Mercado Financeiro

O mercado financeiro fechou com com alta expressiva o pregão desta quinta-feira, 23. O Ibovespa subiu 1,59%, aos 114.064,36 pontos, acompanhando o otimismo no exterior e a valorização do preço do minério de ferro, o que impulsionou as ações ligadas às commodities. O dólar oscilou entre os campos positivo e negativo e fechou com uma leve valorização de 0,25%, cotado a R$ 5,30.

Para Flávio de Oliveira, Head de Renda Variável da Zahl Investimentos, o principal destaque do dia foi o alívio no noticiário da China em relação à crise na Evergrande, gigante do setor imobiliário. Além disso, as decisões de política monetária na véspera, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, vieram em linha com as expectativas do mercado, o que ajudou a manter o bom-humor dos investidores nacionais e estrangeiros.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Mantendo o clima positivo do pregão anterior e acompanhando o avanço do preço do minério de ferro no mercado internacional, as ações ligadas às commodities fecharam no azul neste pregão. As siderúrgicas Usiminas, Gerdau e CSN estiveram entre as maiores altas da Bolsa hoje e subiram 9,25%, 5,44% e 2,35%, na sequência. A Vale foi a única que não acompanhou o movimento e caiu 0,54%.

Na mesma esteira de altas, as petroleiras também se destacaram no pregão. A Petrobras reportou valorização de 3,56%, enquanto a PetroRio subiu 2,46%.

Outra fatia importante na composição da carteira teórica da B3, com peso de cerca de 17%, os bancões registraram alta expressiva no pregão, ajudando a levar o Ibovespa para cima. Bradesco, Itaú e Santander avançaram 3,83%, 3,24% e 2,93%, respectivamente.

A maior alta do dia ficou por conta da Embraer, que saltou 12,11%. A notícia sobre a encomenda que a empresa recebeu de até 100 eVTLOs da Bristow atraiu os investidores.

Evergrande

A perspectiva de um encaminhamento satisfatório para a crise envolvendo a incorporadora chinesa Evergrande trouxe um pouco mais de paz para o mercado financeiro. No entanto, fontes ligadas às autoridades chinesas apontam que o governo chinês está se preparando para um possível colapso da incorporadora mais endividada do país.

Nesta quinta-feira, o Banco do Povo da China (PBoC) injetou 120 bilhões de yuans (cerca de US$ 18,6 bilhões) em recursos no sistema financeiro chinês por meio de operações de recompra reversa de sete e de 14 dias, segundo comunicado divulgado no site da instituição.

O aporte é mais uma tentativa de manter a liquidez do sistema bancário em meio a preocupações com as dificuldades financeiras da Evergrande. No dia anterior, o PBoC fez uma injeção de capital de iguais proporções.

Wall Street: mercado aliviado

As boas notícias vindas da China, após dias de turbulência com preocupações sobre a gigante chinesa Evergrande, e a decisão do Fed de manter a taxa de juros entre 0% e 0,25% trouxeram mais tranquilidade para as bolsas de Nova York, que fecharam em alta nesta quinta-feira.

Os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq 100 subiram 1,26%, 1,53% e 0,92%, na sequência.

Durante a manhã, o Departamento de Trabalho divulgou que o número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos teve alta de 16 mil solicitações na semana encerrada em 18 de setembro, somando 351 mil solicitações.

O resultado frustrou a expectativa de grande parte dos analistas, que previam queda e volume final de 320 mil pedidos. O total da semana anterior foi ligeiramente revisado para cima, de 332 mil para 335 mil pedidos.

O número de pedidos continuados, por sua vez, registrou aumento de 131 mil na semana encerrada em 11 de setembro, a 2,845 milhões. Esse indicador é divulgado com uma semana de atraso.

O presidente do banco central americano, Jerome Powell, afirmou que o conselho do Fed "ainda não decidiu sobre o tapering nem sobre seu ritmo", mas adiantou que o processo de redução nas compras de bônus pela autoridade monetária tende a ser "muito gradual". Powell ressaltou ainda que o ritmo da redução nas compras pode ser alterado para mais ou para menos durante o processo, a depender do quadro.

Durante entrevista coletiva no dia anterior, Powell disse que o país segue com desequilíbrios no mercado de trabalho, mas acredita que eles serão resolvidos. Em sua visão, por muitas métricas, a criação de empregos no país está "apertada". Um dos desequilíbrios citados por ele foi a desigualdade nas taxas de desemprego entre diferentes grupos étnicos nos EUA.

Outro tema destacado foram as expectativas de inflação no país, que Powell reconheceu terem "subido um pouco nas nossas projeções". Segundo o dirigente, a autoridade segue bastante atenta às expectativas para os preços. Por sua vez, em sua visão, o salto nas expectativas de inflação em grande medida compensa a fraqueza anterior nessa frente enfrentada anteriormente pelo país.

Powell destacou também a importância de que o teto da dívida seja elevado "em um cronograma adequado" e comentou que os Estados Unidos não devem declarar default de sua dívida.

Ele ressaltou que não é possível esperar que "o Fed ou qualquer um possa proteger os mercados", caso não ocorra sucesso nessa iniciativa e o país acabe em default. Em sua fala, o presidente da autoridade monetária enfatizou o "dano severo" à economia e aos mercados financeiros que isso acarretaria.

Selic

A decisão de elevar a taxa básica de juros a 6,25% ao ano veio em linha com as expectativas do mercado. Essa é a mais elevada Selic registrada há dois anos e a expectativa dos economistas e analistas é que venham novas altas nas próximas reuniões do Copom, duas delas realizadas ainda neste ano.

A expectativa é que o ano termine com a Selic acima de 8%, caso o BC realize mais dois ajustes de 1 ponto porcentual em 2021. O comunicado divulgado após a reunião já indicou novo aumento desse calibre no próximo encontro.

A trajetória positiva segue reforçada também pela decisão do Fed de manter a taxa de juros do país entre 0% e 0,25% e sinalizar que não tem pressa para iniciar o tapering, a retirada de estímulos da economia.

Reforma administrativa

Por um placar apertado, com uma diferença de apenas três votos, a comissão especial da reforma administrativa rejeitou um requerimento de retirada de pauta. Foram 22 votos contra e 19 favoráveis.

O relator, Arthur Maia, apresentou nesta quarta-feira, 22, alterações, ao texto protocolado mais cedo, em que ele deixa claro que incluiu juízes e promotores no corte de privilégios promovidos pela reforma.

O relator da reforma administrativa, deputado Arthur Maia, retomou a possibilidade da redução em até 25% de jornadas e salários de servidores públicos, agora, com a ressalva de que a medida poderá ser adotada só em "cenário de crise fiscal, como alternativa em relação à adoção de outra mais drástica, o desligamento de servidores efetivos", diz o relatório.

Bolsonaro

O secretário especial de Comunicação Social do Planalto, André Costa, informou que o presidente Jair Bolsonaro, mesmo assintomático, seguirá recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e permanecerá em isolamento no Palácio da Alvorada por pelo menos cinco dias, após ter tido contato com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que testou positivo para a covid-19.

No entanto, quando a delegação brasileira já sabia da situação de Queiroga, o presidente se reuniu com apoiadores na porta do seu hotel.

Bolsonaro permaneceu por mais de 20 minutos, sem máscara, entre manifestantes bolsonaristas. A aglomeração aconteceu quando saiu do hotel onde se hospedou em Nova York rumo ao aeroporto de onde o avião presidencial decolou para Brasília. 

Pesquisa eleitoral

A maioria absoluta dos eleitores considera o governo Jair Bolsonaro ruim ou péssimo, segundo pesquisa Ipec divulgada na véspera. É a primeira vez que isso acontece na sequência de três levantamentos que o instituto fez desde o início do ano.

Além da avaliação negativa, a pesquisa trouxe outra notícia ruim para o presidente: se ele disputasse hoje o Palácio do Planalto, teria menos da metade dos votos de seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, que venceria no primeiro turno.

Nada menos que 42% dos brasileiros em idade de votar acham que o governo é péssimo. Para outros 11%, é ruim. A soma das avaliações negativas chega a 53%, quatro pontos porcentuais acima do registrado em junho, quando foi feita a pesquisa anterior do Ipec. Desde fevereiro, esse aumento foi de 14 pontos.

STF: trabalho ‘desafiador’

O ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um balanço do seu primeiro ano no comando da Corte e disse que o trabalho tem sido 'desafiador' em razão da pandemia e do ambiente político.

Na primeira metade do biênio que delimita o seu mandato à frente do colegiado, os ataques do presidente Jair Bolsonaro e de seus apoiadores aos ministros do Supremo se intensificaram.

Neste cenário, Fux atuou diversas vezes em conjunto com os outros Poderes para encerrar a crise política, mas, também, foi firme ao lidar com o Palácio do Planalto diante dos ataques recorrentes aos membros da Corte.

"Para além da crise sanitária que vivenciamos, a atual conjuntura trouxe reflexos político-institucionais e socioeconômicos, que tem testado o vigor das nossas instituições políticas", afirmou.

Sem citar Bolsonaro, Fux disse que o tribunal segue 'estável, resiliente e coeso' e tem contribuído para a 'estabilidade institucional'.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quinta-feira, à medida que a ação da gigante do setor imobiliário chinês Evergrande disparou em Hong Kong e um dia após o Fed adiar a retirada de estímulos monetários.

Na volta de um feriado em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,19% hoje, aos 24.510,98 pontos, graças a uma recuperação de ações de incorporadoras imobiliárias chinesas liderada pela Evergrande, que alega estar avançando no sentido de resolver sua crise de liquidez.

Apenas o papel da Evergrande saltou 17,62% em Hong Kong, depois de chegar a disparar 32% na primeira metade dos negócios. Desde o começo do ano, porém, a ação ainda acumula perdas de mais de 80%. Na quarta-feira, uma subsidiária da Evergrande prometeu honrar o pagamento de juros sobre bônus que vencem hoje.

Na China continental, o dia foi de valorização moderada: o Xangai Composto subiu 0,38%, a 3.642,22 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,46%, aos 2.451,36 posontos.

Em outras partes da Ásia, o Taiex registrou alta de 0,90% em Taiwan, aos 17.078,22 pontos, mas o sul-coreano Kospi caiu 0,41% em Seul, aos 3.127,58 pontos, ao retornar de um feriado de três dias. O mercado de Tóquio, por sua vez, não operou nesta quinta devido a um feriado nacional no Japão.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul, impulsionada principalmente por ações de tecnologia e de petrolíferas. O S&P/ASX 200 avançou 1% em Sydney, aos 7.370,20 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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