Economia

A atenção do mercado financeiro nesta terça-feira, 11, estará voltada a dois eventos econômicos importantes que constituem a Super Terça, como a divulgação do IPCA e a ata da última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom).

A inflação oficial de abril, calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) será anunciada às 9h. O outro é a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central (BC), que elevou a taxa básica de juros, a Selic, para 3,50% ao ano.

Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos, diz que o mercado financeiro quer entender melhor, por meio da ata, como será administrada a transição de política monetária pelo BC no atual ciclo de reajustes na Selic. Se por meio de altas graduais ou de elevações mais fortes neste início de movimento de ajuste.

Copom divulga hoje a ata para explicar como será o ajuste da Selic - Foto: Agência Brasil

Ainda que a agenda de dados econômicos no cenário internacional não contenha grandes destaques nesta terça-feira, 11, o mercado financeiro doméstico não deixará de lançar o olhar para o exterior.

O foco, contudo, será o mercado de commodities, mais particularmente o de minério de ferro, cujas cotações dispararam ontem e puseram as ações de empresas exportadoras em forte valorização na bolsa de valores.

A cotação do minério de ferro bateu valor recorde e chegou a US$ 230 a tonelada na bolsa de futuros da China nos contratos para a entrega em setembro, explica Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos.

Simone diz que as usinas siderúrgicas da China estão operando com elevada capacidade e existe o temor de que a oferta de minério de ferro existente não atenda à demanda chinesa depois que uma quebra de contrato de fornecimento da Austrália prejudicou a entrega de minério produzido nesse país à China.

Há ainda a safra de balanços, com dados de empresas que estão na carteira do Índice Bovespa e pode exercer alguma influência no sobe e desce do mercado.

CPI da Covid: vacinas e esclarecimentos

No cenário doméstico, os trabalhos da CPI da Covid se mantêm no radar dos investidores. Nesta terça-feira, a comissão parlamentar de inquérito ouvirá o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres.

No dia seguinte será a vez do ex-chefe da Secretaria de Comunicação do governo federal, Fabio Wajngartner, prestar depoimento. E na quinta-feira, 13, a presidente da Pfizer no Brasil, Marta Diez, e seu antecessor, Carlos Murillo, darem seu testemunho.

O senador e membro da CPI da Covid, Otto Alencar, classificou a semana na comissão como "da vacina e dos esclarecimentos" sobre os contratos assinados de imunizantes no combate à covid-19.

Segundo ele, a comissão irá questionar a não aprovação da vacina russa Sputnik V e a falta de contratos fechados pelo governo Bolsonaro para obtenção de imunizantes.

Tratoraço: investigação pelo TCU

Outro assunto do cenário doméstico que divide a atenção do mercado é Tratoraço, orçamento paralelo operado pelo presidente Jair Bolsonaro para ampliar a base de apoio do governo no Congresso.

O manejo de R$ 3 bilhões em emendas envolve boa parte delas para a compra de tratores e equipamentos agrícolas com sobrepreço.

Na véspera, o deputado federal Marcelo Freixo, líder da minoria na Câmara, entrou com uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a investigação do orçamento.

No documento, Freixo pede a investigação de Bolsonaro, do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e do presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Marcelo Moreira.

Isso porque a pasta e a empresa estatal têm sido o atalho preferencial para direcionamento das verbas.

"É um absurdo que o Governo Federal siga patrocinando seus aliados, incluídos antigos e atuais presidentes das casas parlamentares, para manejo de interesses particulares com evidente desvio de finalidade e superfaturamento", diz um da representação.

"Tais verbas poderiam ter sido utilizadas no combate a pandemia da Covid-19, sobretudo na compra de vacinas", acrescenta o deputado.

NY: futuros em queda

Os índices futuros das bolsas de Nova York operam em baixa nesta terça-feira. No dia anterior, os contratos negociados fecharam em baixa, com o Nasdaq recuando mais de 2% em meio a uma alta nos rendimentos dos Treasuries e queda nos papéis das big techs.

No noticiário, o fechamento de um dos principais dutos de transporte de combustível dos Estados Unidos por conta de um ataque cibernético recebeu a atenção dos investidores.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que o governo americano está pronto para tomar medidas adicionais em relação aos impactos do fechamento do principal duto de transporte de gasolina e óleo diesel para a Costa Leste do país. Como resultado, os preços de combustíveis chegaram a subir, e durante a sessão, ações de petroleiras tiveram alta.

Segundo o sócio da Wisir Research, Filipe Teixeira, a grande questão continua sendo sobre o tamanho do impacto do recente rali que elevou os preços das commodities e qual será seu efeito sobre a inflação.

Na véspera, o Centro de Dados Microeconômicos do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) divulgou uma pesquisa que aponta que a mediana das expectativas para daqui a um ano nos Estados Unidos aumentou de 3,2% em março para 3,4% em abril.

O presidente americano, Joe Biden, afirmou no mesmo dia que o país deve ter, nos próximos meses, a retomada econômica mais rápida em quase 40 anos. Durante um discurso, Biden citou projeções de analistas feitos após a aprovação do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão em março deste ano. “Desde que eu assumi o cargo, criamos 1,5 milhão de empregos”, afirmou.

Segundo o chefe da Casa Branca, o foco do governo se manterá em criar empregos e combater a pandemia da covid-19. “Estamos indo na direção certa”, declarou.

Além disso, o presidente do país voltou a questionar a avaliação feita por alguns analistas segundo a qual os benefícios de seguro-desemprego do governo desestimularam a busca por trabalho.

"Vamos deixar claro que qualquer pessoa que receber uma oferta de trabalho adequada deve aceitar o emprego ou perderá o seguro-desemprego", afirmou Biden.

Bolsas asiáticas fecham em baixa

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta terça-feira após uma liquidação de ações de gigantes de tecnologia dos EUA pesar nos mercados de Nova York ontem.

O índice acionário japonês sofreu um tombo de 3,08% em Tóquio hoje, aos 28.608,59 pontos, enquanto o Hang Seng caiu 2,03% em Hong Kong, aos 28.013,81 pontos

O o sul-coreano Kospi recuou 1,23% em Seul, aos 3.209,43 pontos, e o Taiex registrou acentuada queda de 3,79% em Taiwan, aos 16.583,13 pontos.

Apesar de garantias do Fed de que manterá sua postura acomodatícia e dos fracos dados do mercado de trabalho americano da semana passada, investidores voltaram a ponderar as chances de que um forte avanço nos preços force BCs a reverter as agressivas medidas de estímulo monetário que adotaram em reação aos efeitos da pandemia do novo coronavírus, segundo analistas.

"Investidores parecem ter deixado o relatório de emprego (dos EUA) para trás e continuam a focar a narrativa de inflação, com a alta dos preços das commodities e a escassez de semicondutores em jogo", comentou Jun Rong Yeap, estrategista de mercado do IG.

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da China, por exemplo, deu um salto de 6,8% em abril ante igual mês do ano passado, o maior desde outubro de 2017, segundo números divulgados nesta madrugada.

Contrariando a tendência negativa de outras partes da Ásia, no entanto, os mercados chineses tiveram ganhos moderados hoje. O Xangai Composto subiu 0,40%, aos 3.441,85 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,36%, aos 2.251,96 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, após fechar em nível recorde no pregão anterior, o que não acontecia desde o início da pandemia de covid-19. O S&P/ASX 200 caiu 1,06% em Sydney, aos 7.097,00 pontos. / com Júlia Zillig e Tom Morooka

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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