Mercado Financeiro

A Bolsa fechou nesta quarta-feira, 23, com queda de 0,26%, marcando 128.427,98 pontos. Durante o pregão, no entanto, o Ibovespa chegou a subir quase 1%. As ações de mineradoras e siderúrgicas deram fôlego ao mercado, enquanto as do setor bancário e as varejistas puxaram o índice para baixo.

O dólar não teve forças nem para fechar em terreno positivo, fechou com queda de 0,07%, nem para sair da marca abaixo dos R$ 5.

O mercado ainda avalia sinais de atuação mais firme do Banco Central por aqui para conter a inflação, e também dos dirigentes do Fed, que vem adotando um tom mais suave em pronunciamentos, para a condução da política monetária, considerando que a inflação nos EUA é transitória, embora com a perspectiva de que dure mais tempo do que o esperado inicialmente.

Foto: B3/Divulgação
Sede da B3 em São Paulo - Foto: B3/Divulgação

Segundo análise da Paloma Brum, da Toro Investimentos, o resultado negativo nos papéis de bancos pode ter sido uma reação do mercado à aprovação da MP 1.034 no Senado. Essa MP aumentará a tributação sobre bancos para viabilizar o subsídio temporário ao diesel e gás de cozinha, afetando o lucro liquido do setor e a distribuição dos dividendos.

As ações do Bradesco, Itaú e Santander fecharam em queda de 1,37%, 2,00% e 0,94%, respectivamente.

Por outro lado, os papéis das mineradoras e siderúrgicas tiveram um dia de ganhos com a recuperação do preço do minério de ferro na bolsa de Dailan, avançando 4% após três sessões de perdas.

A Vale registrou avanço de 2,69%. No mesmo sentido, CSN e Usiminas fecharam em alta de 1,55% e 2,53%.

No mercado de petróleo, a alta o preço da commodity impulsionou o bom desempenho das ações da Petrobras. Os papéis da companhia registraram elevação de 1,21%.

Dólar em queda

A queda do dólar abaixo de R$ 5 não acontecia desde 10 de junho do ano passado. E este patamar se manteve na operação do dólar à vista no dia de hoje, mesmo com a moeda operando próximo da estabilidade. A moeda americana fechou o dia cotada à R$ 4,963, com variação negativa de 0,07%.

Sobe e desce da B3

A JBS integra o grupo das altas da B3. Os papéis da empresa subiram 0,99%.

Na mão contrária, setores como varejo, e construção civil apontam perdas em seus papéis, refletindo os dados da ata da reunião do Copom. Varejistas como Magazine Luiza, Lojas Renner e Lojas Marisa reportaram recuo em seus papéis de 1,86%, 1,88% e 7,59%, respectivamente.

Na construção civil, a queda mais acentuada foi nos papéis da Eztec, de 5,69%, seguida pela Cyrela, com baixa de 1,73%.

Rumo da política monetária

O recado ficou suficientemente claro para o mercado, na forma de sinalização de novas altas de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, nas próximas reuniões. O colegiado do Banco Central terá mais quatro encontros até o fim do ano.

Como na última edição do boletim Focus a expectativa de Selic para o fim de 2021 foi revisada de 6,25% para 6,50%, o mercado apressou-se na conta de que serão mais três aumentos de 0,75 ponto nas três próximas reuniões (em agosto, setembro e outubro), quando seria fechado o ciclo de ajustes.

Como está em 4,25% ao ano, com mais três ajustes desse calibre, a Selic fecharia 2021 em 6,50%.

Uma Selic de 6,50% ao ano frente a um juro americano no intervalo de zero a 0,20% ao ano, sem perspectiva ainda de elevação, abre um diferencial de taxas que amplia a atratividade de aplicação de recursos em títulos de renda fixa brasileiros, principalmente de estrangeiros.

Uma perspectiva de ganho atraente em um cenário de menos estresse fiscal, um temor que foi suavizado após a aprovação do Orçamento, no fim de março, e melhora de receitas do governo com arrecadação de impostos.

O investidor estrangeiro interessado em aplicar no Brasil por taxas de juro atraentes está mais confortável para ingressar com o dinheiro no País, de acordo com especialistas.

Essa perspectiva tende a manter o dólar em baixa, porque o ingresso de capitais amplia a oferta de moeda americana, comenta Flávio de Oliveira, head de Renda Variável da Zahl.

Selic a 6,50% atrai a entrada de dólar

“A perspectiva de alta mais consistente do juro básico, previsto em 6,50% para o fim de 2021, reforça a expectativa de que o dólar caia ainda mais”, acredita, mas dois pontos devem ser considerados nessa análise, segundo Oliveira.

“O primeiro é a eleição presidencial de 2022, o clima eleitoral já pode ficar pouco mais acirrado no segundo semestre, o que tende a aumentar a volatilidade nos mercados e a pressionar o dólar", ressalta.

Oliveira entende que a queda, se houver, pode ser menor daqui para a frente, porque “parte da desvalorização mais substancial do dólar já parece ter ocorrido”, o que deixaria menos espaço para baixas, avalia.

“Isso faz com que o risco/retorno de algumas operações que ganham com a queda do dólar já podem não estar tão interessantes", aponta o head da Zahl.

NY: papéis próximos da estabilidade

Nos Estados Unidos, os contratos negociados nas bolsas de Nova York fecharam sem direção única, com o mercado absorvendo o testemunho do presidente do Fed, Jerome Powell, que tiveram um tom mais leve, após ele descartar uma alta de juros “preventiva” e voltar a classificar a alta da inflação como transitória.

O índice S&P 500 teve queda de 0,11% e o Dow Jones, de 0,21%. No sentido contrário, o Nasdaq 100 avançou 0,03%.

Durante depoimento no subcomitê sobre a crise do coronavírus, Powell atribuiu a força recente da inflação à retomada forte na demanda, em quadro de oferta ainda limitada em alguns segmentos, mas notou que isso deve perder fôlego conforme o cenário se normaliza adiante. "O Fed agirá se a inflação ficar muito elevada", garantiu.

Powell comentou que o papel do Fed para combater a desigualdade passa por garantir a busca pelo máximo emprego, evitando um aperto monetário antes da hora adequada.

Ele disse "suspeitar fortemente" que a geração de vagas aumentará no país, no restante deste ano. Questionado sobre se um nível de inflação ao consumidor em 5% seria algo "inaceitável", ele comentou: "Absolutamente, sim."

Em outro momento da audiência, Powell ressaltou o papel "crucial" da disseminação das vacinas contra a covid-19 para apoiar a retomada econômica, no momento atual.

A postura ajudou a impulsionar os mercados, que na última semana tiveram seu maior recuo desde outubro de 2020, pressionados pela postura mais dura após a última decisão de política monetária do Fed.

CPI da Covid: imunidade de rebanho

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado ganham novos capítulos a cada dia. Sem depoimentos marcados, os senadores estão reunidos para analisar quase 60 requerimentos, que incluem convocações e convites para oitivas, pedidos de informação e quebras de sigilo.

Na véspera, o colegiado ouviu o deputado federal e ex-ministro Osmar Terra. Durante mais de oito horas de depoimento, Terra reforçou dados distorcidos sobre a pandemia do novo coronavírus e criticou a adoção do isolamento social para combater a doença, apesar da orientação contrária da ciência.

Convidado a falar à CPI por ser apontado como integrante do suposto "gabinete paralelo" que orientou o presidente na condução da pandemia, Terra voltou a dizer que o fim da pandemia se dará com a imunidade de rebanho, e que a tese não seria uma "estratégia", mas um resultado da doença.

Depois de fazer várias declarações públicas minimizando a vacinação, disse à comissão que defende a vacina contra a covid-19, mas que a imunização "natural", quando a pessoa contrai a doença, também seria importante para pôr fim ao estado pandêmico.

Terra afirmou durante o depoimento por várias vezes que Bolsonaro não teve poder de decidir nada sobre a crise. Ele disse que isso foi resultado da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a competência de Estados de decidir sobre ações de combate à pandemia.

A Corte, no entanto, não limitou o poder da União, como costumam dizer os aliados de Bolsonaro, mas assegurou a Estados e municípios a autonomia para tomar medidas contra a propagação da doença.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quarta-feira, 23, seguindo o tom positivo de Wall Street, após fala do Fed, Jerome Powell, que ajudou a aliviar temores sobre retirada de estímulos monetários.

O Hang Seng avançou 1,79% em Hong Kong hoje, aos 28.817,07 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi subiu 0,38% em Seul, aos 3.276,19 pontos, e o Taiex se valorizou 1,53% em Taiwan, aos 17.336,71 pontos.

Na China continental, o dia também foi de ganhos. O Xangai Composto teve alta de 0,25%, aos 3.566,22 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,79%, aos 2.427,38 pontos.

Exceção, o índice japonês Nikkei terminou o pregão em Tóquio com perda marginal de 0,03%, aos 28.874,89 pontos, após saltar mais de 3% ontem.

Já na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho, após a adoção de novas restrições de combate a covid-19 em Sydney, cidade mais populosa do país. O S&P/ASX 200 caiu 0,60%, aos 7.298,50 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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Repórter do Portal Mais Retorno.

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