Logo Mais Retorno
fundos de renda fixa
Fundos de Investimentos

Entre os 3 maiores fundos de renda fixa, só 2 cobrem a inflação e o DI; confira

Taxa de administração elevada prejudica o retorno ao cotista

Data de publicação:18/08/2022 às 05:00 -
Atualizado um mês atrás
Compartilhe:

Nem sempre patrimônio gigante em fundo de investimento é sinônimo de boa rentabilidade para o cotista. Mas há exceções. Como os três fundos de renda fixa pinçados da base de dados em pesquisa exclusiva da Mais Retorno.

O levantamento aponta que os três maiores fundos de renda fixa, medidos pelo tamanho do patrimônio, não estão entre os mais rentáveis dessa classe de ativos em 2022. Mas rendem o suficiente para superar em termos nominais a inflação de 4,77% acumulada pela variação do IPCA no ano, até julho. Mas, se considerado o Imposto de Renda, só 2 deles cobrem de fato a inflação.

fundos de renda fixa
Com desconto do Imposto de Renda, o rendimento é positivo em dois dos três fundos - Foto: Reprodução

O fundo de maior patrimônio, o BB Top Arrojado FI RF LP, que faz a gestão de R$ 48,334 bilhões para 69 cotistas, rende 6,90% nominal bruto no ano. Descontado o imposto de renda, calculado pela alíquota de 22,50%, entrega um rendimento líquido de 5,27%. Ou um ganho real embutido, acima da inflação, de 0,48%.

Do trio, o mais rentável é o Itaú Privilège RF Referenciado DI FI, detentor do segundo maior patrimônio, R$ 44,362 bilhões, mas com uma quantidade de cotistas bem maior, 267.534 mil. O fundo proporciona uma rentabilidade bruta de 6,99% ou líquida 5,34%, descontado o imposto de renda. Um rendimento líquido com ganho real positivo de 0,54% acima da inflação de 4,77% acumulada no ano.

O FIC FI Caixa Prático RF Curto Prazo, o terceiro mais encorpado em musculatura patrimonial, com R$ 38,765 bilhões e 16.690 cotistas, acumula rendimento bruto nominal de 5,01% no ano. Após o desconto de imposto de renda, sobra um líquido de 3,84%. Dos três, é o único com rentabilidade negativa em relação à inflação de 4,77%.

FundoPatrimônio
em R$ bilhões
Rend. 2022Rend. 12 mesesRend. julho
BB Top RF Arrojado48,3346,90%10,13% 1,08%
Itaú Privilège Referenciado44,3626,99%10,37% 1,06%
FIC FI Caixa Prático CP38,7655,01% 6,87% 0,83%
Inflação-.-4,77%10,07%-0,68%
DI-.-6,50%9,44% 1,03%
Fonte: Mais Retorno

Dois oferecem rendimento acima do benchmark

Dos três fundos de renda fixa de maior patrimônio, dois estão com rentabilidade acima do benchmark dessa classe de ativos, o CDI, tanto em junho, como em 2022 e em 12 meses. Apenas o Itaú Privilège RF Referenciado DI FI e o BB Top Arrojado FI RF LP conseguem superar esse indexador referência da renda fixa que acumula variação de 6,50% em sete meses do ano, 9,44% em 12 meses, e 1,03%, em julho.

Os 3 fundos de renda fixa e suas estratégias

O Itaú Privilège RF Referenciado DI FIC FI é um fundo que investe em cotas de outros fundos, analisa Matheus Carniel, especialista em investimentos na SVN. Os recursos de sua carteira estão alocados preponderantemente em dois fundos: uma parcela de 67% no Special RF e 31% no Itaú Wealth.

O Special é um fundo referenciado ao CDI, com 41% do portfólio investido em Letra Financeira do Tesouro (LFT), título da dívida pública com liquidez diária. A gestão do Itaú Wealth segue estratégia próxima da do Special, explica Carniel.

Ambos os fundos master, espelho do Itaú Privilège RF Referenciado, têm parcela menor de outros títulos na carteira, como debêntures, crédito privado, operações compromissadas, para tentar superar o benchmark.

Taxa de administração prejudica o FIC FI Caixa Prático

O FIC FI Caixa Prático RF Curto Prazo é o fundo que menos rentabilizou, do grupo de três, aponta o especialista. É um fundo de curto prazo que está com quase 100% da carteira alocada no Fundo Caixa Master Liquidez.

Carniel explica onde a rentabilidade emperra nesse processo. “O Master é um fundo que remunera com quase 100% do CDI, com taxa zero de administração. Uma taxa que chega a 1,70% ao ano no FIC FI Caixa Prático RF Curto Prazo, que está com os recursos alocados no Master.”

fundos de renda fixa

O especialista recorre a dados comparativos para explicitar melhor a disparidade de rendimento entre esses dois fundos, o FIC e o fundo master. Entre 2004 e 2022, o Fundo Caixa Master Liquidez acumulou rentabilidade de 514% e o FIC FI Caixa Prático RF Curto Prazo, 167%. “E o que explica essa diferença, com desvantagem para o cotista do Prático, é sua alta taxa de administração, que come a rentabilidade.”

Estratégia do BB Top Arrojado mira pós-fixados

O BB Top RF Arrojado FI RF LP é um fundo master ou espelho e, como tal, sem acesso direto aos cotistas. “Não é um fundo de prateleira”, explica Flávio Mattos, gerente-executivo de fundos de renda fixa e câmbio da BB Asset. É um fundo que aloca as cotas para os fundos de investimento em cotas (FICs) – fundos que investem em cotas de outros fundos. 

É um fundo que aloca entre 35% e 45% - de um limite permitido de 50% - dos recursos do portfólio em títulos de crédito privado – basicamente papeis financeiros, como CDBs e letras financeiras, e de crédito privado corporativo, como debêntures, Fidcs (fundos de investimento em direitos creditórios) e notas comerciais.

Mattos destaca a classificação high grade (nota alta, portanto baixo risco) que qualifica boa parcela dos papeis privados posicionados na carteira. “Títulos com graduação de risco mais alta, originários de carteiras nobres.”

Ativos privados (financeiros e corporativos) costumam ocupar, em média, 40% do espaço da carteira do fundo. “Os restantes 60% da carteira são preenchidos por ativos pós-fixados (operações compromissadas e Letras Financeiras do Tesouro-LFT).

Esse mix de carteira possibilita que o fundo opere com alta liquidez e atenda ao resgate do cotista no mesmo dia do pedido (D+0). As operações compromissadas consistem em empréstimos de um dia, com lastro em títulos públicos (LFTs), em que o banco tomador devolve o dinheiro no dia seguinte remunerado pela Selic (taxa overnight).

As operações compromissadas com títulos públicos oferecem dupla vantagem, segundo o gerente-executivo da BB Asset. “É uma operação sem risco, se o banco quebrar, o título é do Tesouro.” Outra é a liquidez, já que o gestor consegue vender a LFT rapidamente no mercado secundário (onde os papeis das carteiras dos fundos trocam de mãos).

Mattos lembra ainda a atratividade do momento para os fundos com carteira alocada em títulos pós-fixados, públicos e privados, como o do BB Top RF Arrojado.

“Os fundos pós-fixados seguem as taxas de juro de curto prazo, a Selic, que talvez esteja no patamar mais alto”, analisa. “É um momento que combina também com um CDI alto em uma carteira com crédito privado.”

Como os títulos privados adicionam um prêmio de risco, em média de 1%, à Selic, a taxa de remuneração sobe para cerca de 14% ao ano, ou mais de 1% ao mês, calcula Mattos.

“É um fundo que combina rentabilidade, liquidez e segurança, com volatilidade e risco muito baixos”, afirma o gerente-executivo da Asset. “Como a expectativa é que a Selic não venha cair tão cedo, talvez só a partir do segundo semestre de 2023, vai ter ainda um período muito interessante pela frente”, acredita.

Leia mais:

Sobre o autor
Mais Retorno
A Mais Retorno é um portal completo sobre o mercado financeiro, com notícias diárias sobre tudo o que acontece na economia, nos investimentos e no mundo. Além de produzir colunas semanais, termos sobre o mercado e disponibilizar uma ferramenta exclusiva sobre os fundos de investimentos, com mais de 35 mil opções é possível realizar analises detalhadas através de índices, indicadores, rentabilidade histórica, composição do fundo, quantidade de cotistas e muito mais!

Inscreva-se em nossa newsletter