Mercado Financeiro

Investidores e profissionais de mercado estarão com atenção total voltada ao dado de inflação de abril que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) divulga nesta sexta-feira, 28.

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Comportamento da inflação americana sinaliza caminho dos juros nos EUA ao mercado - Foto: Envato

Em meio a indicadores desencontrados que ora apontam para uma economia americana em ritmo mais forte, ora mais comportada e, nesse compasso, uma inflação mais pressionada, ora estabilizada, especialistas entendem que o dado de inflação que será conhecido hoje pode ser determinante para a definição do rumo da política monetária pelo Fed.

O dado é o indicador de gastos de consumo (PCE, na sigla em inglês), uma das medidas de inflação que orientam o Fed na calibragem dos juros dos Fed funds (títulos de curto prazo do Tesouro americano), uma espécie de taxa Selic, que, por sua vez, influenciam os juros dos Treasuries (títulos de 10 anos do Tesouro), que é a referência global de taxa de juro.

O mercado financeiro não disfarça a preocupação com a inflação e a trajetória dos juros americanos, mas também não deixa de expressar o sentimento de que acredita em um cenário mais promissor para a economia doméstica no segundo semestre.

“Surgem alguns sinais que apontam que o PIB pode surpreender positivamente”, afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Perspectiva econômica anima o mercado

Ele se refere às seguidas revisões para cima nas projeções de crescimento do PIB, com as que circulam no mercado à frente das estimativas apontadas pelo boletim Focus, do Banco Central. “O último Focus prevê uma alta de 3,52%, mas as projeções do mercado estão entre 4,00% e 4,50%, e algumas já indicam até 5,00%.”

O estrategista da RB Investimentos diz que o mercado financeiro está otimista com a economia, a despeito do agravamento do quadro de pandemia em um cenário de oferta insuficiente de vacinas para a redução do contágio.

“A aposta nessa perspectiva de melhora econômica vem do fato de que os indicadores não foram tão ruins, como se previa, no trimestre, que coincidiu com o início da segunda onda do coronavírus.” 

Um fato visto também como positivo pelos analistas de mercado, segundo Cruz, foi a decisão da agência de classificação de risco Fitch de manter o rating (nota do grau de risco de quem aplica por aqui) do País. “O fato de não ter piorado a nota de risco (BB-) é algo que dá para comemorar.”

NY: futuros em alta

Os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York avançam nesta sexta-feira, com os investidores em compasso de espera sobre o novo índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês) e com a apresentação de uma robusta proposta orçamentária de US$ 6 trilhões pelo presidente americano Joe Biden

Além disso, o mercado está digerindo os dados econômicos divulgados na véspera, incluindo as negociações no país e as novas falas de dirigentes do Fed.

O índice Dow Jones avançou 0,41%, em 34.464,64 pontos, o S&P 500 subiu 0,12%, aos 4.200,88 pontos, e o Nasdaq teve baixa de 0,01%, aos 13.736,28 pontos.

Dados publicados na véspera confirmaram que os EUA cresceram em ritmo anualizado de 6,4% no primeiro trimestre e mostraram também que o número de pedidos de auxílio-desemprego no país caiu mais do que o esperado na semana passada.

Os indicadores reforçaram a visão de que a maior economia do mundo continua se recuperando com vigor dos choques da pandemia, ainda que exiba fraqueza em áreas específicas.

"O mercado de ações tem estado um pouco em um modo de espera", disse o economista-chefe da Allianz, Ludovic Subran.

Segundo ele, investidores buscam entender se de fato a economia americana está em boom e se isso fará o Federal Reserve (Fed) questionar qual caminho seguir.

O presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, avaliou na véspera que o quadro no mercado de trabalho não é tão preocupante, defendendo começar a discutir a redução do programa de relaxamento quantitativo (QE) "mais cedo do que tarde".

No dia anterior, a Casa Branca viu "vários acréscimos construtivos" na nova contraproposta de investimentos em infraestrutura dos republicanos. As tratativas devem seguir na próxima semana, e há pontos de discordância, como a forma de pagar pelo pacote, com os democratas reforçando o ônus por meio de tributos corporativos.

CPI da Covid: Butantan na véspera

No cenário doméstico, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid segue no radar dos investidores, apesar de não ter tido até o momento um reflexo direto na movimentação do mercado financeiro.

Na véspera, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, foi ouvido pelo colegiado durante seis horas. O instituto é responsável pelo fornecimento da Coronavac, primeira vacina contra a covid disponível no País. A guerra política que envolveu as negociações do imunizante foi o foco do interrogatório de Dimas Covas.

Aos senadores, o diretor do Butantan afirmou que se o governo tivesse aceitado uma oferta apresentada ao Ministério da Saúde em julho do ano passado, 60 milhões de doses da vacina poderiam ter sido entregues ao Programa Nacional de Imunização (PNI) até dezembro de 2020. A proposta, no entanto, não teria tido retorno do governo.

Dimas Covas ainda contrariou a versão do ex-ministro Eduardo Pazuello, de que as declarações do presidente Jair Bolsonaro contra a Coronavac não teriam influenciado as negociações.

Segundo o diretor do Butantan, as conversações com o Ministério da Saúde sobre a compra do imunizante "não prosseguiram" em razão da manifestação do presidente, que desautorizou Pazuello publicamente sobre a aquisição da vacina.

De acordo com Covas, o cenário só mudou em janeiro, quando o contrato com o Ministério da Saúde foi fechado - o que, para o diretor do Butantan, foi fruto de tentativas frustradas do governo em adquirir outros imunizantes.

O diretor ainda reforçou que, se a contratação com a pasta tivesse ocorrido antes, 100 milhões de doses poderiam ter sido integralizadas em maio deste ano. "E nesse momento (com o contrato atual) não sabemos se 100 milhões de doses serão integralizadas em setembro dada as dificuldades em relação à matéria-prima", relatou Covas.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira, após sinais de que os EUA continuam se recuperando dos efeitos da pandemia de covid-19 e estão dispostos a gastar fortemente para manter o ímpeto da retomada.

O índice acionário japonês Nikkei liderou os ganhos na região, com um salto de 2,10% em Tóquio, aos 29.149,41 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,73% em Seul, aos 3.188,73 pontos.

Já o Hang Seng teve alta marginal de 0,04% em Hong Kong, aos 29.124,41 pontos, e o Taiex se valorizou 1,62% em Taiwan, aos 16.870,86 pontos.

Exceção, os mercados da China continental ficaram no vermelho: o Xangai Composto recuou 0,22%, a 3.600,78 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto perdeu 0,24%, a 2.393,48 pontos.

A corretora online Oanda atribuiu o mau humor ao fato de o PBoC ter fixado a taxa de paridade de hoje do yuan ante o dólar no maior nível em dois anos, sugerindo que o banco central chinês "não tem nenhum problema com mais valorização" da moeda local.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou o pregão em novo patamar recorde, com ganhos em quase todos os setores. O S&P/ASX 200 avançou 1,19% em Sydney, aos 7.179,50 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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