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Economia

Guerra na Europa: Governo americano bloqueia bancos russos; entenda os impactos

Conflito entre os dois países é antigo, com disputa sobre o território ucraniano

Data de publicação:24/02/2022 às 00:30 -
Atualizado 3 meses atrás
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Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou um pacote de sanções contra a Rússia., com bloqueio aos bancos russos O episódio apenas marca mais um capítulo em meio ao principal tema da política internacional da atualidade: o conflito armado entre os russos e a Ucrânia.

Na madrugada desta quinta-feira, 24, no Brasil, as tropas russas entraram na Ucrânia, dando início à invasão. A ofensiva russa se deu com ataques aéreos em toda a Ucrânia, incluindo a capital Kiev, e a entrada de forças terrestres ao norte, leste a sul do país.

É inegável que a situação é crítica, assim como ainda existem muitas incertezas sobre os impactos e a potencial escalada militar. No entanto, como isso afeta o mundo? Quais são os motivos dessas sanções norte-americanas? Há algum impacto direto para o Brasil? São perguntas que se tornaram comuns e que vamos procurar responder ainda hoje.

bancos russos
Bancos russos estão sem acesso a financiamentos no mercado ocidental - Foto: Envato

Rússia vs. Ucrânia: o que está acontecendo na Europa?

É muito provável que você tenha lido ou escutado o noticiário econômico dando uma grande atenção aos próximos passos da Rússia diante da Ucrânia. Relatos apontam para um exército russo de aproximadamente 150 mil pessoas nas fronteiras com o território ucraniano.

No entanto, todo conflito entre os dois países é bem mais antigo — e remonta ao período da extinta União Soviética. Desde então, há uma forte disputa sobre o território ucraniano. Os russos consideram o país vizinho como uma espécie de extensão da sua propriedade e acusam uma influência ocidental como prejudicial na formação da identidade ucraniana.

No período recente, os ânimos voltaram a se exaltar por conta de um movimento da Otan (Organização do Tratado Atlântico do Norte). A aliança militar, criada essencialmente para evitar a expansão de políticas expansionistas e nacionalistas do passado, optou por sinalizar a possibilidade de inclusão da Ucrânia entre seus membros.

A decisão, claro, não agradou em nada aos russos, que enxergam o país vizinho com certa submissão e não gostam da ideia de dar autonomia aos ucranianos, tampouco ver uma aproximação com países europeus. A reação do presidente russo, Vladimir Putin, foi desrespeitar um acordo de paz com a Ucrânia e reconhecer a independência de duas províncias separatistas ucranianas: Donetsk e Luhansk.

Com esse plano de fundo nada amistoso, a possibilidade de um conflito armado entre Rússia e Ucrânia já se desenha como real. E, como esse cenário não é positivo de forma alguma para a economia global, outros países já começaram a se posicionar. É o caso dos Estados Unidos.

Quais as sanções de Joe Biden para a Rússia?

Adversário político histórico da Rússia, os Estados Unidos não poderiam demorar para tomar uma posição em relação ao conflito entre russos e ucranianos. E a resposta já começou a ser aplicada, com sanções determinadas por Joe Biden.

Em primeiro lugar, houve o bloqueio total de duas importantes instituições financeiras: o VEB e o Banco Militar Russo. Ambos estão impossibilitados de conseguir financiamento ocidental. As restrições também serão aplicadas sobre famílias russas ligadas ao governo de Putin.

Apesar de inicialmente não se envolver diretamente com suas tropas, os americanos também já enviaram armamentos e munições para a Ucrânia e países próximos. O fortalecimento foi criticado pela Rússia anteriormente.

As sanções anunciadas por Biden foram muito mais ligadas às questões financeiras do que propriamente militares. No entanto, novas medidas podem ser tomadas de acordo com os próximos passos da Rússia na sua questão territorial. Uma invasão, por exemplo, certamente trará novas diretrizes.

Outras sanções aplicadas contra a Rússia

Os Estados Unidos não foram os únicos a aplicar sanções contra a Rússia em virtude do conflito geopolítico. A União Europeia também vem agindo, sobretudo na figura do Reino Unido.

Londres é uma cidade estratégica para a Rússia, concentrando não apenas a riqueza russa (principalmente reservas de ouro), mas também com uma boa concentração de empresas do país listadas na Bolsa de Londres (LSE). São 31 companhias que seriam impactadas — e uma boa parte delas ajudam a financiar o governo russo.

Outro país que já se posicionou em relação ao conflito é a Alemanha, que estava em vias de liberar a inauguração do gasoduto Nord Stream 2. Com o aumento das tensões entre os países, a liberação foi postergada pelo órgão responsável alemão.

Existem outras sanções em discussão, como a restrição de acesso às moedas fortes por parte dos russos (em especial dólar e euro). Há a possibilidade de desligar o sistema bancário da Rússia do Swift (sistema de pagamento internacional). No entanto, essa decisão afetaria também outras economias.

Há chance de uma solução amigável?

A evolução dos fatos não demonstra um cenário positivo na relação entre Rússia e Ucrânia. Mesmo após o início da ofensiva, os países europeus e até os Estados Unidos ainda tentam uma solução que interrompa a escalada de violência. A quebra do pacto de paz entre os países com a aceitação da independência de províncias separatistas ucranianas deixa muito complicado um acordo saudável entre os dois governos.

Por outro lado, as sanções aplicadas aos russos pela Europa e pelos Estados Unidos trazem um novo componente à discussão. A Rússia, afinal, seria severamente afetada do ponto de vista financeiro. E essa determinação, somada ao risco de novas medidas proibitivas, pode fazer com que Putin recue no seu posicionamento.

Por enquanto, qualquer opinião é um exercício de futurologia. Não é possível cravar o que vai acontecer ao longo dos próximos dias. No entanto, neste momento, uma invasão russa não pode ser descartada.

Como o conflito entre Rússia e Ucrânia pode afetar o Brasil?

Longe dos holofotes nesta questão política, o Brasil não está imune aos efeitos de um conflito armado entre os dois países. Uma guerra fatalmente prejudicaria o abastecimento de combustíveis — e podemos ver o preço do petróleo subindo ainda mais, gerando uma pressão sobre a nossa inflação local.

Outro ponto de atenção são as importações. O Brasil compra da Rússia fertilizantes que são essenciais para o agronegócio — que, por sua vez, é extremamente representativo na exportação nacional. Ou seja, há risco de um impacto na balança comercial e no PIB, indicadores que já sofreram com a cadeia global desde a explosão da pandemia.

Apesar dos ânimos exaltados, não há muito o o que fazer nesse momento. A pauta deve seguir dominando os noticiários até que exista uma resolução do impasse ou uma eventual invasão, cenário que é temido pelos líderes econômicos em função dos impactos que poderiam trazer em um momento de recuperação.

Sobre o autor
Stéfano Bozza
Formado em Administração pela PUC-SP. Trabalhou em empresas do segmento financeiro (Itaú BBA) e varejo (BRMALLS) até 2016, quando iniciou a jornada de produção de conteúdo para a internet com foco em finanças.