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Fundos de Investimentos

Setor de commodities, que favoreceu o PIB, também influenciou ETFs do setor; veja as opções para se expor a esse mercado

Guerra na Ucrânia, lockdown na China, entre outros fatores, impulsionaram o preço de itens como petróleo, minério de ferro e produtos agrícolas

Data de publicação:02/06/2022 às 09:12 -
Atualizado um mês atrás
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Com a alta de 1,00% do PIB no primeiro trimestre de 2022, que, em grande parte foi fortalecido pelo desempenho das commodities, os ativos ligados a produtos como petróleo, minério de ferro, ouro, prata, trigo, soja, proteína animal, entre outros, também surfaram essa onda e apresentaram boa rentabilidade em 2022.

Mas como o investidor consegue se beneficiar disso? Investindo não somente em ações diretamente das empresas do setor, mas também por meio de ETFs (Exchange Traded Fundos) e BDRs (Brazilian Depositary Receipts) atrelados a esse mercado.

commodities
Alta do preço do barril do petróleo impulsionou ativos ligados à commodity - Foto: Envato

Ativos ligados às commodities

Em momentos de inflação alta, os investidores realocam suas posições em busca de proteção. E as empresas de commodities ganham a preferência por serem companhias consideradas mais maduras e menos vulneráveis à conjuntura macro.

Nesse sentido, a exposição ao setor pode ocorrer via compra direta de ações das gigantes do setor, como Vale, Petrobras, JBS, Boa Safra, entre tantas outras, mas também pode optar por alocar seus recursos em fundos de investimentos.

Um dos caminhos é investir nos ETFs (Exchange Traded Funds), conhecidos como fundos de índice, ou em BDRs (Brazilian Depositary Receipts). De acordo com Carvalho, da Valor, os ETFs oferecem um risco diluído ao investidor.

“Em cenários como o atual, o mais recomendado é que o investidor não direcione seus investimentos apenas em uma empresa, pois se estiver exposto a um fundo, tem a chance de ter perdas menores caso ela tenha um desempenho inferior ao esperado”,.

Piter Carvalho, head de renda variável da Valor Investimentos

Além da diversificação, outros pontos destacados pelo especialista é a possibilidade de iniciar os investimentos com um ticket de entrada menor e a simplicidade do fundo de índice.

“O investidor não precisa ficar rebalanceando sua carteira o tempo todo e consegue ter acesso a mercados diversos em um único ETF”.

Para o head da Valor, é preciso que o investidor tenha uma visão aberta, já que o cenário das commodities é global.

“O consumo de commodities deve continuar forte, pois as pessoas precisam de energia e de alimentos para sobreviver. Porém, sabemos que o ciclo atual não vai durar para sempre, só não sabemos quando os preços vão começar a baixar”.

ETFs de commodities: rentabilidade acima de 6% em 2022

A Mais Retorno fez um levantamento do desempenho de fundos de índice e BDRs atrelados a commodities e constatou que a rentabilidade desses produtos, de maneira geral, ultrapassou os 6%, no acumulado dos cinco meses deste ano.

As opções são muitas e variadas, desde exposição à prata, como o Global X Silver Miners e o ABDN Physical Silver Shares, até o Global X Uranium, atrelado ao mercado de urânio e ao Global X Cooper Miners, ligado ao cobre.

Confira abaixo outros ETFs e BDRs de commodities e sua rentabilidade em 2022

NomeTickerETF ou BDRLastroTaxa de administraçãoRentabilidade
acumulada em 2022
iShares Gold TrustBIAU39BDRETF de ouro físico0,25%9,03%
Trend ETF LBMA OuroGOLD11ETFETF de ouro físico0,55%-14,77%
iShares Silver TrustBSLV39BDRETF de prata0,50%6,03%
abrdn Physical Gold SharesSIVR39BDRETF de prata físico0,30%9,03%
BTG Pactual Teva Ações Commodities Brasil Fundo de ÍndiceCMDB11ETFÍndice Teva Ações Commodities0,50%8,52%
Fonte: Mais Retorno

A alta nos preços das commodities deve continuar?

Um dos fatores que impulsionou a alta de commodities de várias categorias – incluindo as energéticas e agrícolas – foi a guerra na Ucrânia, que já ultrapassou os 100 dias e ainda não há no horizonte uma sinalização de um cessar-fogo com a Rússia.

Soma-se a isso ainda a nova onda de covid-19 na China, que ocasionou um lockdown no país de quase dois meses.

De acordo com Piter Carvalho, as sanções internacionais contra a Rússia no que diz respeito à comercialização de petróleo na Europa aumentou ainda mais o forte risco de desabastecimento do produto, algo que já estava ocorrendo antes do conflito.

“A Rússia é o terceiro maior produtor de petróleo do mundo e não há refinarias no mundo em quantidade suficiente para suprir essa demanda. Outro aspecto agravante é o fato de que os Estados Unidos estão com estoques em baixa histórica, o que ajuda a intensificar ainda mais o desequilíbrio entre oferta e demanda”.

Piter Carvalho, da Valor Investimentos

‘Não é um superciclo’

Carvalho destaca que, apesar da alta nos preços, as commodities não estão vivendo um superciclo. “O que está acontecendo, diferentemente de um cenário de superciclo, é que hoje há fatores adversos, de ordem geopolítica e econômica, que impulsionam essa alta. É importante ter muito cuidado na hora de marcar posição em ativos ligados às commodities”.

Eduardo Grübler, gestor de renda variável da Warren Asset, ressalta que, apesar da volatilidade, principalmente das commodities energéticas – como minério de ferro e petróleo – a alta dos preços deve continuar por algum tempo.

“Estamos vivendo um problema cíclico. No momento que os preços das commodities sobem, causa inflação, porém são os produtos mais consumidos quando ela sobe”, analisa o gestor da Warren.

Eduardo Grübler, da Warren Asset

Esse ciclo “diferente”, de acordo com Grübler, deve beneficiar o Brasil e a Bolsa. “Há muito valor travado na Bolsa neste ano por conta das incertezas políticas. Esse momento atual das commodities vai trazer mais dinheiro para o País. Não vejo os preços recuando fortemente de uma hora para outra”.

Desempenho das ações ligadas às commodities nos últimos seis meses

NomeTickerSetorRentabilidade/6 meses
ValeVALE3mineração+20,7%
PetrobrasPETR4petróleo+12,57%
UsiminasUSIM5siderurgia-21,97%
GerdauGGBR4siderurgia+5,17%
PetroRioPRIO3petróleo+34,30%
KlabinKLBN11papel e celulose-7,39%
SuzanoSUZB3papel e celulose-7,28%
JBSJBSS3proteína animal+2,22%
Boa SafraSOJA3produtos agrícolas+0,59%
Fonte: Mais Retorno

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Sobre o autor
Julia Zillig
Repórter do Portal Mais Retorno.