Mercado Financeiro

A Bolsa encerrou o pregão desta sexta-feira, 28, em alta de 0,96%, aos 125.561,37 pontos, em novo recorde histórico. O patamar mais elevado que o Ibovespa havia atingido era de 125.076,63, no dia 8 de janeiro deste ano.

Principal responsável pelo bom resultado do mercado, a Petrobras se beneficiou do aumento do preço do petróleo e registrou valorização de 4,05% em seus papéis. O Brent superou os US$ 70 e o banco JP Morgan elevou a recomendação da ação da petroleira de neutra para overnight, com preço-alvo de R$ 35,50.

No acumulado da semana, o índice subiu 2,42%, enquanto o dólar recuou 2,62%, cotado no fechamento do pregão desta sexta-feira em R$ 5,212

Foto: B3/Divulgação
Sede da Bolsa de Valores em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

No cenário externo, o índice PCE americano em abril cresceu 0,5%, alinhado com as projeções dos economistas. Já o Núcleo do PCE, que exclui alimentação e combustíveis, subiu 0,7%, pouco acima dos 0,6% esperados pelos analistas.

No entanto, se comparado ao mesmo período do ano passado, o Núcleo acelerou para 3,1% sobre 1,9% em março, atingindo seu maior nível desde 1991. O mercado apostava em um crescimento um pouco menor, de 2,9%.

Já a renda pessoal sofreu um tombo de 13,1% no mesmo período, mas ainda ficou acima da projeção do mercado, de queda de 14%.

O dado é um dos parâmetros de inflação que orientam o Fed na calibragem dos juros dos Fed funds (títulos de curto prazo do Tesouro americano), uma espécie de taxa Selic, que, por sua vez, influenciam os juros dos Treasuries (títulos de 10 anos do Tesouro), que é a referência global de taxa de juro.

Sobe e desce na B3

Além da alta da Petrobras, os papéis dos bancos também vivem um dia de lucros. As ações do Itaú subiram 1,98%, enquanto o Bradesco teve elevação de 0,37%.

No caminho oposto, as ações da Sabesp e Azul registraram quedas mais acentuadas do pregão, com recuos de 4,60% e 4,06%, respectivamente.

Dólar em queda

O dólar fechou com queda de 0,82% nesta sexta-feira, 28, cotado a R$ 5,212.

Podem estar ocorrendo antecipação de rolagens de contratos cambiais em meio à previsão de feriado na segunda-feira nos EUA, que pode reduzir a liquidez nos mercados, segundo um operador.

IGP-M bem acima do esperado

No cenário doméstico, os investidores estão absorvendo os novos dados do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), inflação do aluguel, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O índice acelerou 4,10% em maio, ante 1,51% em abril, somando 37,04% no acumulado de 12 meses. É a maior taxa obtida para maio, desde o Plano Real.

NY: ações em alta

As bolsas de Nova York operaram em alta nesta sexta-feira, com o mercado refletindo o comportamento do índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês), que veio em linha com as expectativas, e com o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês), contabilizado acima das estimativas dos analistas.

O índice S&P 500 operou em alta de 0,08%, seguido por Dow Jones, com elevação de 0,19%, e Nasdaq, com avanço de 0,20%.

O índice medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) de Chicago subiu de 72,1 em abril para 75,2 em maio, atingindo o maior nível desde novembro de 1973, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira. O resultado surpreendeu analistas, que previam queda do indicador a 68.

O índice de sentimento do consumidor nos Estados Unidos elaborado pela Universidade de Michigan caiu de 88,8 em abril a 82,9 na leitura final de maio, segundo informou a instituição. Analistas previam queda ligeiramente menor, a 83.

O índice para as condições atuais recuou de 97,2 em abril a 89,4 no mês atual. Já o índice de expectativas dos consumidores teve queda de 82,7 a 78,8, na mesma base de comparação. A medida de expectativa de inflação em um ano acelerou de 3,4% a 4,6%. Já a de cinco anos passou de 2,7% para 3%.

Além disso, os investidores estão em compasso de espera com a apresentação de uma robusta proposta orçamentária de US$ 6 trilhões pelo presidente americano Joe Biden.

Dados publicados na véspera confirmaram que os EUA cresceram em ritmo anualizado de 6,4% no primeiro trimestre e mostraram também que o número de pedidos de auxílio-desemprego no país caiu mais do que o esperado na semana passada.

Os indicadores reforçaram a visão de que a maior economia do mundo continua se recuperando com vigor dos choques da pandemia, ainda que exiba fraqueza em áreas específicas.

"O mercado de ações tem estado um pouco em um modo de espera", disse o economista-chefe da Allianz, Ludovic Subran. Segundo ele, investidores buscam entender se de fato a economia americana está em boom e se isso fará o Federal Reserve (Fed) questionar qual caminho seguir.

CPI da Covid: Butantan na véspera

No cenário doméstico, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid segue no radar dos investidores, apesar de não ter tido até o momento um reflexo direto na movimentação do mercado financeiro.

Na véspera, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, foi ouvido pelo colegiado durante seis horas. O instituto é responsável pelo fornecimento da Coronavac, primeira vacina contra a covid disponível no País. A guerra política que envolveu as negociações do imunizante foi o foco do interrogatório de Dimas Covas.

Aos senadores, o diretor do Butantan afirmou que se o governo tivesse aceitado uma oferta apresentada ao Ministério da Saúde em julho do ano passado, 60 milhões de doses da vacina poderiam ter sido entregues ao Programa Nacional de Imunização (PNI) até dezembro de 2020. A proposta, no entanto, não teria tido retorno do governo.

Dimas Covas ainda contrariou a versão do ex-ministro Eduardo Pazuello, de que as declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a Coronavac não teriam influenciado as negociações.

Segundo o diretor do Butantan, as conversações com o Ministério da Saúde sobre a compra do imunizante "não prosseguiram" em razão da manifestação do presidente, que desautorizou Pazuello publicamente sobre a aquisição da vacina.

De acordo com Covas, o cenário só mudou em janeiro, quando o contrato com o Ministério da Saúde foi fechado - o que, para o diretor do Butantan, foi fruto de tentativas frustradas do governo em adquirir outros imunizantes.

O diretor ainda reforçou que, se a contratação com a pasta tivesse ocorrido antes, 100 milhões de doses poderiam ter sido integralizadas em maio deste ano. "E nesse momento (com o contrato atual) não sabemos se 100 milhões de doses serão integralizadas em setembro dada as dificuldades em relação à matéria-prima", relatou Covas.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, após sinais de que os EUA continuam se recuperando dos efeitos da pandemia de covid-19 e estão dispostos a gastar fortemente para manter o ímpeto da retomada.

O índice acionário japonês Nikkei liderou os ganhos na região, com um salto de 2,10% em Tóquio, aos 29.149,41 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,73% em Seul, aos 3.188,73 pontos.

Já o Hang Seng teve alta marginal de 0,04% em Hong Kong, aos 29.124,41 pontos, e o Taiex se valorizou 1,62% em Taiwan, aos 16.870,86 pontos.

Exceção, os mercados da China continental ficaram no vermelho: o Xangai Composto recuou 0,22%, a 3.600,78 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto perdeu 0,24%, a 2.393,48 pontos.

A corretora online Oanda atribuiu o mau humor ao fato de o PBoC ter fixado a taxa de paridade de hoje do yuan ante o dólar no maior nível em dois anos, sugerindo que o banco central chinês "não tem nenhum problema com mais valorização" da moeda local.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em novo patamar recorde, com ganhos em quase todos os setores. O S&P/ASX 200 avançou 1,19% em Sydney, aos 7.179,50 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

Imagem do autor

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Visualizar Comentários

Mercado Financeiro
Mercado Financeiro
Economia
Mercado Financeiro
Veja mais Ver mais