Mercado Financeiro

O mercado financeiro encerra os negócios do mês e do primeiro semestre nesta quarta-feira, 30, em ritmo de compasso de espera, sem visualizar perspectivas alentadoras para a virada do semestre.

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A Bolsa atravessou junho marcando passo entre 127 e 130 mil pontos à espera de fatos novos - Foto: Envato

O projeto de reforma tributária formulado pelo governo, que prevê a tributação de dividendos e o fim dos juros sobre capital próprio, continua repercutindo negativamente no mercado de ações.

Movido por expectativas, mais do que por fatores concretos, a proposta de reforma tributária está posta, mas depende ainda do crivo e da aprovação do Congresso, de onde poderá sair com formato diferente - especialistas afirmam que faltam fatos novos positivos para dar um empurrão à bolsa de valores.

Desde o início do mês, o Ibovespa marca passo sistematicamente no intervalo entre 127 mil e 130 mil pontos.

Em vez de fatos positivos, duas novas incertezas surgiram no radar dos investidores. Uma está ligada à perspectiva de aceleração da inflação por causa do aumento da tarifa de energia elétrica – a bandeira vermelha, que regula os reajustes adicionais na conta de luz, teve elevação de 52% -, o que pode levar o Banco Central a endurecer a política monetária, com possível elevação mais forte da taxa básica de juros, a Selic.

Uma possibilidade que se reflete em revisão para cima na estimativa de Selic para o fim do ano, em torno de 6,00% a 6,50%, de acordo com as projeções da maioria dos analistas, segundo o boletim Focus. Algumas casas, contudo, já estão prevendo uma taxa básica de até 7%.

A perspectiva de uma elevação mais forte da Selic cria mal-estar na bolsa não pela possível concorrência que a renda fixa deve oferecer ao investimento em ações, mas pelos custos financeiros que tendem a provocar nas empresas, sobretudo às endividadas e às que precisam de crédito para capital de giro.

Juro mais elevado também é indesejável porque inibe o consumo, ao tornar o crédito mais caro, o que pode arrefecer o otimismo de quem aposta no setor de varejo como um dos beneficiários de possível reabertura de economia e retomada de atividade.

Outra fonte de preocupação, cada vez mais presente no radar dos investidores, são as notícias sobre o avanço da variante Delta do coronavírus pelo mundo.

NY: futuros em baixa

Em Wall Street, os contratos futuros negociados nas bolsas de Nova York operam em baixa com os investidores adotando cautela por conta dos riscos colocados pela variante delta do coronavírus, que levou à imposição de uma série de restrições pelo mundo.

Na véspera, o índice Dow Jones subiu 0,03%, aos 34.292,29 pontos, enquanto o S&P 500 teve alta de 0,03%, aos 4.291,80 pontos, e o Nasdaq avançou 0,19%, aos 14.528,33 pontos. S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas de fechamento.

Por outro lado, os sinais da economia dos Estados Unidos sugerem uma forte recuperação no país, percepção corroborada hoje por discursos dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e indicadores.

O Conference Board revelou que o índice de confiança do consumidor nos EUA subiu entre maio e junho, de 120,0 para 127,3.

O indicador confirmou a análise do presidente da distrital de Minneapolis do Fed, Neel Kashkari, de que os EUA estão em uma "recuperação muito robusta". De acordo com ele, no entanto, o pleno emprego ainda está distante, o que justifica uma postura "mais agressiva" para evitar que a retomada seja tão lenta quanto à da crise financeira de 2008.

Já seu homólogo na regional de Richmond, Thomas Barkin, defendeu o início da retirada de estímulos assim que houver "significativo progresso adicional" no mercado de trabalho.

Recentemente livres das restrições dos reguladores em virtude da pandemia, os maiores bancos dos EUA anunciaram planos de devolver receitas a seus acionistas no próximo ano na forma de dividendos e recompra de ações. O Morgan Stanley chegou a anunciar que irá dobrar seu dividendo trimestral. Como resultado, suas ações fecharam em alta de 3,35%. Goldman Sachs (+1,07%) também avançou.

CPI da Covid: Carlos Wizard

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seguem intensos no Senado. Nesta quarta-feira, o empresário Carlos Wizard será ouvido pelo colegiado, que deve questioná-lo a respeito da existência de um suposto “gabinete paralelo” de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro na condução da pandemia.

A comissão também deve votar a convocação do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros, suspeito de estar envolvido em possíveis irregularidades na negociação de compra de vacinas pelo governo federal.

O nome de Barros foi mencionado pelo deputado Luis Miranda na última sexta-feira, 25, na CPI como sendo o parlamentar que o presidente Bolsonaro nomeou quando ficou sabendo, pelo próprio Miranda, de uma possível irregularidade em um contrato de compra de vacinas Covaxin.

Na véspera, o Ministério da Saúde decidiu suspender o contrato para comprar 20 milhões da vacina indiana Covaxin, fabricada pelo laboratório Bharat Biothec.

A decisão ocorre um dia após o presidente Jair Bolsonaro ser alvo de uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) acusado de prevaricação. Senadores apontam que o presidente ignorou suspeitas de corrupção no processo de contratação do imunizante, que foi intermediado pela Precisa Medicamentos.

A decisão do ministério ocorreu após um parecer da Controladoria-Geral da União (CGU) sugerindo a suspensão do contrato.

Bolsas asiáticas fecham em alta

As bolsas da Ásia e do Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta quarta-feira, seguindo o tom levemente positivo de Wall Street na véspera, com investidores digerindo novos dados sobre a atividade manufatureira chinesa e notícias sobre a disseminação da variante delta do coronavírus.

Na China continental, o dia nos mercados acionários foi de ganhos, liderados pelos setores de eletrônicos e de tecnologia da informação. O Xangai Composto subiu 0,50%, aos 3.591,20 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 1,02%, aos 2.466,24 pontos.

O chamado índice de gerentes de compras (PMI) industrial chinês recuou marginalmente entre maio e junho, de 51 para 50,9, segundo pesquisa oficial, mas ficou acima da expectativa de analistas, que previam queda a 50,7.

A leitura não muito distante de 50 indica que a manufatura da segunda maior economia do mundo se expande em ritmo bem modesto.

Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi se valorizou 0,30%, aos 3.296,68 pontos, e o Taiex registrou alta de 0,89% em Taiwan, aos 17.755,46 pontos.

Por outro lado, o japonês Nikkei teve ligeira baixa de 0,07% em Tóquio, aos 28.791,53 pontos, e o Hang Seng caiu 0,57% em Hong Kong, aos 28.827,95 pontos.

Os desdobramentos da variante delta do coronavírus restringem o ímpeto de comprar ações não apenas em Wall Street, mas também na Ásia e em outras partes do mundo.

Na Oceania, a bolsa australiana terminou a sessão com modesta valorização, apesar de recentes lockdowns adotados em grandes cidades do país em função de surtos relacionados à delta. O S&P/ASX 200 avançou 0,16% em Sydney, aos 7.313,00 pontos. / com Júlia Zillig e Agência Estado

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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