Mercado Financeiro

A Bolsa de Valores fechou em queda de 1,26%, aos 117.712,00 pontos, nesta terça-feira, 4, devido à cautela de investidores, que observam as repercussões do noticiário político no mercado de capitais.

A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Compom), realizada hoje, também está no radar dos investidores. A aposta majoritária do mercado é de nova elevação de 0,75% da Selic, que, assim, ficaria em 3,5% ao ano. 

Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Outro fator que divide as atenções é o noticiário corporativo no Brasil, com a divulgação de resultados fortes no primeiro trimestre. Porém, os bons números foram insuficientes para impedir o impacto negativo do mercado internacional na Bolsa.

Balanços: ações dos bancos em baixa

Apesar dos números dos balanços dos bancos Santander e Itaú Unibanco virem acima das expectativas do mercado, assim como boa parte dos resultados trimestrais das empresas, os papéis das principais instituições financeiras registram queda nesta terça-feira.

O desempenho do banco Itaú Unibanco, divulgado na véspera, superou as expectativas dos analistas, com lucro líquido no 1º trimestre de 2021 de R$ 5,4 bilhões, alta de 59,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As ações do Itaú (ITUB4) tiveram forte recuo de 4,05%, assim como Santander (SANB11), com baixa de 2,37%. Em sentido oposto, os papéis do Bradesco (BBDC3 e BBDC4), que tem seu balanço divulgado hoje após o fechamento dos mercados, registraram leves ganhos de 0,07%.

Após a divulgação de seus resultados trimestrais na véspera, a Alpargatas (ALPA3 e ALPA4) viveu dia positivo na B3. As ações ações seguiam valorizando 10,7% e 13,44%, respectivamente.

Os investidores acompanham nesta terça-feira a divulgação dos números trimestrais de empresas como Bradesco, Assaí, Minerva, Copasa, entre outras.

Alguns analistas acreditam que os resultados do Bradesco devem ser ainda mais fortes do que os do Itaú, que apostam em um crescimento de 70% no lucro líquido do período.

Dolár sobe

Depois de quedas expressivas, o dólar volta a se valorizar frente ao real. Ao fim do período de negociações de hoje, a moeda americana registrou alta de 0,22%, cotada a R$ 5,431

No exterior, a moeda americana subiu perante as emergentes, divisas ligadas a commodities e também de economias desenvolvidas. Ainda que a abertura do mercado local tenha sofrido influência direta do exterior, o foco do investidor se manteve sobre a cena política doméstica.

Além de hoje ser o primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), analistas aguardam a CPI da Covid e também a leitura do relatório sobre a Reforma Tributária, prevista para hoje de tarde.

"O foco da semana serão as oitivas, na CPI da Covid do Senado, dos ex-ministros da Saúde do Governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello; do atual ministro, Marcelo Queiroga, e do presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres", escreveu André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos.

CPI da Covid: Mandetta entrega carta enviada à Bolsonaro

O ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta prestou depoimento, hoje, na CPI da Covid, que apura responsabilidade do governo federal pela crise sanitária decorrente da pandemia do novo coronavírus. 

O antigo líder da pasta entregou à comissão cópia da carta que enviou a Bolsonaro com alertas relativos às possíveis consequências da disseminação do vírus para a saúde pública. A data do documento é de 28 de março de 2020. 

Após ser citado por Mandetta na comissão, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, publicou vídeo em que critica seu ex-ministro. "Eu não vi uma palavra do senhor quando no final do ano passado muitos estados, que tinham feito hospitais de campanha, desmontaram hospitais de campanha e o senhor não deu uma palavra em relação a isso, que poderia ter salvado muitas vidas também", disse ele.

Durante o depoimento, Mandetta leu um trecho da carta que entregou ao presidente Jair Bolsonaro em março com as previsões de mortes que seriam provocadas pela covid-19 no Brasil. Nela, o ex-ministro "recomendou expressamente" que a Presidência da República revisasse seu posicionamento, acompanhando as orientações do Ministério da Saúde.

"Uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população brasileira", dizia a carta entregue a Bolsonaro, segundo Mandetta.

O ex-ministro da Saúde voltou a dizer que alertou o presidente sistematicamente sobre os riscos da doença. "Tudo o que eu poderia fazer de orientar, 'não vai por esse caminho', foi feito, mas ele tinha provavelmente outras pessoas que apontaram que eu estaria errado", relatou.

NY: sinal indefinido

Os índices do mercado americano seguiram direções diferentes nesta terça-feira, 4, em que o Dow Jones registrou tímida elevação de 0,06%, ao contrário do S&P 500 e do Nasdaq, que fecharam com quedas de 0,67% e 1,96%, respectivamente.

Apesar das perdas, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell, demonstrou otimismo sobre a perspectiva econômica nos Estados Unidos, mas alertou que o país ainda não está “fora de perigo” diante da pandemia da covid-19 e de seus impactos. “Nós ainda não estamos fora de perigo, mas estou feliz em dizer que temos feito progresso real”, destacou. Os rendimentos dos Treasuries refletiram essa postura de Powell, recuando para cerca de 1,6%.

De acordo com o sócio da Wisir Research, Filipe Teixeira, os últimos indicadores foram um lembrete de que a recuperação da pandemia ainda enfrenta riscos, como a tão comentada inflação.

A indústria americana reduziu o ritmo em abril, enquanto o indicador dos preços pagos saltou para o nível mais alto desde 2008.

O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que as condições atuais “não são suficientes” para uma mudança na postura da política monetária.

Mercado de olho no Copom

Romero Oliveira, head de Renda Variável da Valor Investimentos, aponta a expectativa dos investidores em relação à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que definirá o rumo da taxa básica de juros, a Selic.

O mercado está convencido de que no fim da reunião, no início da noite de quarta-feira, o Banco Central anunciará uma alta de 0,75 ponto porcentual e a Selic subiria de 2,75%, do momento, para 3,50% ao ano.

O sentimento, contudo, é de cautela entre investidores e profissionais do mercado, que temem também uma frustração de expectativas, caso a decisão do Copom não venha em linha com as estimativas do mercado.

Outro foco de atenção, destaca Oliveira, são os dados de criação de novos empregos nos Estados Unidos, cuja divulgação está prevista para a próxima sexta-feira.

Esse é um dos principais indicadores da economia, vistos como um termômetro sobre o mercado de trabalho e o estado geral da atividade.

A criação de empregos além das expectativas pode ser indicação de economia aquecida e pressão inflacionária, portanto perspectiva de elevação dos juros americanos que mexe com todos os mercados globais.

A elevação dos juros é vista como algo indesejável neste momento de expectativa de recuperação e retomada da economia, em cenário de relativo controle da pandemia nos principais países que contam também com um processo mais acelerado de vacinação.

Uma expectativa positiva com a economia passa a animar também os investidores domésticos em ações, com apostas principalmente no setor de varejo, que seria um dos mais favorecidos com o possível afrouxamento de restrições à mobilidade e ao isolamento social.

Os investidores monitoram ainda, no radar, o relatório final da reforma tributária, que estaria pronto para ser lido no Congresso e tem como um dos apoiadores o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Reforma tributária: leitura deve acontecer hoje

O relator da reforma tributária, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), leu seu parecer sobre as mudanças no sistema tributário do País em comissão mista nesta terça-feira.

Na semana passada, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), deu um ultimato para o relator apresentar seu relatório. Ribeiro não se manifestou publicamente, mas nos bastidores resistia em apresentar o texto sem saber o rumo da reforma na Câmara e quais os planos de Lira.

Para Mauro Morelli, estrategista da Davos Investimentos, a movimentação por aumentar o período de fornecimento do auxílio emergencial por conta da pandemia pode causar ainda mais pressão no lado fiscal brasileiro. "Isso vem criar mais preocupação com a relação da dívida e PIB chegando próximo aos 100%".

Covid-19: média de mortes diminui

O Brasil registrou 1.054 novos óbitos em decorrência da covid-19 nas últimas 24 horas, segundo dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa. A média móvel diária de mortes, que leva em consideração números dos últimos sete dias, ficou em 2.375 nesta segunda-feira, 3, uma redução de 16% em duas semanas. Apesar da tendência de queda, o País vê a pandemia se manter em um alto patamar.

O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou na véspera a 32.316.507, o equivalente a 15,26% da população total.

Bolsas asiáticas fecham mistas

As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram os negócios desta terça-feira majoritariamente em alta, com a liquidez reduzida em meio a feriados que ainda mantêm os mercados do Japão e da China fechados e investidores atentos aos desdobramentos da covid-19 na região.

O Hang Seng subiu 0,70% em Hong Kong hoje, aos 28.557,14 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,64% em Seul, aos 3.147,37 pontos, interrompendo uma sequência de cinco pregões negativos.

Já na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul, após o RBA, como é conhecido o banco central do país, manter seu juro básico na mínima histórica de 0,10% e prever que não começará a elevar a taxa antes de 2024. O S&P/ASX 200 teve alta de 0,56% em Sydney, aos 7.067,90 pontos.

Por outro lado, a bolsa taiwanesa foi pressionada por um recrudescimento de casos locais de covid-19, e o Taiex caiu 1,68%, aos 16.933,78 pontos.

Infecções por covid-19 estão em trajetória de alta em boa parte da Ásia. Nas últimas semanas, a Índia tornou-se o maior foco de preocupações no continente, chegando a registrar mais de 400 mil casos em 24 horas, um recorde global. / com Tom Morooka e Agência Estado

Imagem do autor

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Veja mais Ver mais