Mercado Financeiro

A Bolsa registrou alta de 0,87%, aos 122.964,01 pontos, no pregão desta terça-feira, depois de abrir em queda em acompanhamento ao movimento de correção do mercado americano. A elevação é resultado, mais uma vez, do bom desempenho do setor de commodities, com destaque para Petrobras (BRDT4) e Vale (VALE3), que registraram valorização de 1,27% e 3,32%, respectivamente.

O dólar voltou a apresentar queda nesta terça-feira. A moeda americana à vista ficou cotada a R$ 5,223, com leve queda de 0,18% no encerramento do dia.

No cenário doméstico, a desaceleração do Ibovespa teve entre os motivos as perdas das ações dos bancos na B3. Os papéis do Itaú Unibanco tiveram queda de 0,75%, as ações do Bradesco (BBDC3 e BBDC4) em leve alta de 0,84% e 0,57%, e Santander, com perdas de 0,68%.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Segundo a analista da Toro Investimentos, Thayná Vieira, os bancos estão vivendo um dia de realização de lucros, após uma véspera com valorização mais acentuada.

Para o analista da Ativa Investimentos, Leonardo Menteiro, não há um fator específico para esse comportamento dos papéis dos bancos. "As ações dos bancos estão caindo menos do que o Ibovespa. Além disso, as notícias sobre a continuidade de elevação da taxa Selic na ata do Copom e o IPCA são favoráveis para essas empresas".

Para o gestor de investimentos da Warren, Igor Cavaca, além o cenário global, com a piora dos ativos de risco, há a incerteza sobre o comportamento do crédito no futuro. "Se a inadimplência subir, o custo de crédito irá aumentar e impactar a lucratividade dos bancos", aponta.

Ainda no mercado local, os investidores estão reagindo aos principais anúncios na parte da manhã, como a divulgação da ata do Comitê de Política Econômica (Copom), que sinalizou um tom dovish ao sugerir que novos ajustes na Selic, taxa básica de juros do País, como um movimento de “normalização parcial” do juro.

Nesta terça-feira também foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fechou o período com alta de 0,31% ante um avanço de 0,93% em março. O dado veio acima da mediana de 0,29%, porém dentro das projeções.

NY: bolsas sem sinal único

As bolsas de Nova York operaram sem sinal único nesta terça-feira, com o temor dos investidores sobre alta da inflação, cujo dado será divulgado amanhã, quarta-feira. O S&P 500 recuou 0,87%, o Dow Jones, 1,36% e o Nasdaq teve queda de 0,21%

Com o reflexo dessa apreensão e da alta dos Treasuries, os papéis das big techs seguem em baixa, assim como na véspera.

No noticiário, o fechamento de um dos principais dutos de transporte de combustível dos Estados Unidos por conta de um ataque cibernético recebeu a atenção dos investidores.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que o governo americano está pronto para tomar medidas adicionais em relação aos impactos do fechamento do principal duto de transporte de gasolina e óleo diesel para a Costa Leste do país.

Na véspera, o Centro de Dados Microeconômicos do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) divulgou uma pesquisa que aponta que a mediana das expectativas para daqui a um ano nos Estados Unidos aumentou de 3,2% em março para 3,4% em abril.

O presidente americano, Joe Biden, afirmou no mesmo dia que o país deve ter, nos próximos meses, a retomada econômica mais rápida em quase 40 anos. Durante um discurso, Biden citou projeções de analistas feitos após a aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão em março deste ano. “Desde que eu assumi o cargo, criamos 1,5 milhão de empregos”, afirmou.

Segundo o chefe da Casa Branca, o foco do governo se manterá em criar empregos e combater a pandemia da covid-19. “Estamos indo na direção certa”, declarou.

Além disso, o presidente do país voltou a questionar a avaliação feita por alguns analistas segundo a qual os benefícios de seguro-desemprego do governo desestimularam a busca por trabalho.

"Vamos deixar claro que qualquer pessoa que receber uma oferta de trabalho adequada deve aceitar o emprego ou perderá o seguro-desemprego", afirmou Biden.

Reforma administrativa: audiência pública com Guedes

Da agenda local, os investidores também estão atentos ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que participa de audiência pública sobre a reforma administrativa na CCJ da Câmara e à continuidade da CPI da Covid.

CPI da Covid: vacinas e esclarecimentos

No cenário doméstico, os trabalhos da CPI da Covid se mantêm no radar dos investidores. Nesta terça-feira, a comissão parlamentar de inquérito ouvirá o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

No dia seguinte será a vez do ex-chefe da Secretaria de Comunicação do governo federal, Fabio Wajngartner, prestar depoimento. E na quinta-feira, 13, a presidente da Pfizer no Brasil, Marta Diez, e seu antecessor, Carlos Murillo, darem seu testemunho.

O senador e membro da CPI da Covid, Otto Alencar, classificou a semana na comissão como "da vacina e dos esclarecimentos" sobre os contratos assinados de imunizantes no combate à covid-19.

Segundo ele, a comissão irá questionar a não aprovação da vacina russa Sputnik V e a falta de contratos fechados pelo governo Bolsonaro para obtenção de imunizantes.

Tratoraço: investigação pelo TCU

Outro assunto do cenário doméstico que divide a atenção do mercado é Tratoraço, orçamento paralelo operado pelo presidente Jair Bolsonaro para ampliar a base de apoio do governo no Congresso.

O manejo de R$ 3 bilhões em emendas envolve boa parte delas para a compra de tratores e equipamentos agrícolas com sobrepreço.

Na véspera, o deputado federal Marcelo Freixo, líder da minoria na Câmara, entrou com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a investigação do orçamento.

No documento, Freixo pede a investigação de Bolsonaro, do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e do presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Marcelo Moreira. Isso porque a pasta e a empresa estatal têm sido o atalho preferencial para direcionamento das verbas.

"É um absurdo que o Governo Federal siga patrocinando seus aliados, incluídos antigos e atuais presidentes das casas parlamentares, para manejo de interesses particulares com evidente desvio de finalidade e superfaturamento", diz um da representação.

"Tais verbas poderiam ter sido utilizadas no combate a pandemia da Covid-19, sobretudo na compra de vacinas", acrescenta o deputado.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em baixa nesta terça-feira após uma liquidação de ações de gigantes de tecnologia dos EUA pesar nos mercados de Nova York ontem.

O índice acionário japonês sofreu um tombo de 3,08% em Tóquio hoje, aos 28.608,59 pontos, enquanto o Hang Seng caiu 2,03% em Hong Kong, aos 28.013,81 pontos

O o sul-coreano Kospi recuou 1,23% em Seul, aos 3.209,43 pontos, e o Taiex registrou acentuada queda de 3,79% em Taiwan, aos 16.583,13 pontos.

Apesar de garantias do Fed de que manterá sua postura acomodatícia e dos fracos dados do mercado de trabalho americano da semana passada, investidores voltaram a ponderar as chances de que um forte avanço nos preços force BCs a reverter as agressivas medidas de estímulo monetário que adotaram em reação aos efeitos da pandemia do novo coronavírus, segundo analistas.

"Investidores parecem ter deixado o relatório de emprego (dos EUA) para trás e continuam a focar a narrativa de inflação, com a alta dos preços das commodities e a escassez de semicondutores em jogo", comentou Jun Rong Yeap, estrategista de mercado do IG.

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da China, por exemplo, deu um salto de 6,8% em abril ante igual mês do ano passado, o maior desde outubro de 2017, segundo números divulgados nesta madrugada.

Contrariando a tendência negativa de outras partes da Ásia, no entanto, os mercados chineses tiveram ganhos moderados hoje. O Xangai Composto subiu 0,40%, aos 3.441,85 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,36%, aos 2.251,96 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, após fechar em nível recorde no pregão anterior, o que não acontecia desde o início da pandemia de covid-19. O S&P/ASX 200 caiu 1,06% em Sydney, aos 7.097,00 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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