Mercado Financeiro

A Bolsa encerrou o pregão desta segunda-feira em alta de 0,52%, aos 126.215,73 pontos, e garantiu nova máxima histórica ao atingir o patamar de 126 mil pontos pela primeira vez. O ânimo dos investidores deve-se às perspectivas para o PIB de 2021 superiores às projeções anteriores, o que deve manter a proporção entre dívida e renda nacional abaixo do esperado. Estes resultados juntaram-se ao posicionamento de bancos centrais ao redor do mundo em favor das políticas de estímulos econômicos.

Os ganhos do pregão foram puxados pelas ações das siderúrgicas e mineradoras, que estão em ritmo de valorização, refletindo o aumento do preço do minério de ferro. Vale registrou alta de 2,42%.

bolsa de valores brasileira - B3
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

A Usiminas reportou avanço de 1,32%. A Gerdau seguia na mesma esteira, com ganhos de 0,27%, e CSN, na contramão, com recuo de 0,31%.

A Cosan e a Eneva, produtoras de energia térmica, tiveram valorização de 6,75% e 4,08%, respectivamente, em seus papéis, diante do aumento do risco hídrico. A notícia de que os investidores da Cosan se comprometeram a investir R$ 810 milhões em sua subsidária Compass, em troca de participação de 4,68% na unidade de gás natural e energia do grupo, também contribuiu para o resultado da companhia hoje.

Dados econômicos no Brasil

No mercado interno, a divulgação do novo Boletim Focus, nesta segunda-feira, traz alguns sinais da movimentação econômica para o mercado financeiro.

As estimativas para a inflação em 2021 avançaram para 5,31% - que já está acima do teto da meta - enquanto a projeção para o PIB deste ano segue aumentando a cada relatório divulgado ao mercado, chegando a 3,96%.

Nesta manhã, o BC também divulgou os resultados da balança comercial de abril. Apesar dos efeitos econômicos da segunda onda da pandemia do novo coronavírus, o setor público consolidado (Governo Central, Estados, municípios e estatais, com exceção de Petrobras e Eletrobras) apresentou superávit primário de R$ 24,255 bilhões no período.

Em março deste ano, havia sido registrado superávit de R$ 4,981 bilhões e, em abril de 2020, déficit de R$ 94,303 bilhões. O resultado primário reflete a diferença entre receitas e despesas do setor público, antes do pagamento da dívida pública.

O déficit primário consolidado do mês passado ficou acima do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro que iam de superávit de R$ 8,300 bilhões a R$ 20,300 bilhões. A mediana estava positiva em R$ 16,500 bilhões.

Dólar em alta

O dólar subiu ante o real nesta segunda-feira acompanhando a alta frente algumas divisas emergentes e ligadas a commodities, como peso mexicano, rublo e rand sul africano. A moeda americana à vista apontou avanço de 0,25%, cotada a R$ 5,225.

 NY: bolsas fechadas

As bolsas de Nova York não operaram nesta segunda-feira, 31, por conta do feriado. Porém, o plano orçamentário do governo americano de US$ 6 trilhões para 2022 segue na pauta de acompanhamentos da semana.

Após as publicações dos dados da última sexta, "os dirigentes do Fed - em especial os seus membros governantes - devem permanecer com a visão de que as pressões inflacionárias são transitórias, movidas por gargalos" na cadeia de suprimentos, avalia a Pantheon Macroeconomics.

A proposta de orçamento apresentada por Biden para o ano fiscal de 2022, que começa em outubro, mobiliza US$ 6 trilhões e prevê déficit fiscal de US$ 1,84 trilhão, queda em relação a US$ 3,67 trilhões em 2021. A estimativa é de que a dívida pública alcance 111,8% do PIB no ano fiscal. O pacote, que ainda não começou a tramitar no Congresso, tem o potencial de estimular a economia.

CPI: Pazuello X White Martins

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid seguem no radar dos investidores. O colegiado pretende confrontar o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com uma carta da empresa White Martins e uma nota assinada pelo ex-secretário executivo do ministério, Élcio Franco, sobre a crise de abastecimento de oxigênio em Manaus.

Obtida pela reportagem do O Estado de S.Paulo, a carta enviada para a comissão mostra que a multinacional alertou o governo do Amazonas sobre a necessidade de apoio e “esforços adicionais” para suprir a necessidade de oxigênio diante do aumento exponencial de casos de covid-19 no Estado.

Avisada, a Secretaria entrou em contato com Pazuello. Em entrevista transmitida pelas redes sociais, na tarde de 18 de janeiro, o então ministro da Saúde admitiu ter ficado "surpreso" com o colapso no sistema de saúde do Amazonas. Em Manaus, pessoas morreram asfixiadas por falta de oxigênio hospitalar.

O Fórum Nacional dos Governadores enviou uma carta ao presidente da CPI, senador Omar Aziz, para "externar a preocupação acerca da violação das normas constitucionais" com a convocação de nove governadores pelo colegiado.

Na semana passada, após ouvir integrantes e ex-integrantes do governo de Jair Bolsonaro, a CPI da Covid do Senado aprovou, na última quarta-feira, 26, as convocações de nove governadores. O objetivo da cúpula do colegiado é neutralizar críticas, inclusive nas redes sociais, de que a CPI tem como foco exclusivo a gestão federal na pandemia.

Reforma tributária: fatiamento

Outro tema que segue na pauta de atenção dos investidores é a reforma tributária. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), usou as redes sociais no último domingo, 30, para defender, de forma indireta, o fatiamento da reforma tributária ao citar a "reforma do possível" e dizer que a "ambição que é apenas um biombo para não fazer nada".

"Todos os que já viveram essa situação sabem que muitas vezes o 'feijão com arroz' pode não ser um banquete, mas é a diferença entre o ideal e o possível. Queremos sempre a maior reforma possível. Mas a melhor nem sempre é a maior, sabemos. A melhor será sempre a possível", disse ele em uma série de publicações no Twitter neste domingo, 30.

Lira tenta avançar com as mudanças no sistema de arrecadação do País por etapas, com projetos de lei e mudanças constitucionais tramitando pela Câmara e pelo Senado. Ele tem se reunido nas últimas semanas com membros do governo e com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para definir as próximas etapas.

O fatiamento da reforma, no entanto, é criticado por especialistas. A decisão do Congresso pode abortar a possibilidade de aprovação, ainda este ano, de uma proposta ampla com efeitos duradouros para a melhoria do ambiente de negócios e do crescimento do País, segundo especialistas.

Eles veem risco de a reforma se resumir a uma mera unificação do PIS/Cofins, levando a um aumento da carga tributária para os contribuintes brasileiros.

Orçamento 2021: limite de empenho

O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto no último sábado, 29, para readequar o Orçamento de 2021, com uma ampliação de limite de empenho.

Essa mudança deverá liberar valores antes bloqueados de cerca de R$ 4,5 bilhões que poderão ser destinados aos ministérios, alvo de severos fortes cortes neste ano.

Segundo o Ministério da Economia, a decisão sobre quais recursos serão liberados depende ainda de deliberação da Junta de Execução Orçamentária.

O decreto também autoriza que as reduções dos desbloqueios sejam feitas por meio de portarias da Secretaria Especial de Fazenda, em vez de decretos, de acordo com a Economia.

A medida altera a programação orçamentária e financeira após o governo verificar a possibilidade de ampliar limites de empenho. A alteração, segundo o governo, busca adequar ao cumprimento da meta de resultado primário estabelecida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2021.

Para sancionar o Orçamento de 2021, o presidente Jair Bolsonaro fez um ajuste de R$ 29 bilhões de duas formas: vetou parte de emendas parlamentares e verbas dos ministérios (R$ 19,8 bilhões) e bloqueou uma parcela das despesas previstas para este ano em vários órgãos federais (R$ 9,3 bilhões) - de onde deverão ser liberadas verbas agora.

Mesmo em meio à pandemia, foram vetados R$ 2,2 bilhões do Ministério da Saúde. Os vetos a despesas da Saúde foram repartidos em diversos programas, que incluem a adequação de sistemas tecnológicos, ações de pesquisa e desenvolvimento, manutenção de serviços laboratoriais, assistência farmacêutica e até construções de sedes regionais da Fiocruz.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira, 31, a divulgação de indicadores chineses mistos de atividade econômica.

Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,41%, aos 3.615,48 pontos, enquanto o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,10%, a 2.419,76 pontos, graças ao bom desempenho de ações do setor de energia renovável.

Dados oficiais mostraram que o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial chinês recuou para 51 em maio, contrariando expectativa de que permanecesse no patamar de 51,1 de abril. Por outro lado, o PMI de serviços da China avançou de 54,9 para 55,2 no mesmo período. As leituras acima de 50 sugerem expansão de atividade.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng teve leve valorização de 0,09% em Hong Kong, aos 29.151,80 pontos, o sul-coreano Kospi avançou 0,48% em Seul, aos 3.203,92 pontos, e o Taiex registrou ganho de 1,17% em Taiwan, aos 17.068,43 pontos.

Por outro lado, o japonês Nikkei caiu 0,99% em Tóquio, aos 28.860,08 pontos, pressionado por ações financeiras e dos setores de máquinas e imobiliário.

A tendência de infecção por covid-19 no Japão está sendo acompanhada de perto, após o governo decidir estender medidas emergenciais em várias regiões até 20 de junho.

Também ficou no vermelho a bolsa australiana, a principal da Oceania, após encerrar o pregão anterior em nível recorde. Há preocupações de que Victoria, segundo estado mais populoso do país, precise prorrogar o lockdown local. O S&P/ASX 200 recuou 0,25% em Sydney hoje, aos 7.161,60 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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