Mercado Financeiro

A Bolsa de Valores pelo quarto dia consecutivo fechou em alta: o Ibovespa fechou à marca de 120.700,67, com avanço de 0,34%, embora tenha ultrapassado os 121 mil pontos durante as negociações. Comportamento que foi influenciado pelo mercado externo e também por valorização expressiva em papeis de Hering e Arezzo.

A disparada nas cotações das duas empresas acontece um dia depois de a Hering ter recusado a proposta de compra feita pela Arezzo. O interesse da segunda pela primeira, despertou o olhar do mercado para os papeis da Hering considerados baratos diante do potencial de alta que o papel pode apresentar, as ações da empresa, HGTX3 registrou a maior alta do pregão, com valorização de 28,13%. Ao mesmo tempo, a atitude da Arezzo em busca de crescimento por meio de fusões e aquisições também foi interpretada pelos investidores e os papeis da empresa fecharam com atla de 8,35%.

Ainda no ambiente interno, a divulgação de números de crescimento do setor do varejo, de 3,7% em fevereiro, acima do que o mercado aguardava, também teve efeito positivo sobre os negócios com ações. Embora analistas já estejam agora projetando uma queda do setor em março, decorrente de aumento da pandemia com novas medidas de restrições nas atividades econômicas.

Lá fora, as bolsas de Nova York seguiram o viés de alta, com os analistas repercutindo os resultados trimestrais dos principais bancos e com o anúncio positivo do número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos pelo Departamento de Trabalho do país. Em NY, Dow Jones subiu 0,9%, S&P 500, 1,11% e Nasdaq, 1,51%.

Mercado financeiro americano opera em alta nesta quinta-feira influenciado pelas boas notícias econômicas - Foto: Freepik/vwalakte

Na semana encerrada em 10 de abril, foram feitos 576 mil pedidos, o que representou uma queda de 193 mil solicitações. Trata-se do menor nível do indicador desde 14 de março do ano passado.

Já sobre a produção industrial do país, segundo anúncio do Fed (o banco central americano) nesta quinta-feira, houve um crescimento de 1,4% em março, na comparação com fevereiro. Analistas esperavam um crescimento mais acentuado, de 2,7%.

As vendas no varejo do país cresceram 9,8% em março, índice bem acima das expectativas do mercado, que esperavam um índice próximo a 6%.

Segundo Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, o resultado coincide com o período posterior à liberação dos cheques de cerca de US$ 1,4 mil do pacote de estímulo fiscal que o governo americano enviou para a maioria das famílias do país.

Para os analistas do BTG Pactual, os resultados desses indicadores acima das expectativas podem influenciar s discussões em torno do pacote de incentivo à renovação da infraestrutura do país.

"A medida, com o volume de recursos apresentados pelo governo, de cerca de US$ 2,2 trilhões, tem forte resistência do partido republicano e de algumas alas do partido democrata. A retomada da economia em ritmo muito acima do esperado pode provocar a desidratação da proposta", aponta.

Já sobre a temporada de balanços trimestrais dos bancos americanos, hoje foi a vez do Bank of America (BofA) comunicar seus números. No período, a instituição registrou lucro líquido de US$ 8,1 bilhões, mais do que dobrando ganho de US$ 4 bilhões obtido em igual período no ano passado.

Já em relação à receita, o BofA contabilizou US$ 22,9 bilhões, valor acima da expectativa de US$ 22,1 bilhões apontada pelos analistas.

O investidor estrangeiro ingressou com R$ 963,1 milhões na bolsa brasileira no dia 13 de abril, conforme informações divulgadas hoje pela B3.

Assim, o saldo líquido do investidor estrangeiro em abril está positivo em R$ 1,96 bilhão, resultado de R$ 113.18 bilhões em compras e R$ 111,22 bilhões em vendas. Em 2021, está positivo em R$ 14,12 bilhões.

Cenário externo faz dólar se manter em baixa

O Dólar comercial manteve a trajetória de ontem, quando teve queda no mundo todo, e fechou com recuo de 0,75%, negociado a R$ 5,628. Às 14h, a moeda americana apresentava queda mais acentuada, de 0,93%, cotado a R$ 5,618.

Nas primeiras horas de negociação, a queda era ainda maior, de 1,30%, ao nível de R$ 5,5968.

Investidores estão de olho na indefinição do Orçamento 2021

No ambiente doméstico, as atenções estão voltadas para a solução do impasse em torno do Orçamento 2021. A peça orçamentária definirá quanto o governo poderá gastar ao longo deste ano, sem furar o teto de gastos determinado por lei.

A incerteza política aumenta à medida que os dias correm. O presidente Bolsonaro tem prazo de mais sete dias para sancionar, com vetos ou sem o Orçamento, tal como aprovado pela Câmara.

A questão, de acordo com especialistas, é que ao sancionar o Orçamento como está o presidente estaria cometendo crime de responsabilidade.

A peça comporta despesas que desrespeitam o teto de gastos e colocariam o presidente na rota de possível pedido de impeachment.

Caso sancione o Orçamento com vetos, o presidente estaria criando caso com parlamentares do Centrão e poderia perder o apoio dos parlamentares desse grupo político na CPI da Pandemia.

CPI da Covid-19: aprovação e próximos capítulos

O mercado também está atento às repercussões da decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na véspera, que confirmou o pedido do ministro Luís Barroso para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a gestão da pandemia pelo governo federal.

No final da noite da última quarta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco afirmou que ainda definirá a data de instalação da CPI, mas garantiu que irá viabilizar o funcionamento da investigação.

A comissão terá um prazo de 90 dias para concluir os trabalhos. Esse período, porém, pode ser prorrogado por decisão de Pacheco. Por outro lado, o Palácio do Planalto tenta adiar ao máximo a investigação, temendo prejuízo político para o presidente Jair Bolsonaro.

Em paralelo, o Tribunal de Contas sinalizou que devem punir o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello e seus auxiliares por omissões na gestão da pandemia da covid-19, o que deve ser uma forte contribuição para engrossar o caldo da CPI.

Segundo o relator da ação, ministro Benjamin Zymler, uma das ações de Pazuello foi mudar o plano de contingência do órgão na pandemia, para retirar responsabilidades do governo federal sobre o gerenciamento de estoques de medicamentos, insumos e testes.

Pandemia: quinto dia de mortes acima dos 3 mil

O Brasil registrou 3.462 novas mortes pela covid-19 na última quarta-feira. A média semanal de vítimas, que elimina distorções entre dias úteis e fim de semana, ficou em 3.012, ficando pelo quinto dia seguido acima dos 3 mil.

Em apenas 14 dias no mês de abril, o número de vítimas fatais provocadas pelo coronavírus ultrapassou a marca de 40 mil pessoas, totalizando 40.294. Pesquisadores e cientistas continuam apontando que será um mês muito complicado da pandemia no País e que as medidas de isolamento precisam ser reforçadas para evitar um cenário pior.

Em termos de vacinação, o número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou a 24.956.272, o equivalente a 11,79% da população total.

O diretor executivo da Organização Mundial de Saúde (OMS), Mike Ryan, citou nesta quarta-feira, 14, o Brasil como um caso de "perda de controle" na luta contra a pandemia.

Bolsas asiáticas fecham mistas nesta quinta-feira

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta quinta-feira, divididas entre a perspectiva de recuperação econômica, após o choque da pandemia da covid-19, e a possibilidade de que a retomada leve à remoção de estímulos monetários e fiscais, em especial na China.

O índice acionário japonês Nikkei teve alta marginal de 0,07% em Tóquio hoje, aos 29.642,69 pontos, sustentado por ações dos setores petrolífero e financeiro.

Enquanto isso, o sul-coreano Kospi avançou 0,38% em Seul, aos 3.194,33 pontos, graças principalmente a papéis de eletrônicos e internet, e o Taiex registrou ganho de 1,25% em Taiwan, aos 17.076,73 pontos.

No fim da noite da última quarta-feira, o BC da Coreia do Sul deixou seu juro básico inalterado na mínima histórica de 0,50% e prometeu manter a postura acomodatícia para apoiar o crescimento.

Já na China continental, o Xangai Composto caiu 0,52% nesta quinta, aos 3.398,99 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,54%, aos 2.206,55 pontos. E em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 0,37%, aos 28.793,14 pontos.

Os últimos indicadores chineses de inflação e comércio exterior mostraram que a segunda maior economia do mundo se mantém em plena recuperação, alimentando temores de que Pequim poderá reverter incentivos monetários e fiscais adotados em reação à pandemia.

Na próxima madrugada, a China irá divulgar números do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, assim como dados de produção industrial e vendas no varejo de março.

Por outro lado, a perspectiva de recuperação da economia global, ancorada por China e EUA, abre espaço para apetite por risco em partes da Ásia.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul, após dados mostrarem que a taxa de desemprego do país caiu de 5,8% em fevereiro para 5,6% em março. O S&P/ASX 200 avançou 0,51% em Sydney, a 7.058,60 pontos, renovando máxima em 14 meses. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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