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Economia

Guerra entre Ucrânia e Rússia vai afetar o mercado brasileiro; confira os principais impactos

Câmbio, curva de juros, combustíveis, alimentação e inflação devem ser pontos centrais durante a guerra entre os dois países

Data de publicação:24/02/2022 às 12:54 -
Atualizado 3 meses atrás
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Ainda que mais de 10 mil quilômetros separem Brasília de Kiev, a guerra entre Rússia e Ucrânia deve causar impactos na economia brasileira. Afinal, o Brasil está em um longa lista de parceiros comerciais do país comandado por Vladmir Putin. A atenção, neste momento, vai desde insumos agrícolas, passando pelo câmbio, bolsa de valores, inflação, até chegar ao preço da gasolina.

Vale dizer, porém, que o cenário ainda pode ter mudanças significativas. "Conflitos geopolíticos entre Ucrânia e Rússia afetam muito as bolsas ao redor do mundo", diz Leonardo Santana, especialista em ações da Top Gain.

"A Zona do Euro cai mais de 3%, mercado americano cai 2%. Esse clima de tensão afeta as bolsas já que ninguém sabe o quanto isso vai se estender, nem se ficará algo localmente ou se desencadeará, por exemplo, uma 3ª Guerra Mundial", diz o analista.

Confira, a seguir, alguns dos principais pontos de observação para os efeitos da invasão russa na economia brasileira.

Câmbio e a guerra

O dólar fechou a quarta-feira em queda de 0,95% e cotado a R$ 5,004 na venda. Especialistas indicam que isso é efeito da entrada de capital estrangeiro no Brasil nos últimos dias por causa do ciclo de alta de juros. Por outro lado, a guerra entre Ucrânia e Rússia pode desencadear novo enfraquecimento da moeda brasileira frente à moeda norte-americana.

Como as incertezas geopolíticas podem impactar os ativos? Confira
Incertezas geopolíticas impactam diretamente o dólar frente ao real (Foto: Envato)

Afinal, em momentos de tensão como esse, grandes investidores fogem dos ativos de risco, principalmente aqueles que são negociados em países emergentes, como é o caso do Brasil, para investir em países mais seguros.

Na manhã desta quinta, 24, a tendência de baixa do dia anterior já começou a desaparecer. O dólar amanheceu com tendência de alta, a R$ 5,13. Esse aumento pode ser ainda maior caso a tensão na Europa aumente ao longo do dia. "A última vez que vimos o dólar subindo tanto foi apenas no começo da pandemia", comenta Leonardo, da Top Gain.

Curva de juros

Caso a evasão de capital estrangeiro se confirme e o dólar volte a apresentar um aumento consistente, analistas indicam que, para tentar impedir essa movimentação, o Banco Central deve aumentar os juros. Vale lembrar, porém, que a taxa Selic, referência no País, já está na casa dos 10,75% ao ano, o maior nível desde abril de 2017.

Por outro lado, esse aumento deve colocar ainda mais pressão em cima das empresas que lidam diretamente com o consumidor final, como o varejo, desacelerando ainda mais a economia brasileira graças ao juros ainda mais alto.

Combustíveis

Um dos pontos centrais de preocupação é o valor dos combustíveis. Atualmente, a Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. A capacidade de produção é de mais de 10 milhões de barris por dia, além de ser o maior fornecedor de gás natural da Europa, responsável por cerca de 40% do abastecimento total do continente.

Guerra da Rússia: Com a alta do petróleo, preço da gasolina deve subir na bomba

Hoje, a energia já começou a sentir os efeitos da guerra. O preço do barril de petróleo Brent chegou a US$ 100 pela primeira vez em mais de sete anos, enquanto petróleo WTI estava sendo negociado a US$ 95,54 por barril. Na manhã desta quinta-feira, 24, a alta continuava: o Brent subia 8,50%, a US$ 105,34 e o WTI avançava 8,05%, a US$ 100,15.

Vale lembrar que esse aumento do petróleo coloca ainda mais pressão no preço dos combustíveis no Brasil. Afinal, desde 2016, a Petrobras passou a adotar uma política de preços que se orienta pelas flutuações do preço internacional do barril e pelo câmbio. Com o aumento, os valores de gasolina e diesel devem disparar novamente em solo brasileiro.

Produtos agrícolas

Além do abastecimento de combustíveis, outra preocupação é com a alimentação. Rússia e Ucrânia são protagonistas na produção global de trigo. Com a guerra entre os países, o mercado já espera que haja uma interrupção da produção e distribuição de grãos, inclusive com possível paralização do transporte de outros produtos agrícolas pelo Mar Negro, que faz fronteira com Rússia e Ucrânia. Há, assim, tendência de aumento do preço dos alimentos.

O agronegócio brasileiro, enquanto isso, também pode sofrer. Afinal, o Brasil se consolidou, em 2021, como o sexto maior destino das exportações russas, importando fertilizantes e adubos — cerca de 60% (US$ 3,5 bilhões) dos US$ 5,6 bilhões totais. Sem esses insumos, o agronegócio brasileiro pode começar a ter problemas severos de produção.

Inflação durante a guerra

Por fim, com todo esse cenário de guerra, há a expectativa de que a inflação voltará a crescer. Afinal, a alta de combustíveis impacta todo o mercado, ainda mais com essa possível limitação de alimentos e de commodities.

"Esse efeito pode pressionar a inflação no Brasil, fazendo com que os planos do COPOM em dar início a um movimento de queda nas taxas de juros programado para começar ainda esse ano sejam postergados. Com isso, os títulos de renda fixa atrelados aos índices inflacionários e ao CDI podem ter um impacto bastante positivo na carteira dos investidores", contextualiza Francis Wagner, CEO do App Renda Fixa, sobre possibilidades do cenário econômico.

Sobre o autor
Matheus Mans
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