Fundos de Investimentos

Os fundos campeões no primeiro semestre em suas três principais categorias – renda fixa, ações e multimercado – deixam claro ao investidor que é possível obter rendimentos muito superiores aos respectivos benchmarks que os gestores miram no comando dos produtos. Acima da média de mercado também.

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Fundos de ações, renda fixa e multimercado trazem ganhos para os investidores - Foto: Arquivo

Os fundos de renda fixa têm como benchmark ou índice de referência – meta que o gestor se propõe a atingir para os clientes cotistas - o CDI, uma espécie de juro privado usado como custo do dinheiro no repasse de recursos nas operações interbancárias.

Os fundos de ações têm como benchmark o Índice Bovespa (Ibovespa), o principal índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. É em tese um resultado atrelado a esse índice que o gestor se compromete a entregar aos cotistas de um fundo de ações.

O compromisso do gestor é, portanto, rentabilizar os investidores de acordo com o benchmark do fundo. O resultado final pode ser mais ou menos, de acordo com o acerto da estratégia adotada. Estratégia que consiste basicamente na escolha de ativos para a carteira que supostamente viabilizem chegar ao resultado desejado.

E qual é o benchmark dos fundos multimercado? Os multimercado não seguem propriamente um índice de referência, pela diversidade de ativos, da renda fixa à renda variável, que formam sua carteira.

O benchmark dá um norte, uma ideia aonde o fundo quer chegar em rentabilidade, mas o fator determinante do desempenho é a estratégia que o gestor adota para cumprir o compromisso assumido. Ou para entregar mais que isso.

A estratégia ou a gestão bem-sucedida de carteira pode fazer um fundo de renda fixa desgarrar-se de seu indicador de referência e render muito mais que o CDI. Ou, por outra base de comparação muito adotada, muito mais que a caderneta de poupança. O CDI acumulou variação de 1,28% no primeiro semestre e a caderneta rendimento de 0,87%.

Uma análise da base de dados da Mais Retorno sobre os fundos de renda fixa derruba ainda algumas impressões que correm por aí. Uma delas: que a renda fixa está rendendo pouco e está negativa com os juros baixos.

Fundos campeões de renda fixa

O fundo Itaú Private RF Vendido IDKA 3 FIC rendeu 6,04% no primeiro semestre, período que o CDI acumulou variação de 1,28% e a inflação medida pelo IPCA teve alta de 3,77%. Isso significa que o fundo do Itaú rendeu 2,19% acima da inflação e 4,17% mais que o CDI do período. A caderneta de poupança rendeu apenas 0,87% de janeiro a junho.

O histórico de rentabilidade abre uma janela para novas análises e maior compreensão do desempenho do fundo em períodos mais longos. A seguir, você tem o do Itaú, extraído da base exclusiva de dados da Mais Retorno.

Os dados comparativos deixam claro também que o investidor pode diversificar com opções rentáveis sem sair da renda fixa, com rendimento acima da caderneta ou dos fundos DI, ainda que com pouco mais de volatilidade, dependendo dos títulos em carteira. 

Os fundos de renda fixa mais bem performados do ranking renderam de 6,04%, do Itaú, a 3,85%, do Santander Incentivado FIC. Todos acima da inflação, do CDI e da poupança.

Desempenho que destoa dos demais que renderam menos e até abaixo do CDI, ainda que todos sejam classificados como renda fixa, com carteira formada por títulos privados, como CDB, letras de crédito, letras financeiras, debêntures, e títulos públicos, além de papeis atrelados a juros futuros. O que está por trás da disparidade de rendimentos?

Com a composição de carteira relativamente padronizada, o grande diferencial dos fundos de renda fixa, em rentabilidade, está na estratégia, relacionada à gestão, afirmam especialistas.  Em geral, uma gestão ativa ou mais arrojada leva a desempenhos mais interessantes, embora à custa de uma pitada maior de risco. Fundos de gestão passiva, que exigem menos ativismo do gestor, entregam resultados mais modestos.

Fundos campeões de ações

Os fundos de ações e de small foram disparadamente o grande destaque do primeiro semestre no mercado de investimentos. O desempenho dos dez fundos mais rentáveis ficou entre 78,28%, do campeão Hayp FIA, e 36,65%, do Bradesco FIA Vale.

Os gráficos também trazem informações relevantes sobre o comportamento dos fundos. Esse que vai abaixo é do Hayp, da Zenith Asset Mangement, mostra a evolução desde julho de 2013, e se encontra na base de dados da Mais Retorno. É possível ver que o fundo replica os movimentos do Ibovespa, mas na maior parte do período transita acima dele, do seu benchmark.

O histórico de rentabilidade do Hyap permite conferir os resultados mês a mês, desde 2018. Resultados negativos são compensados com rentabilidade bem acima do Ibovespa. Só em março e abril deste ano, o fundo apresentou valorização de 34,53% e 30,68%, respectivamente.

Os 10 fundos de ações superaram o Ibovespa

Todos os 10 primeiros da tabela renderam muito mais que o Índice Bovespa (Ibovespa), o benchmark desses fundos, que acumulou valorização de 6,54% no período. Rentabilidade que deixou para trás também os bem situados fundos de renda fixa e multimercado no balanço semestral.

O investidor que assumiu maior risco e apostou em ações aplicando nesses fundos foi premiado com vistosa rentabilidade. Desempenho obtido em momento que mesclou uma fase severa da segunda onda do coronavírus, seguida de certo otimismo com a perspectiva de retomada da economia, na esteira da aceleração do ritmo de vacinação.

Foi decisiva aí a estratégia dos gestores. Os produtos de melhor desempenho tiveram no comando profissionais que apostaram no movimento cíclico da economia e escolheram ativos de empresas que se beneficiam do ritmo da atividade, como as dos setores de varejo, commodities e bancos.  As mesmas que, de acordo com especialistas, tendem a manter o fôlego no segundo semestre, dada a persistência das expectativas positivas para esses setores, com o avanço da vacinação e uma abertura mais robusta da economia.

São fundos campeões que chegaram aos vistosos resultados seguindo o roteiro previamente percebido pelos gestores, o de que o processo de vacinação contra a covid levaria à retomada de atividade – que começou no exterior e propiciou a escalada dos preços das commodities, seguido depois pelo movimento doméstico, de abertura gradual do comércio.

Fundos campeões multimercado

O que mais chama a atenção nos igualmente bem-sucedidos fundos multimercado foi que quatro deles, dentre os dez de melhor rentabilidade no semestre, são abertos a investidores de varejo. Um desempenho que faz cair por terra a ideia de que fundos multimercado com boa rentabilidade estão restritos apenas aos chamados investidores qualificados, com valor de acima de R$ 1 milhão. Outra surpresa é a presença, nessa lista de dez mais rentáveis levantados da base de dados da Mais Retorno, de dois fundos com criptomoedas.

Lidera esse ranking o Itaú Ideias Investimento Estratégia Protegida III FIC FI Multi em primeiro lugar, com rentabilidade acumulada de 28,78% no período. Na segunda posição ficou o Logos Total Return FIC FIM, com rendimento de 27,79%. Os fundos apimentados com criptomoedas ocuparam a quinta e a sexta colocação, mas com perspectivas promissoras, de acordo com analistas.

Como o do Itaú foi encerrado em junho deste ano, veja a perfomance do Logos Total Return FIC FIM, o segundo colocado no semestre, por gráfico e também por seu histórico de rentabilidade. O benchmark considerado para efeitos de comparação foi o CDI. Os dados são exclusivos da Mais Retorno.

O sucesso desses fundos multimercado, de acordo com especialistas, reflete a estratégia acertada de gestores na escolha de ativos que formam a carteira. Uma estratégia que combina desde apostas em títulos de renda fixa que se beneficiam com a alta dos juros futuros até ações que miraram a perspectiva de recuperação da atividade econômica.

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Colaborador do Portal Mais Retorno.

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