Mercado Financeiro

Numa semana marcada por forte influência do cenário externo, a Bolsa avançou 2,22% em relação ao fechamento da última sexta-feira. A valorização no preço das commodities no mercado internacional foi o que mais influenciou o desempenho positivo da semana, com as mineradoras, siderúrgicas e petroleiras registrando alta acentuada, inclusive, no pregão desta sexta-feira, 27, o que ajudou o Ibovespa a subir 1,65% e retomar os 120 mil pontos (120.677,60).

Ao longo do dia, as atenções estiveram voltadas para o discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), para identificar sinalizações de próximos passos da política monetária americana. Durante a semana, entretanto, também estiveram no radar dos investidores os dados econômicos divulgados da China, dos EUA e do Brasil.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Durante a semana, entretanto, também estiveram no radar dos investidores os dados econômicos divulgados da China, dos EUA e do Brasil. E no cenário interno, o mercado acompanhou de perto os movimentos nos cenários político e fiscal do País.

Vale lembrar que a Bolsa começou a semana em queda. Já, nos pregões de terça e quarta-feira, as perspectivas positivas para a economia mundial, a sinalização de que a China está conseguindo controlar o avanço da variante delta de covid-19 e as falas de políticos locais defendendo o teto de gasto do governo, tudo isso ajudou a acalmar os mercados, derrubou a curva de juros, e favoreceu os ativos brasileiros.

Na última quinta-feira, 26, o Ibovespa novamente registrou baixa, principalmente com as expectativas do mercado de que o Fed anunciaria medidas imediatas para a retirada de estímulos monetários da economia americana. O movimento, no entanto, não se sustentou no último pregão da semana, depois da fala de Powell que, mais uma vez, sinalizou medidas graduais nesse sentido.

Dólar em queda

Refletindo o discurso de Powell, o dólar fechou em queda de 1,17% nesta sexta-feira, cotado a R$ 5,196. Desde 16 de julho a moeda americana não fechava uma semana abaixo do patamar dos R$ 5,20.

Em comparação a sexta-feira da semana passada, o dólar teve uma desvalorização de 3,37%.

Fed: tapering

Durante o evento de Jackson Hole, Powell afirmou que a maioria dos dirigentes da instituição concorda que, caso a economia continue a evoluir "em geral, conforme antecipado", seria "apropriado começar a reduzir o ritmo de compras de ativos neste ano".

O dirigente afirmou que o Fed tem dito que continuará suas compras de ativos no ritmo atual até que ocorra mais progresso substancial rumo às metas de máximo emprego e estabilidade de preços.

Segundo ele, "mais progresso substancial" já foi atingido na inflação. Além disso, tem ocorrido "claro progresso rumo ao máximo emprego".

O presidente do Fed, porém, também mencionou que houve uma disseminação maior da variante delta da covid-19 nos EUA.

Powell disse ainda que o comando do Fed avaliará com cuidado os dados por vir e os riscos no quadro. "Mesmo após nossas compras de ativos terminarem, nossa carteira elevada de ativos de longo prazo continuará a apoiar condições financeiras acomodatícias", ressaltou.

Sobe e desce da B3

As siderúrgicas viveram um dia de fortes ganhos na B3. As ações da Vale subiram 2,50%, com CSN e Gerdau no mesmo caminho, com avanços de 2,43% e 1,79%, respectivamente.

A Usiminas se destacou na valorização de seus papéis, após anunciar o pagamento de R$ 1,2 bi em dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JCP). A empresa disparou 6,81% e foi uma das maiores altas da Bolsa no dia.

As petroleiras seguiram a mesma toada das siderúrgicas e fecharam no azul. Petrobras e PetroRio registraram valorização de 3,64% e 7,42%, na sequência.

Os bancos, que iniciaram o dia no vermelho, viraram o sinal e também fecharam em alta. Itaú, Bradesco e Santander subiram 1,72%, 1,31% e 1,81%.

Após anunciar investimentos no mercado australiano, com a compra dos frigoríficos Sharke Lake e Great Eastern Abattoir, especializados em ovinos, as ações da Minerva avançaram 0,85%.

Com o comunicado sobre a aquisição da empresa norte-americana Usend, os papéis do Banco Inter tiveram a maior alta do dia, com 7,06% de variação positiva.

Crise hídrica

No cenário interno, continua no radar a crise hídrica provocada pela estiagem que está levando a conta de luz às alturas e, com ela, a inflação.

A energia elétrica mais cara foi, ao lado da alta de combustíveis e alimentos, a principal fonte de pressão sobre a inflação corrente em agosto que, pela prévia do IPCA-15, está rodando em 0,89%.

Enquanto isso, ainda que o governo federal se recuse a falar em racionamento, o presidente Jair Bolsonaro reconheceu, na véspera, em transmissão ao vivo nas redes sociais, a gravidade da crise hídrica e pediu à população que reduza o consumo de energia elétrica.

"Em grande parte das represas, estamos com 10%, 15% (da capacidade). Estamos no limite do limite", declarou o chefe do Executivo. "Vamos fazer um apelo para você que está em casa. Apague um ponto de luz", acrescentou. Segundo Bolsonaro, algumas represas do País vão deixar de existir se a crise não der trégua.

O secretário de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Christiano Vieira, pediu à sociedade "esforço na economia de energia" e disse que o governo dará uma premiação pela redução no consumo. Ainda assim, o chefe da pasta, Bento Albuquerque, disse não entender as medidas como um racionamento.

No dia anterior, Bolsonaro ainda tentou explicar o aumento da conta de luz dos brasileiros. "Quando a gente decreta bandeira vermelha, não é maldade, é para pagar outras fontes de energia, no caso termelétricas", disse o presidente. As termelétricas são abastecidas com combustíveis fósseis, como óleo diesel, e tornam a produção de energia mais cara e poluente.

Além disso, como o chefe do Executivo adotou com a energia a mesma retórica utilizada com o aumento dos preços dos combustíveis e do botijão de gás - tentou dividir o ônus com governadores e pediu aos líderes estaduais a redução do ICMS cobrado sobre a bandeira vermelha.

Na última terça-feira, 24, o ministro da Economia, Paulo Guedes, questionou qual seria o problema de a energia, componente de peso na cesta da inflação, ficar um pouco mais cara.

Wall Street: bolsas no azul

Em Nova York, os contratos negociados nas bolsas locais fecharam em alta, com a divulgação dos dados sobre a inflação, em linha com as expectativas dos especialistas, e com os investidores refletindo o discurso de Jerome Powell no simpósio de Jackson Hole, indicando manutenção de suportes monetários enquanto a economia não estiver a todo vapor.

O índice S&P 500 apontou avanço de 0,88%, enquanto Dow Jones subiu 0,69% e Nasdaq 100 obteve ganhos de 1,01%.

Ainda no cenário externo, a atenção se voltou também para a divulgação do índice PCE (Despesas de Consumo Pessoal, em inglês) – um dos dados mais importantes que o Fed utiliza como balizador de suas decisões monetárias - de julho, que cresceu 0,4% na comparação com o mês anterior. No âmbito anual, a elevação foi de 4,2%.

Já o Núcleo do PCE, que exclui alimentação e combustíveis, teve alta a 0,3%, em linha com o avanço esperado de 0,3% segundo a média das projeções dos economistas. Na comparação anual essa expansão foi de 3,6%.

Em entrevista à CNBC nesta manhã, o presidente da distrital do Fed em Atlanta, Raphael Bostic, disse que a instituição está próxima das condições necessárias para iniciar o tapering.

Bostic mencionou que a inflação dos EUA já está bem acima da meta de 2% do Fed e que houve muito progresso no mercado de trabalho, mas ressaltou que ainda é preciso observar como o emprego se comportará nos próximos meses.

Bolsas asiáticas fecham mistas

 As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam sem direção única nesta sexta-feira, com investidores à espera de novos sinais sobre o futuro da política monetária do Fed.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,36% em Tóquio hoje, aos 27.641,14 pontos, e o Hang Seng ficou praticamente estável em Hong Kong, com ligeira perda de 0,03%, aos 25.407,89 pontos.

O sul-coreano Kospi avançou 0,17% em Seul, aos 3.133,90 pontos, e o Taiex subiu 0,84% em Taiwan, aos 17.209,93 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto valorizou 0,59%, aos 3.522,16 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve leve alta de 0,10%, aos 2.439,69 pontos.

O bom humor prevaleceu apesar de dados mostrarem desaceleração no avanço do lucro da indústria chinesa e de relatos de que Pequim poderá proibir a abertura de capital de algumas empresas de tecnologia nos EUA.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em baixa marginal, pressionada por ações de tecnologia e de consumo. O S&P/ASX 200 caiu 0,04% em Sydney, aos 7.488,30 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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