Mercado Financeiro

A Bolsa fechou em alta de 1,34% nesta quarta-feira, 28, avançando para os 126.285,59 pontos. A valorização mais acentuada foi motivada pelos resultados animadores de empresas em seus balanços trimestrais, com o destaque para Weg nesta quarta-feira, pelo bom desempenho de Vale e Petrobras, e pela falta de novidades na reunião do Fed (Federal Reserve dos EUA) O banco central americano manteve os estímulos à economia americana e a taxa de juros entre zero e 0,25%

O tom adotado pelo Fed também contribuiu para a queda do dólar ante o real. A moeda americana encerrou o dia em baixa de 1,31%, cotado a R$ 5,110.

foto por Rafael Matsunaga
Bolsa opera em alta com investidores no aguardo da decisão do Fomc sobre a taxa de juros americanas

O comunicado do FOMC (o Copom americano) ressaltou que o aumento da inflação permaneceu como resultado de fatores transitórios, sem a necessidade de redução dos estímulos monetários no curto prazo. A decisão sobre essa questão foi adiada, e o Fed seguirá com as compras mensais de títulos, o que resulta na continuidade de alta liquidez nos mercados globais sendo drenada para mercados emergentes, inclusive para a bolsa brasileira.

Por aqui, a temporada de balanços corporativos do segundo trimestre também repercute no mercado. O destaque do dia ficou por conta da WEG, que registrou um lucro líquido de R$ 1,13 bilhão, o que é 120,6% maior que o do segundo trimestre de 2020. Após a divulgação, as ações da empresa saltaram e fecharam o dia com alta de 8,17%.

Os investidores ainda aguardam os resultados do balanço trimestral da Vale, que deve ser divulgado na noite desta quarta-feira. Com a expectativa, os papéis da mineradora subiram 2,73%.

Sobe e desce da B3

A Petrobras, que, assim como a Vale, tem um forte peso na carteira teórica da B3, também viveu um pregão de alta. As ações da companhia avançaram 2,06%.

Na esteira de alta também vieram os grandes bancos. Os papéis do Itaú e Bradesco saltaram 3,25% e 2,34%. Após anunciar seus resultados - lucro gerencial de R$ 4,1 bilhões no segundo trimestre, maior nível histórico obtido pelo banco -, o Santander também sobe na B3, com valorização de 1,04%.

Após uma queda de 35,4% nos últimos dois pregões, a Oceanpact também colheu ganhos. As ações da companhia subiram de 5,38%, ao se manter na recomendação de compra dos analistas.

Em dia de estreia na Bolsa, Traders Club e Armac também tiveram alta acentuada. Os papéis das empresas dispararam 32,63% e 33,37%, respectivamente.

No sentido contrário, empresas como Carrefour, CSN, Assaí e Unidas, que também apresentaram seus números do período fecharam o dia em queda. As perdas registradas foram de 0,28%, 2,79%, 1,03% e 0,99%, na sequência.

Dólar em baixa

O dólar fechou em queda, acompanhando a desvalorização da moeda americana no exterior ante pares emergentes do real e olhando também a alta dos juros dos Treasuries, cujas taxas da T-Note 10 anos bateram máxima a 1,2711%, com uma menor busca por proteção.

O comunicado do FOMC também ajudou a acentuar a baixa de 1,31%.

NY: bolsas mistas

No exterior, os contratos negociados nas bolsas de Nova York fecharam sem sinal único, com os investidores de olho nas oscilações da China e digerindo as decisões da reunião do Fed, que manteve inalterada a taxa de juros, além da manutenção nos estímulos à economia americana.

O Índice S&P 500 teve queda sensível de 0,02%, enquanto o Dow Jones caiu 0,36%. Já o Nasdaq 100 registrou alta de 0,41%.

A intervenção da China em setores como tecnologia, educação e commodities tem impactado diretamente a performance das ações das empresas do setor em Wall Street, alimentando o sentimento de cautela do mercado.

Na visão de Nigel Green, diretor presidente do deVere Group, a liquidação das ações tem se concentrado na indústria de educação privada da China após um memorando do governo destacar regulamentações mais severas, que impedirão as empresas do setor de aceitar investimentos estrangeiros e levantar capital no mercado de ações.

 "Esta nova abordagem dura assustou o setor de tecnologia, que já está em alerta máximo em meio a temores de que o governo queira mais controle sobre as empresas", conclui o analista.

Cenário político

No Brasil, o cenário político também está na pauta de atenção dos investidores. Na véspera, o senador Ciro Nogueira aceitou o cargo de ministro da Casa Civil, o que representa um movimento importante para o presidente Jair Bolsonaro em um momento de crescente perda de popularidade do governo.

Ao levar o centrão para a "cozinha" do Palácio do Planalto, Bolsonaro avança várias casas no jogo para barrar o impeachment, atrai apoio no Senado e tenta alavancar sua campanha ao segundo mandato, em 2022.

A missão de Nogueira será diminuir o desgaste de Bolsonaro, alvo da CPI da Covid, tirar o governo da rota de colisão e conquistar aliados. Esta é a 27ª mudança que Bolsonaro faz na equipe em dois anos e meio de mandato.

CPI da Covid: mudanças

O senador Flávio Bolsonaro terá agora uma vaga de suplente na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

Flávio ocupará a vaga do senador Luiz Carlos Heinze, que assumiu como titular do colegiado após o senador Ciro Nogueira ser alçado à Casa Civil. Mesmo antes de fazer parte da comissão, o filho mais velho de Bolsonaro participava das reuniões, entrando em embates com o relator, o senador Renan Calheiros.

O filho '01' de Bolsonaro é um dos alvos da comissão. Renan, por exemplo, quer investigar a relação dele com Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, empresa que está no centro de suspeitas de corrupção na negociação do governo pela vacina indiana Covaxin.

A vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Rosa Weber, manteve quebra de sigilos telefônico e telemático determinada pela CPI da Covid contra Carlos Eduardo Guimarães, assessor do deputado Eduardo Bolsonaro.

A presidente da corte em exercício negou um mandado de segurança impetrado por Guimarães, que é apontado como integrante do "gabinete do ódio que defendia a utilização de medicação sem eficácia comprovada contra a covid-19 e apoiava teorias como a da imunidade de rebanho".

Bolsas asiáticas fecham sem direção única

As bolsas da Ásia fecharam mais uma vez sem direção única nesta quarta-feira, com as chineses ainda em baixa, em reação às recentes intervenções de Pequim no setor privado do país, embora as perdas no mercado acionário da China continental tenham sido menores hoje.

Na China continental, o índice Xangai Composto recuou 0,6%, aos 3.361,59 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,8%, aos 2.313,20 pontos. Na véspera, as perdas haviam sido de 2%.

Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 1,5%, aos 25.473,88 pontos, após ter registrado queda superior a 4% na sessão anterior.

"A queda das ações chinesas deu uma pausa durante a noite, com o índice chinês em Hong Kong em território ligeiramente positivo", afirmam analistas do Danske Bank.

"Isso se segue à recente repressão da China a algumas grandes empresas de tecnologia e ao setor privado de educação, que assustou o sentimento dos investidores com rumores de grandes saídas de investimentos dos EUA", acrescentam.

Em outras partes da Ásia, o Kospi encerrou a sessão com alta de 0,1% em Seul, aos 3.236,86 pontos, após oscilar entre altas e baixas.

O Nikkei, por sua vez, caiu 1,4% no Japão, aos 27.581,66 pontos, pressionado para baixo por ações de companhias aéreas, diante de preocupações com a pandemia de covid-19. Nos últimos dias, Tóquio vem registrando recordes sucessivos de novos casos de coronavírus, em meio à realização dos Jogos Olímpicos.

Na Oceania, a bolsa da Austrália encerrou em baixa, após ter renovado no dia anterior o recorde histórico de fechamento. O índice acionário S&P/ASX 200 caiu 0,7% em Sydney, aos 7.379,3 pontos, em meio ao lockdown imposto nas maiores cidades do país para conter a piora da pandemia devido à disseminação da variante delta. / com Tom Morooka e Agência Estado

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