Mercado Financeiro

Mercado ao vivo: Bolsa sobe com bancos e investidores mantêm inflação e PEC no radar; dólar cai

Investidores seguem atentos ao avanço da inflação e na PEC dos Precatórios

Data de publicação:10/11/2021 às 10:50 - Atualizado 3 meses atrás
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Após abrir o pregão entre perdas e ganhos, a Bolsa engatou alta nesta quarta-feira, 10, puxada pelos grandes bancos. Às 15h51, o IFNC, índice financeiro da B3 que engloba os gigantes financeiros, subia 3,75%. O dia segue com a repercussão de assuntos importantes, como a aprovação da PEC dos Precatórios em segundo turno na Câmara e os novos dados econômicos da inflação, que avança globalmente e traz de volta a preocupação com a escalada dos preços.

Às 15h59, o Ibovespa subia 0,80%, aos 106.377 pontos. Por outro lado, o dólar à vista recua – baixa marginal de 0,01% - cotado a R$ 5,495.

Foto: B3/Divulgação etfs
Sede da B3 em São Paulo | Foto: Divulgação

De acordo com Paloma Brum, analista da Toro Investimentos, apesar da inflação acima do esperado no Brasil e nos Estados Unidos, o alívio no câmbio pode ser interpretado como uma resposta positiva do mercado diante da aceleração na alta da Selic, taxa básica de juros do País, que o Copom vem implementando, além da sinalização feita pelos seus membros de que continuará subindo os juros básicos, com a possibilidade de acelerar o ciclo caso necessário.

A tendência de alta da inflação global ganha os holofotes, num momento em que a economia mundial segue se recuperando dos impactos da pandemia da covid-19. No âmbito local, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou ao longo da manhã que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação no Brasil, subiu 1,25% em outubro, 0,06 ponto porcentual acima da taxa de setembro.

O número superou as estimativas dos analistas do banco BTG Pactual, que esperavam mediana positiva de 1,07%. Além disso, segundo o instituto, foi o maior resultado para o mês desde 2002, quando contabilizou 1,31%.

O avanço do indicador de outubro vem de encontro aos movimentos de revisão feitos pelos economistas do mercado nas projeções da inflação para este ano. No último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta semana, os especialistas ajustaram as projeções da inflação de 9,17% para 9,33% para o fim de 2021. E de 4,55% para 4,63% para 2022.

Já no mundo, a taxa anual de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) também trouxe altas no período. Na China, o indicador acelerou 1,5% no mês, ante 0,7% em setembro. Já a taxa anual de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) saltou para 13,5% no mês passado, atingindo o maior patamar da série histórica iniciada em 1996.

Na zona do euro, o CPI da Alemanha atingiu 4,5% em outubro, aumentando 0,4 ponto porcentual ante setembro – 4,1%, segundo dados publicados nesta quarta-feira pela Destatis, a agência de estatísticas do país. O resultado do período é o mais alto desde agosto de 1993.

Na comparação mensal, o CPI da maior economia da Europa subiu 0,5% em outubro. Os dados vieram em linha com as expectativas dos analistas e confirmaram estimativas preliminares divulgadas no fim do mês passado.

Mais tarde, o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos divulgou que o CPI do país - um dos números mais aguardados pelos investidores - subiu 0,9% em outubro ante setembro. O resultado veio bem acima da mediana das previsões dos analistas, que projetavam alta de 0,6%.

PEC dos Precatórios: agora é com o Senado

Em uma votação menos apertada do que no primeiro turno – 323 votos a 172, ante 312 a 144 – a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios em segundo turno. Agora, as atenções se voltam para a tramitação do texto no Senado, onde deve enfrentar resistências.

Com o resultado da votação em segundo turno, o governo conseguiu manter a espinha dorsal da proposta, que amplia o limite para as despesas no Orçamento de 2022, incluindo a mudança no cálculo do teto de gastos e o adiamento de parte das dívidas judiciais que teriam que ser quitadas no ano que vem. Agora os deputados vão analisar os destaques e requisições que podem alterar o texto.

Após o apoio de partidos de oposição à PEC ter desencadeado uma crise interna em legendas como o PDT, parte dos deputados viraram o voto e passaram a votar contra a proposta. Mesmo assim, o governo teve 17 votos de PDT, PSB e Podemos, número que foi essencial para garantir a aprovação do texto em segundo turno.

A PEC dos Precatórios libera R$ 91,6 bilhões de espaço no Orçamento de 2022 e é essencial para tirar do papel o Auxílio Brasil de R$ 400, segundo vontade do presidente Jair Bolsonaro. Parlamentares contrários ao texto reclamam, porém, que a folga fiscal pode acabar sendo usada para turbinar emendas de relator, empregadas na distribuição a aliados do governo.

Em uma das votações mais tensas da véspera, o MDB defendia a retirada do dispositivo que muda a correção do teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação e que foi criada durante o governo Michel Temer.

Sozinha, a alteração abre um espaço de R$ 47 bilhões para gastos no Orçamento de 2022, sendo R$ 45 bilhões para o Poder Executivo. Para este ano, o espaço adicional seria de R$ 15 bilhões.

O mercado financeiro já havia encerrado o expediente quando tomou conhecimento de que Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria (pelo placar de seis votos a um) para a manutenção da decisão liminar da ministra Rosa Weber de suspender o pagamento das verbas de emendas?? pelo relator do chamado orçamento secreto.

Analistas entendem que a decisão pode acirrar o clima de instabilidade política, ao abrir nova crise entre o Supremo, o Congresso e o governo.

Sobe e desce no pregão desta quarta-feira

O preço do minério de ferro de Dailan, na China, atingiu o menor nível em um ano nesta quarta-feira - queda de 4,6%, com a tonelada negociada a 536,50 iuanes - influenciado pelas restrições à produção de aço da China, além do agravamento da crise de liquidez do setor imobiliário do país, que responde por uma fatia considerável do PIB chinês.

Com isso, as ações das siderúrgicas no Brasil operam no terreno negativo. Às 15h51, os papéis da Vale, CSN, Usiminas e Gerdau caíam 0,14%, 0,94%, 1,02% e 0,46%, na sequência.

Já as ações da Petrobras, mesmo com a queda no preço do petróleo, após trafegar no azul, virou o sinal e passou a cair. No mesmo horário, desvalorizavam 1,46%.

Após anunciar que deve levantar mais de R$ 1 bilhão por meio de um follow-on, a rede de pet shops Petz saltava 6,00% na Bolsa, às 15h52. Segundo a companhia, os recursos serão utilizados para abrir novas lojas e hospitais, além de fazer novas compras no mercado, fortalecendo seu ecossistema de novos negócios.

Com a temporada de divulgação de balanços trimestrais seguindo a todo vapor no país, os papéis de algumas empresas refletem os resultados.

Um dos destaques no terreno negativo é a Braskem. Mesmo com números positivos obtidos no terceiro trimestre deste ano - a empresa reverteu o prejuízo de R$ 1,3 bilhão na mesma base de 2020 e reportou lucro líquido de R$ 3,5 bilhões - as ações da Braskem despencavam 10,46% no mesmo horário.

Na esteira de altas estão os papéis da Iguatemi, MRV, Mitre, que apresentaram resultados que agradaram o mercado. Às 13h51, as ações dessas companhias subiam 1,49%, 5,63% e 1,19% respectivamente.

No sentido oposto, a Localiza, Raia Drogasil e o Carrefour operavam em queda de 2,56%, 1,39% e 3,19%, às 13h50.

Com uma leva de resultados que estão surpreendendo o mercado, os investidores devem conhecer ainda hoje os números do terceiro trimestre de empresas como JBS, Oi, Caixa Seguridade, Aliansce Sonae, Even, Helbor, Hermes Pardini, Locaweb, Melnick, Notre Dame Intermédica, Porto Seguro, Simpar, Smartfit, SulAmerica, Totvs, Via, Vivara, entre outras.

Lá fora

Nos Estados Unidos, as bolsas operam em queda em Wall Street, com a elevação da inflação no centro da atenção dos investidores. Além dos dados da inflação, o Departamento do Trabalho também divulgou o número de pedidos de auxílio-desemprego no país, que apresentou redução de 4 mil solicitações na semana encerrada em 6 de novembro, totalizando 267 mil.

O resultado ficou acima da expectativa de analistas consultados pelo?The Wall Street Journal, que previam 265 mil solicitações.

As pressões inflacionárias que aceleraram o aperto da política monetária por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) estão entre os principais riscos para as ações globais, que permanecem perto de suas máximas históricas.

Entre as commodities, o petróleo permanece estável, enquanto o minério de ferro caiu devido às perspectivas de redução da demanda por aço por conta dos problemas imobiliários na China.

Ainda no radar dos operadores, dirigentes do Federal Reserve (Fed) avaliaram no dia anterior as perspectivas da política monetária. O presidente da instituição, Jerome Powell, disse estar atento a uma ampla gama de fatores para avaliar se o país atingiu o pleno emprego.

Presidente da distrital de San Francisco, Mary Daly afirmou que ainda há grande incerteza sobre o mercado de trabalho americano. Comentário parecido foi feito pelo dirigente de Minneapolis, Neel Kashkari. Já James Bullard, líder do Fed de St. Louis, disse esperar que o Fed eleve sua taxa de juros duas vezes em 2022.

Do outro lado do mundo, as bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em baixa nesta quarta-feira, após dados mostrarem forte aceleração da inflação chinesa. Na China continental, o Xangai Composto recuou 0,41%, aos 3.492,46 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,25%, aos 2.430,08 pontos.

Em outras partes da região asiática, o japonês Nikkei perdeu 0,61% em Tóquio, aos 29.106,78 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi teve queda de 1,09% em Seul, aos 2.930,17 pontos.

Alguns mercados asiáticos, porém, driblaram o viés negativo da região. O Hang Seng avançou 0,74% em Hong Kong, aos 24.996,14 pontos, graças a ações de incorporadoras chinesas, que se recuperaram após relatos de que a China poderá facilitar regras de financiamento para o combalido setor imobiliário. Já em Taiwan, o Taiex registrou modesta alta de 0,10%, aos 17.559,65 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho. O S&P/ASX 200 recuou 0,14% em Sydney, a 7.423.90 pontos, influenciado por ações de mineradoras e petrolíferas. / com Tom Morooka e Agência Estado

Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.
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