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Evergrande é a maior preocupação financeira da China no momento e, rapidamente, está se tornando, também, um problema para fora das fronteiras do país. Em suma, a gigante incorporadora imobiliária tem mais de US$ 300 bilhões em dívidas e o que o mercado espera é que a empresa deixe de pagar seus bonds, ou seja, seus títulos de dívidas.

Foto: Reprodução evergrande
Fachada de prédio da Evergrande | Foto: Reprodução

O grupo possui 1.300 projetos em mais de 280 cidades. Mas seu alcance vai muito além da construção de casas. Hui Ka Yan, o dono bilionário da companhia, está envolvido com projetos dos mais diferentes segmentos: de veículos elétricos a produção de mídia, passando por água mineral e futebol.

Os problemas da empresa começaram em 2020, quando, supostamente, a Evergrande enviou uma carta ao governo provincial de Guangdong, alertando as autoridades sobre uma potencial crise de liquidez. O grupo mais tarde contestou a autenticidade da carta e, naquele momento, a crise foi evitada, quando um grupo de investidores renunciou ao seu direito de forçar um reembolso de US$ 13 bilhões com o vencimento de seus títulos.

No entanto, ainda há muitas dívidas vencendo e as agências de classificação de risco já começaram a enxergar a inadimplência nos pagamentos.

Então, o que poderia salvar a Evergrande dessa crise? Resumindo, Pequim. E agora os investidores em todo o mundo estão na expectativa para ver se o governo chinês intervirá e oferecerá um resgate ou exigirá uma reestruturação da empresa. Ou se deixará o destino seguir seu curso e arriscar o colapso da companhia e todo o caos que isso poderia trazer.

Por que isso importa?

Detentores de títulos, investidores em ações da empresa e agências de classificação de risco preveem um default da Evergrande e dizem que uma reestruturação da dívida é quase inevitável.

Os impactos já estão sendo sentidos nos mercados de ações globais, gerando perdas até mesmo em empresas sem vínculo claro com a China ou com o mercado imobiliário. Espera-se, entretanto, que as autoridades em Pequim elaborem uma resolução, em vez de permitir um colapso caótico que levaria à falência.

O Estado chinês administra a maioria dos bancos e pode exercer pressão sobre credores, fornecedores e outras contrapartes, reduzindo ao mínimo o risco sistêmico. Enquanto os investidores da Evergrande recuperariam apenas uma pequena parte de seu dinheiro, as operações da empresa permaneceriam protegidas e as propriedades inacabadas seriam entregues a seus proprietários.

Se a crise não for controlada, no entanto, isso pode significar uma catástrofe para a economia da China, um dos principais motores do crescimento global. Controles agressivos para conter surtos de Covid-19 já estão prejudicando os gastos do varejo e viagens na China, ao mesmo tempo em que as medidas para controlar a inflação nos preços de imóveis estão cobrando seu preço.

Uma correção no mercado imobiliário da China, que compreende 28% da economia chinesa e 40% dos ativos domésticos, representa um risco para a estabilidade social.

Na pior das hipóteses, o estresse relacionado a Evergrande se espalha por todo o sistema financeiro mundial e congela o mercado de crédito global. Esse seria o momento Lehman Brothers da China, arriscando uma repetição da crise financeira global - crise do subprime de 2008 - e arrastando a economia do mundo todo com ela.

Colapso imobiliário, aumento do desemprego, salários mais baixos e recessões econômicas prolongadas. A China tem muitas ferramentas para evitar isso, é claro, e grande parte de Wall Street acredita que Pequim as usará se necessário.

Alguns números da Evergrande

  • 2 trilhões de yuans (moeda chinesa): essa é a quantia que a Evergrande tem em ativos, segundo a Goldman Sachs, o que equivale a 2% do PIB da China. Na cotação desta quarta-feira, 22, esse valor equivale a cerca de US$ 310 bilhões;
  • 3 linhas vermelhas: essa é a métrica que o governo diz que os desenvolvedores devem atender se quiserem tomar mais empréstimos;
  • 1,4 milhão: esse é o número de propriedades individuais que a Evergrande se comprometeu a construir até o final de junho.

Texto originalmente publicado na Bloomberg americana.

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