Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: Bolsa opera em queda com bancos, Selic e inflação; dólar sobe

Investidores seguem atentos ao cenário de definição da Selic e do avanço da inflação

Data de publicação:26/10/2021 às 01:40 - Atualizado um mês atrás
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Após a B3 atingir alta de 2,28% no pregão da véspera e recuperar uma parte das perdas da sexta-feira, 22, o mau humor voltou a reinar entre os investidores. A Bolsa opera em forte queda nesta terça-feira, 26, puxada pela baixa nas ações dos grandes bancos, que refletem o cenário tenso de definição da nova Selic e resultados da prévia da inflação acima do esperado.

O IFNC, índice que engloba os gigantes do setor financeiro na B3, cai mais de 2,5%. Às 16h30, o Índice Ibovespa caía 1,67% aos 106.894. Já o dólar operava em alta de 0,24%, cotado a R$ 5,569. Juros futuros operaram em alta por conta de inflação mais elevada.

Foto: B3/Divulgação ações
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Durante a manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de outubro, considerado uma sinalização antecipada da inflação. Segundo o instituto, o indicador subiu 1,20% no período, 0,06% a mais do que o registrado em setembro e contabilizou a maior alta desde fevereiro de 2016.

O número surpreendeu negativamente as projeções dos analistas, que apostavam em uma mediana de 1,00%. De acordo com o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, os núcleos de pesquisa – habitação, transportes, alimentação e bebidas, entre outros – seguiram em trajetória de alta, porém com um ritmo menos intenso e com resultados em linha com o esperado.

De acordo com Sanchez, o número reforça a perspectiva de revisão altista do IPCA, por conta da inflação corrente. “Assim devemos assistir nossa projeção migrar para algo ao redor de 9,0%”, reforça.

O indicador chega ao mercado em um momento de tensão, no qual o foco do mercado está voltado para a Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne a partir desta terça-feira para definir a nova taxa de juros do País.

Por conta das incertezas do cenário fiscal doméstico, o mercado já dá como certo um ajuste entre 1,25% e 1,50% na Selic – anteriormente o Banco Central havia sinalizado que seria feito um acréscimo de 1,00%.

Porém, a própria autoridade monetária pontou que faria o que fosse possível para migrar a inflação para o centro da meta, o que reforça ainda a perspectiva de um ajuste mais severo.

De acordo com os analistas do BTG Pactual, resta agora saber se o Copom irá divulgar no comunicado os próximos passos da política monetária – se os ajustes serão mais duros em um prazo mais curto de tempo ou se o ciclo será alongado.

Soma-se a esse cenário da inflação, a questão fiscal. O risco de desarranjo nas contas públicas, agravado pelo voluntarismo do governo na formulação do Auxílio Brasil, é o principal tema de debate e avaliação no mercado para arredondar os prognósticos para a nova Selic.

O governo está sinalizando gastos maiores para bancar um benefício social mais alto, o que exigiria uma política monetária contracionista, de juros mais altos, para conter a pressão inflacionária gerada pela oferta de mais dinheiro na economia.

Os dados que vieram com a última edição do boletim Focus indicaram piora para a projeção de inflação. O IPCA estimado para este ano subiu para 8,97% e para 2022 avançou para 4,4%. A Selic para 2021 foi revista para 8,75%.

O ambiente na política e na economia não estão dos melhores, mas alguns balanços trimestrais sempre trazem boas novidades, o que pode dar alguma animação ao desalentado mercado de ações, segundo especialistas.

Na véspera, o mercado já conheceu os resultados do terceiro trimestre de empresas como a Hypera, EDP Brasil, TIM, entre outras. Para esta semana, a expectativa está voltada para os números de gigantes que exercem um grande peso na cesta de ativos da Bolsa, como Petrobras, Vale, Gerdau, entre outras.

Juros futuros

Os juros futuros abriram em forte alta nesta terça-feira. Alguns vencimentos entraram em leilão mais de uma vez após bater máximas, como o janeiro de 2023, que abriu 60 pontos-base, refletindo os dados do IPCA-15.

Às 10h11, a taxa do contrato de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 subia a 11,45% (máxima de 11,74%), de 11,14% no ajuste de ontem.

O DI para janeiro de 2025 subia para 11,83% (máxima de 12,11%), de 11,64% no ajuste anterior, e o para janeiro de 2027 ia para 11,91% (máxima de 12,14), de 11,80% no ajuste anterior.

Sobe e desce da Bolsa

Nesta terça-feira, o preço do minério de ferro sobe mais de 3% na China. Porém, não está sendo suficiente para manter as ações das siderúrgicas no azul. Às 14h48, a Vale registrava baixa de 0,70%, seguida pelas demais gigantes do setor.

No sentido contrário, ainda em commodities, após operar em alta, a Petrobras mudou o sinal e aponta queda. Na véspera, foi divulgado pela CNN que há estudos em andamento sobe a desestatização da companhia. A petroleira informou, em comunicado, que questionou seu acionista controlador, por meio do Ministério da Economia, sobre a existência dessas pesquisas. No mesmo horário, as ações da companhia recuavam 0,48%.

Com a abertura da temporada de balanços corporativos referentes aos resultados do terceiro trimestre, algumas empresas que já apresentaram seus números do período apontam avanço no pregão. No mesmo horário, as ações da EDP Brasil subiam 3,33%, após a empresa reportar um crescimento de 70,3% em seu lucro líquido do período.

No sentido oposto, as companhias Marfrig e Inter, que apresentam seus resultados após o fechamento do mercado, operam mistas. Às 14h50, os papéis da indústria de proteína subiam 1,17%, enquanto que a empresa de serviços financeiros recuava 4,98%.

CPI da Covid: Bolsonaro

Os capítulos finais da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado estão no radar dos investidores, com o presidente Jair Bolsonaro no centro da pauta. O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), defende que o presidente Jair Bolsonaro seja expulso das redes sociais.

A ideia é incluir em seu relatório final, a ser votado nesta terça-feira, 26, um pedido de medida cautelar nesse sentido, a ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em transmissão ao vivo pelas redes sociais, na última quinta-feira, 21, Bolsonaro distorceu informações e disse que relatórios oficiais do governo do Reino Unido indicavam que pessoas vacinadas com duas doses contra covid-19 estão desenvolvendo aids "muito mais rápido do que o previsto". As declarações de Bolsonaro geraram reação da classe médica e política.

"Bolsonaro reincide a cada dia, faz questão de cometer os mesmos crimes. Não muda. Só porque a CPI se encaminha para a reta final, ele acha que vai voltar a falar sozinho de novo nas redes sociais. Essa última declaração, sobre vacina e aids, agrava ainda mais as circunstâncias dele", disse Renan.

"Vou fazer um registro duro no relatório da CPI e estamos, adicionalmente, entrando com ação cautelar junto ao STF para bani-lo das redes", completou, ressalvando que esse pedido ainda depende de aprovação de seus pares. O parecer de Renan também aumentará o número de indiciados, de 66 para, no mínimo, 74 pessoas.

Wall Street e o mundo

Lá fora, os investidores estão atentos aos números dos balanços corporativos do terceiro trimestre das big techs. Nos Estados Unidos, as bolsas operam em alta.

Na véspera, foi a vez da Tesla ganhar os holofotes, que atingiu US$ 1 trilhão em valor de mercado, além de ter impulsionado a renovação do recorde histórico do S&P 500 com a disparada de 12,66% de suas ações na bolsa americana.

Com o noticiário favorável e os resultados positivos, a Tesla se tornou a quinta empresa dos EUA a ter valor de mercado igual ou superior a US$ 1 trilhão, atrás apenas de Microsoft, Apple, Amazon e Alphabet, companhia controladora do Google.

Após o fechamento das bolsas, o Facebook (+1,26%) também informou seu desempenho no trimestre passado. A empresa de Mark Zuckerberg registrou lucro líquido de US$ 9,194 bilhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 17% sobre o mesmo período de 2020. O lucro por ação foi de US$ 3,22, acima da previsão dos analistas de US$ 3,19.

Apesar da temporada de balanços estar impulsionando as bolsas nas últimas semanas, a Capital Economics afirma que o futuro para os índices é de menor apetite por risco, diante da escalada recente dos juros dos Treasuries, que não deve cessar diante do movimento de compensação por conta da alta inflação nos EUA.

"Embora não esperemos um tombo do mercado de ações nos EUA, duvidamos que ele permanecerá tão resiliente em face do aumento dos rendimentos dos Treasuries quanto nas últimas semanas", diz a consultoria britânica.

Quanto ao noticiário político, a Casa Branca informou na véspera que deixará de proibir viagens internacionais aos EUA a partir de 8 de novembro, dia em que colocará em prática novas regras que permitem a entrada de viajantes completamente vacinados contra a covid-19.

Já o presidente Biden defendeu sua agenda de investimentos durante a tarde, enfatizando seu papal para o combate da crise climática. Segundo a CNN, o senador democrata Joe Manchin deu seu apoio à proposta de gastos de US$ 1,75 trilhão da Casa Branca, após reunião com o mandatário americano.

No continente asiático, as bolsas fecharam sem direção única nesta terça-feira, com parte delas acompanhando o tom positivo do dia anterior em Wall Street e as chinesas, e de Hong Kong pressionadas por ações do setor imobiliário.

O índice japonês Nikkei subiu 1,77% em Tóquio, aos 29.106,01 pontos, influenciado pelo desempenho positivo dos papéis ligados aos setores de transporte marítimo e siderurgia.

O sul-coreano Kospi avançou 0,94% em Seul, aos 3.049,08 pontos, e o Taiex registrou ganho de 0,83% em Taiwan, aos 17.034,34 pontos.

Planos do governo chinês de testar um imposto imobiliário por cinco anos, revelados no fim de semana, derrubaram ações de incorporadoras tanto na China continental quanto em Hong Kong nesta terça.

O Xangai Composto caiu 0,34%, aos 3.597,64 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,36%, aos 2.424,39. Em Hong Kong, o Hang Seng teve baixa de 0,36%, aos 26.038,27 pontos.

A iniciativa de Pequim, que tem o objetivo de combater a especulação imobiliária, vem num momento de preocupação com a frágil situação financeira da Evergrande, gigante da construção chinesa que tem tido dificuldades de honrar suas dívidas. Hoje, a ação da Evergrande sofreu um tombo de 4,12% em Hong Kong.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou praticamente estável, devolvendo quase todos os ganhos de mais cedo no pregão. O S&P/ASX 200 teve alta marginal de 0,03% em Sydney, aos 7.443,40 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Julia ZilligRepórter do Portal Mais Retorno.
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