registraram gsnhos de 5,31%, reflexo da divulgação da notícia sobre autorização de pagamentos via WhatsApp pelo Banco Central.

Segundo Marcio Loréga, analista técnico da Ativa Investimentos, o aguardo do anúncio do novo pacote de infraestrutura do presidente americano Joe Biden, de cerca de US$ 2 trilhões, está trazendo um pouco mais de apetite ao risco. "Isso pode gerar novas demandas por commodities, principalmente de minério e ferro, o que deve ser positivo para o Brasil". E, segundo o especialista, o mercado deve estar mais volátil até o final do dia.

Já o dólar se mantém em baixa ao longo do último dia do mês, dia de fechamento de Ptax. Às 13h47, a moeda americana à vista desvalorizava 1,22% e estava sendo vendida a R$ 5,692. Segundo analistas, o dia deve ser marcado por um pouco mais de volatilidade no câmbio devido à formação da taxa.

Thayná Vieira, analista da Toro Investimentos, afirma que o comportamento do mercado financeiro está pautado por vários fatores, sendo o Orçamento 2021 o que mais pesa na volatilidade nesse momento. "Há muitas dúvidas e incertezas sobre o Orçamento 2021, quais medidas serão tomadas para evitar a ocorrência de um crime de responsabilidade fiscal".

Ela aponta também os reflexos dos anúncios sobre a primeira reunião realizada pelo comitê do governo voltado para buscar alternativas para frear a velocidade da contaminação. "O ministro da Saúde sinalizou que irá aumentar a velocidade da vacinação no país e isso também foi bem recebido pelos investidores"

Quadro fiscal preocupante no Brasil

A principal preocupação de curto prazo de analistas e profissionais de mercado, comenta Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valore Investimentos, é com o delicado quadro fiscal do País. Uma preocupação que explicaria o interesse pelo avanço das reformas. Uma das variáveis da equação em busca de controle do déficit das contas públicas é a retomada da atividade econômica.

Causa mal-estar, na questão fiscal, a perspectiva de uma retomada mais devagar da atividade, analisa Oliveira. Agrava o sentimento de incerteza a falta de previsibilidade de recuperação da economia, em cenário de descontrole da pandemia e de ritmo vagaroso de vacinação.

Nessa toada, com o interesse focado mais nessas questões, mais ligadas à economia, não será surpreendente, para especialistas, se o mercado financeiro mantiver uma trajetória positiva nesta semana mais curta. Além de mais curta, em clima de semiferiado, pela antecipação dos feriados que viriam à frente. Uma medida para conter o avanço do coronavírus.

A dança das cadeiras nos ministérios e na cúpula do governo Bolsonaro gera preocupação, mas aparentemente marginal, no momento. “Os mercados têm se comportado com uma visão pouco mais pragmática”, avalia Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos.

Por visão pragmática entende-se que o foco de investidores está dirigido aos resultados que poderiam ser colhidos na esteira desses movimentos em Brasília. A ideia é que, com as trocas, o governo busca entendimento mais afinado com o Centrão. Um alinhamento que poderia abrir caminho para a aprovação das reformas econômicas no Congresso.

Uma estratégia em que estaria acoplada ainda, também com vistas ao destravamento das reformas, uma aproximação entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira. Na véspera, Paulo Guedes fez um apelo ao governo e parlamentares para que os acordos caibam nos orçamentos.

No cenário da pandemia, o Brasil segue registrando altas consecutivas de mortes por causa do coronavírus - na véspera, o país contabilizou 3.668, um novo recorde diário

Bolsas em Nova York sobem e Treasuries atinge 1,77%

Na expectativa sobre o anúncio do pacote de infraestrutura de US$ 2 trilhões, as bolsas de Nova York operam com sinal positivo na tarde desta quarta-feira. Às 13h48, o S&P 500 acumula leve elevação de 0,72%, Dow Jones na mesma esteira, com valorização sensível de 0,13%, e Nasdaq 100, também no positivo, com 1,94%.

Os rendimentos do Tesouro de dez anos subiram pela quarta vez em cinco dias, altas que refletem expectativas de pressão inflacionária e de recuperação econômica dos Estados Unidos, fatores que podem levar o Fed (Federal Reserve) a voltar a apertar sua política monetária antes do previsto.

O presidente do Federal Reserve afirmou  na véspera estar "otimista sobre a economia no geral", com vacinação e estímulos fiscais, e acrescentou que os Estados Unidos devem ter uma recuperação forte. Segundo o dirigente, o nível de juros baixos ajuda em uma recuperação mais forte e na manutenção de negócios.

A Casa Branca forneceu a parlamentares detalhes de um plano de infraestrutura de cerca de US$ 2 trilhões que também prevê o aumento de impostos sobre as empresas, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. O projeto será anunciado ao longo do dia de hoje pelo presidente americano, Joe Biden.

Parte das despesas será financiada por meio da elevação de tributos, incluindo aumento do imposto corporativo de 21% para 28% e alta na taxação de lucros estrangeiros, em um prazo de 15 anos.

O pacote será o primeiro de um programa de duas partes que visa reformular a política econômica do país e melhorar a competição com a China. A expectativa é de que Biden anuncie a primeira seção, incluindo planos para gastar bilhões em estradas, pontes e banda larga.

Combinadas, as propostas econômicas de Biden devem custar US$ 3 trilhões ou mais ao longo de uma década, de acordo com pessoas envolvidas nas discussões. Não se sabe quanto do segundo pacote será pago por meio de aumentos de impostos.

Bolsas asiáticas acompanham Nova York e fecham em baixa nesta quarta-feira

As bolsas asiáticas fecharam em baixa nesta quarta-feira, 31, acompanhando o tom negativo dos mercados acionários de Nova York.

O índice japonês Nikkei caiu 0,86% em Tóquio hoje, aos 29.178,80 pontos, enquanto o Hang Seng recuou 0,70% em Hong Kong, aos 28.378,35 pontos, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 0,28% em Seul, aos 3.061,42 pontos, e o Taiex registrou perda de 0,75% em Taiwan, aos 16.431,13 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve baixa de 0,43%, aos 3.441,91 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,52%, a 2.217,62 pontos.

No mercado japonês, as ações do setor financeiro lideraram as perdas nesta quarta. Em seu terceiro pregão negativo, a Nomura Holdings caiu 2,94% e o Mitsubishi UFJ Financial Group recuou 3,87%.

Bovespa conclui pregão de véspera em alta à margem das turbulências domésticas

A B3 fechou a véspera com valorização de 1,24%, em 116.849,67 pontos, e o dólar com alta residual de 0,08%, cotado por R$ 5,76.

O mercado financeiro tem tocado os negócios à margem das turbulências provocadas pela troca de cadeiras no alto escalão do poder. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, emplacou a quarta valorização seguida. O dólar recuou, ainda que discretamente. / com Tom Morooka, Reuters e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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