Mercado Financeiro

Após a divulgação da ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) nesta quarta-feira, 18, sinalizando que o tapering - a redução do programa de compra de ativos - pode acontecer ainda em 2021, o dólar, que já vinha subindo ao longo do dia, disparou e fechou com alta de 1,58%, cotado a R$ 5,378.

A Bolsa seguiu no movimento de queda dos últimos pregões e caiu 1,07%, aos 116.642,62 pontos, puxada pela Vale e Petrobras e acompanhando a queda das bolsas mundiais.

Foto: envato
Dólar sobe mais de 1,4% com exterior e cenário político e fiscal do País - Foto: Envato

Além das perspectivas de retirada dos estímulos monetários nos EUA, o mercado externo também segue atento à crise no Afeganistão com o avanço do Talibã pelo território do país. De acordo com Flávio de Oliveira, Head de Renda Variável da Zahal Investimentos, o cenário tenso favorece o aumento do preço das moedas fortes, como o dólar, em uma tentativa dos investidores de proteger seu patrimônio.

No ambiente doméstico, persistem as preocupações com o andamento das reformas, o fiscal e a cena política institucional, além de temores com a inflação, de acordo com analistas. No dia anterior, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que fará de tudo para colocar a inflação na meta.

Sobe e desce da B3

Nesta quarta-feira, a Petrobras fechou em queda de 0,70% no pregão. Na mesma esteira, os papéis das mineradoras apresentaram perdas, com a queda do preço no minério de ferro na China por conta do aumento do estoque da commodity no país. Vale, CSN, Usiminas e Gerdau reportaram desvalorização de 3,05%, 2,04%, 4,73% e 0,07%, na Bolsa, respectivamente.

Após operar no vermelho até o início da tarde, o Itaú virou o sinal e fechou com leve alta de 0,40%, Já Bradesco e Santander desvalorizaram 0,52% e 0,50%, na sequência.

Depois de a empresa anunciar programas de recompra de ações, os papéis da JHSF subiram 1,99%, e os da Locaweb valorizaram 1,85%.

Com o anúncio da venda da totalidade de sua participação acionária na empresa Brasil Carbonos por R$ 18,8 milhões, a BR Distribuidora teve perdas de 1,25% em seus papéis.

Reforma do IR: novo adiamento

Pela segunda vez, a reforma do Imposto de Renda foi retirada do debate do plenário da Câmara, após mobilização de líderes de centro, oposição e até do governo preocupados com o impacto fiscal do texto do deputado Celso Sabino para Estados e municípios. Um pedido de retirada de pauta foi aprovado por 399 a favor do adiamento contra 99.

Os investidores estão atentos a novas declarações do relator. Sabino disse que, com o adiamento da votação, "teremos mais tempo para líderes da Câmara entenderem a proposta, conseguimos reduzir o IRPJ base em 8,5 pontos porcentuais e a CSLL em 1,5 p.p, e sócios de MPEs permanecerão isentos de taxação de dividendos".

O adiamento do debate e da definição de um tema que influencia a condução das contas públicas adiciona mais incerteza às preocupações do mercado financeiro com o equilíbrio fiscal, afirma Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos. 

Para Camila, o tema é relevante porque tem ligação com programas sociais como a criação do Auxílio Brasil, com valor superior ao do Bolsa Família, no qual o governo tem o desafio de deixar claro que novas despesas não vão desrespeitar as metas de responsabilidade fiscal.

O risco de descontrole fiscal pelo estouro do teto de gastos é um dos principais fatores de inquietação de investidores e gestores de mercado.

A indisciplina fiscal tenderia a gerar mais inflação, que persiste em alta e leva o mercado a fazer seguidas revisões para cima também da taxa básica de juros, a Selic.

À medida que sobem a inflação e os juros, aumenta a pressão também sobre os juros futuros, que nos contratos mais longos de 10 anos estão acima de 10% ao ano, afirma Ubirajara Silva, gestor da Galapagos Capital.

Impeachment e Orçamento

Os investidores vão monitorar o encontro dos presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e do Senado, Rodrigo Pacheco, após o presidente Jair Bolsonaro aumentar as ameaças contra o Supremo e pressionar a Casa a abrir processo de impeachment dos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

Em ambiente de incertezas fiscais, os investidores vão acompanhar ainda o secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal em audiência da Comissão Mista do Orçamento.

CPI da Covid: Precisa Medicamentos

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado seguem sendo acompanhados pelo mercado. Nesta quarta-feira, o colegiado ouve o advogado da Precisa Medicamentos, Túlio Silveira.

Silveira é o representante legal da empresa na negociação da vacina indiana contra a Covid-19 Covaxin com o Ministério da Saúde.

O advogado está munido de um habeas corpus, concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. Silveira havia pedido para não comparecer, alegando "sigilo profissional".

A acareação entre o ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Luis Miranda, que estava marcada para hoje, foi cancelada.

NY: bolsas em queda

Nos Estados Unidos, os contratos negociados nas bolsas de Nova York fecharam no vermelho, com os investidores digerindo os novos dados econômicos, a divulgação da ata do Fed com uma sinalização de antecipação na retirada de estímulos econômicos e ao avanço da variante delta no mundo.

O índice S&P 500 caiu 1,05%, Dow Jones desvalorizou 1,08%, e Nasdaq 100, 0,97%.

As construções de moradias iniciadas nos EUA sofreram queda de 7% em julho ante junho, para a taxa anual sazonalmente ajustada de 1,534 milhão de unidades, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Departamento do Comércio americano.

Os analistas previam um recuo menor, de 3,2%. O número de junho foi ligeiramente revisado para cima, de 1,643 milhão para 1,650 milhão. Por outro lado, o total de permissões para novas obras teve alta de 2,6% na comparação mensal de julho, a 1,635 milhão.

Na mais recente reunião de política monetária do Fed, a maioria dos dirigentes julgou que pode ser apropriado iniciar a redução do programa de compra de ativos ainda neste ano. De acordo com a ata do encontro, divulgada nesta quarta-feira, os dirigentes avaliaram que a discussão pela retirada de estímulos à economia é bem-vinda, no entanto, não chegaram a definições sobre como se dará o processo.

Na véspera, durante sessão de perguntas e respostas, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que ainda é incerto o impacto da variante delta do coronavírus sobre a atividade, e disse que não será possível "simplesmente retornar" à economia do período pré-pandemia.

Segundo Powell, a covid-19 ainda afeta a produtividade do país e deve continuar a fazê-lo "por algum tempo".

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas asiáticas fecharam em alta, recuperando-se de perdas da véspera, com investidores à espera de uma atualização do Fed sobre possíveis planos de reduzir estímulos monetários.

O índice acionário japonês Nikkei subiu 0,59% em Tóquio hoje, aos 27.585,91 pontos, beneficiado pela fraqueza do iene frente ao dólar durante a madrugada, enquanto o Hang Seng avançou 0,47% em Hong Kong, aos 25.867,01 pontos.

O sul-coreano Kospi valorizou 0,50% em Seul, aos 3.158,93 pontos, e o Taiex registrou ganho de 0,99% em Taiwan, aos 16.826,27 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto teve alta de 1,11%, aos 3.485,29 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,84%, aos 2.412,49 pontos.

Bancos e corretoras lideraram o movimento, com crescentes expectativas de que Pequim adote novas medidas de incentivos após recentes sinais de desaceleração econômica.

Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o tom positivo dos mercados asiáticos, pressionada após Nova Gales do Sul, Estado mais populoso do país, relatar número recorde de novos casos de infecção pelo coronavírus. O índice S&P/ASX 200 caiu 0,12% em Sydney, aos 7.502,10 pontos. / com Tom Morooka e Agência Estado

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